zondag, april 27, 2008
Tot ziens

Meu povo, estou indo amanhã de manhã para a Itália, de férias. Como pobre só se ferra mesmo, estará chovendo copiosamente pelos próximos 4 dias. Sim, estou levando guarda-chuva.

O jeito vai ser ficar dentro de muito café, a beira do Lago di Como, tomando cappucino ( que italianos dizem que só se toma até às 11 da manhã ) e comendo torta. Olha a pança que balança.

Piolhinhos já estão no hotelzinho, a casa está mortinha, triste triste.

Até a volta, povo!


donderdag, april 24, 2008
Brigadinha...

Muito obrigada a todos que me desejaram sucesso. Estou mesmo precisando de boas vibes, porque estou me borrando de medo, claro. E obrigada também pelos parabéns, ontem foi um aniversário especial. Íamos sair, mas choveu e choveu e choveu. Minha vontade de me arrumar, sair na chuva, sentar numa mesa e comer apressada era zero, então tive a brilhante idéia de encomendar uma "rijsttafel", a tradução é mesa de arroz, mas na verdade vem vários pratos asiáticos mais arroz, ou aquele macarrão. Encomendamos no melhor lugar de Eindhoven, o hotel Mandarin, e estava fantástico. Comida deliciosa, na sala da minha casa, de moletom, assistindo minha série favorita ( NCIS ), com meu marido e meus fofinhos. Sinceramente? Nenhum restaurante do mundo teria sido melhor que isso. Verdade.

Mas voltando à viagem.

Meus queridos, Brasil em Julho não vai rolar, mas não sou filha desnaturada não, vou explicar. O primeiro e principal motivo é que eu quero muito mexer meus pauzinhos e com casa nova e tudo ir para o Brasil em Dezembro. Estou pensando em tirar as 2 últimas semanas do ano mais a primeira do ano que vem, emendar e ir para terrinha aproveitar o sol e a piscina do bródi, e Brasil duas vezes por ano Bart não curte. Segundo que Julho é mês de férias por lá e minha cunhada empacota as crianças e todos se vão para Curitiba, onde ela tem família. Sei que se eu for ao Brasil ela cancela a ida à Curitiba, mas não é justo pois meus sobrinhos amam ir pra lá ( eles tem 2 irmãos curitibanos ) e teriam que ficar em casa só porque eu estou por lá. Terceiro motivo é que esse ano até minha mãe vai para Curitiba, apesar de ir só por uma semana.

Estou louca para ir para a Croácia, mas ainda é difícil conseguir pacotes com vôo pra lá. Malta me parece super legal, alguém já foi, sabem se tem coisas pra fazer por 2 semanas? E luxo, quem não gosta de luxo? Mas não é a prioridade na minha viagem, a prioridade é o lugar. Estou indo segunda-feira para a Itália e vou ficar em B&B's, são duas cidadezinhas pitorescas, sem carros, combina muito mais com o clima a pensãozinha do que um hotel metido a besta.

Mudando de alhos pra bugalhos ( de novo ): o clima aqui na empresa está péssimo. A ex-grávida, que é minha gerente, fica estranha quando está estressada. A primeira coisa é que ao invés de dividir as notícias, ela se fecha. Vejo ela de cá pra lá o tempo todo, mas não faço idéia do que está acontecendo. Minha felicidade em sair daqui é tão grande, que tenho vontade de sair correndo no meio do dia. E vocês não sabem da maior: a 2 meses decidiram cancelar um produto que eu estou negociando e substituir por um que o Portuga está negociando, então um diretorzão pediu se dava pra trazer Portuga pra trabalhar aqui por 6 meses, na minha sala, na mesa em frente à minha. Já pensaram? Grávida me disse que estava adiando me dar "a notícia" até que tudo estivesse acertado. Gente do céu, minha vida ía virar um inferno, como estou feliz, duplamente feliz pelo emprego novo. Estou fazendo o máximo para sair daqui em bons termos, mas sinceramente, espero do fundo fundo fundo do meu coração não ter que um dia sequer pensar em voltar pra cá.

Na Seicho-no-ie, eles nos ensinam a ser gratos ao emprego atual para conseguir um melhor, ou para ser bem sucedido no emprego futuro. O meu atual emprego me proporcionou uma qualidade de vida melhor, mais tempo com FH, na minha casa, com meus amigos, e espero que eu leve as dificuldades daqui como uma lição pro emprego novo. Pessoalmente aprendi muito sobre mim mesma, vi exatamente onde tenho que melhorar, e isso sempre dá um frio na barriga: vou conseguir? Mas já que tudo está se encaixando na minha vida, estou me propondo dois novos desafios, para dar sabor ao dia-a-dia: domar a pança que balança e melhorar profissionalmente.


dinsdag, april 22, 2008
O pão nosso de cada dia...

Eu preciso trabalhar. Não só porque gosto de coisas bonitas e elas custam dinheiro, mas porque tenho uma incontrolável tendência ao ócio, e se eu por alguma razão ficasse em casa, como fiquei por 2 anos quando mudei para cá, ía definhar intelectualmente a cada dia. Como diz minha amiga Alice, eu não vim ao mundo à passeio, tenho que trabalhar.

Quem já lê esse blog a algum tempo, sabe da luta que foi para conseguir o primeiro emprego. Mais difícil do que conseguir foi permanecer nesse primeiro emprego por quase um ano e meio, morando em Eindhoven e trabalhando em Hoofddorp, 180 km por dia de ida e outros 180 de volta. Foram milhares de viagens de trem, baldeações, ônibus, carona, via meu marido 2 horas por dia!

Quando finalmente encontrei meu emprego na empresa atual achei que fosse morrer de alegria, a apenas 5 km de casa! O emprego trazia alguns "poréns", era um produto que eu não conhecia e continha uma carga razoavelmente grande de uma tarefa que eu detesto fazer, mas mesmo assim decidi aceitar o "desafio". O emprego está indo ok, mas é só ok, não é que eu quero fazer pro resto da vida. A "carga razoavelmente grande" da tarefa que eu detesto fazer acabou se revelando mais de 50% do meu tempo, e com o passar dos meses foi ficando mais e mais difícil para mim acordar e vir trabalhar.

Repeti mil vezes que deve até ser pecado "reclamar" de um emprego que paga o que o meu paga, que fica pertinho de casa, onde eu tenho colegas legais, mas o fato é que eu não estou feliz aqui, e como trabalhar mais 28 anos nessa infelicidade? Eu sei que tem muita gente aí batalhando pra conseguir sua primeira chance por aqui ( ou por outros cantos ), mas de quê adianta trocar a infelicidade de não ter emprego pela infelicidade de ter um emprego que te angustia tanto? Tem a grana, eu sei... Mas tem uma vozinha lá dentro de mim que me diz que estamos aqui nesse planeta pra sermos felizes, que TODOS merecemos acordar animados com o dia que vem pela frente, que o bem para si mesmo não é pecado!!!!

Como vocês bem sabem ( e me relembram constantemente ) eu sou reclamona. Algo me incomodou eu estou logo reclamando, e chorando as pitangas, e muitas vezes aqui no santo blog desafoga mágoas. Mas, em meu benefício, não sou uma reclamona que senta no sofá e espera as pessoas virem resolver meus problemas, eu me esbugalho de chorar, lamentar, xingar, mas eu vou atrás do que eu quero. Eu ralo o traseiro nas pedras mas não me conformo com o que não gosto, só porque em certos aspectos é mais conveniente.

Mas o que fazer com o problema do emprego?

Desde janeiro estou chafurdando as páginas do monsterboard, intermediar, nationalevacaturebank a procura de vaguinhas para compradores. Minha busca nesses sites normalmente traz pouquíssimos resultados, já que eu quero só em Eindhoven, que pague mais do que eu ganho ( ou pelo menos igual ), e que seja numa empresa que vai adicionar ao meu CV.

No fim do mês passado vi uma vaga numa empresa grande de Eindhoven, mas era muita areia para o meu caminhãozinho: pedia holandês e alemão, fora o inglês, claro. Além do mais era para um cargo bem alto, Commodity Manager. Decidi não mandar o CV, ía ser perda de tempo, ou mais uma rejeição, para adicionar ao meu já enorme trauma de entrevistas de emprego. Mas a tal vozinha repetia o ditado holandês: o não você já tem, o sim você pode conseguir. Mandei o CV, com uma cartinha dizendo que meu holandês não é ainda perfeito mas que eu estou disposta a estudar até que esteja, e que minha experiência compensa esse pequeno "detalhe".

Fui chamada para a primeira entrevista, e para a segunda e para a terceira. Não há quem goste de entrevistas de trabalho, mas poucos têm o trauma que eu tenho, em cada véspera de entrevista eu ficava num estado de petição de miséria. Mas finalmente veio a boa notícia, e hoje estou de contratinho novo assinado, já dei a notícia aqui no trabalho. Estarei em breve de emprego novooooooo! E vocês nem sabem a maior: fica a 800 metros da casa nova, já imaginaram? Acho que Deus compensou os meses de Eindhoven-Hoofddorp me dando um emprego no quintal da minha casa.

Estou super feliz, claro. Um emprego na área que eu gosto, com um cargo ainda melhor, e salário também melhor. Os colegas de trabalho me parecem legais, o prédio onde vou trabalhar é lindo, e ainda por cima posso ir a pé ou de bike em 5 minutos.

Essa semana será só de alegrias e comemorações: eu consegui meu emprego novo, faço 35 e vou de férias! Não tenho nem como descrever como estou feliz.


maandag, april 21, 2008
Desafio Adriana de Verão...

Extra! Extra! Extra!

Adriana desesperada busca ajuda de leitores fiéis, viajados, descolados e de preferencia não muito indinheirados.

Meu povo, eis que do nada a empresa resolve que do dia 12 a 27 de julho a porta da frente será fechada, a luz apagada, e querendo ou não, todo mundo tem que ir de férias. O povo que tem filhos nem se importou, normalmente eles saem mesmo de férias nessa época do ano, mas nós que não temos fomos pegos de calça curta.

Preciso, a toque de caixa, achar uma viagem para essas duas semanas, pois por consequência dessa infeliz catracada, não poderei tirar férias em Dezembro, ou apenas 2 semanas - que provavelmente usarei para mudar para a casa nova. Como viajar em alta temporada sem falir????

Eis que proponho aqui uma ajuda-desafio para os fiéis leitores, com direito a prêmio ( uma bijou se for moça faceira, uma camiseta se for rapagão forte ) para quem der uma dica que considere os critérios abaixo e que seja finalmente a que eu consiga por em prática:

- Tem que ser para a PRAIA, ou 1/2 cidade e 1/2 PRAIA
- Tem que ser de avião ( meu carro é de pobre ) saindo de Amsterdam, Eindhoven ( o melhor ) e Dusseldorf.
- Periodo de 12/07 a 26/07
- Tem que estar solzinho, mas não pode passar dos 33 graus
- O Hotel tem que ser 4 ou 5 estrelas, e você tem que indicar um
- Turquia não vale ( FH não quer nem ouvir ), nem Holanda
- Pode custar, por 2 semanas, no máximo 1000 euros por pessoa, 1200 se for meia-pensão ou all-in
- De preferência um lugar não tão absurdamente lotado. Sabemos que vai estar cheio em todos os lugares, mas Marbella em Julho é minha concepção de inferno na Terra.

Para aquele que der uma dica quentíssima, que eu acabe seguindo no final, publico aqui, entro em contato para pegar o endereço e mando o prêmio.

Vamos lá!



vrijdag, april 18, 2008
Mãe

Em 2005, minha mãe começou a sentir umas dores no braço e perna direita. Essa dor foi piorando até que ela ficou completamente sem movimento do braço direito, não podia colocar peso na perna, e tinha dores horríveis. Ela tinha lá um convênio mais ou menos, e começou a via sacra dos exames e consultas. Cada um dava um diagnóstico diferente, todos medonhos. O negócio estava tão sério, que um dos pés estava ficando ligeiramente deformado, e teve um médico que disse que "essa doença é assim mesmo, a senhora vai controlar a dor com corticóide, mas vai ter membros deformados". Imagina quão arrasada minha mãe ficou, sem falar que, como o médico predisse, a dor só era controlada ( e não totalmente ), com injeções de corticóide.

Nessa época, eu me vi em papos-de-aranha, o que fazer? Largar o emprego que consegui com tanta dificuldade e ir pra lá cuidar dela? Quanto tempo levaria? Meu irmão não tem a menor paciência com doentes, mas minha cunhada é uma santa, e ela me ligou e disse que até que encontrassem um diagnóstico sério e um tratamento, não tinha como eu ajudar. Minha viagem para os EUA estava inteirinha paga, mas eu estava a ponto de cancelar tudo, perder a dinheirama toda, pra poder voltar ao Brasil e ficar com a minha mãe no Natal.

Em Novembro, minha cunhada soube atravéz de um antigo professor da faculdade de um médico que era uma sumidade no diagnóstico e tratamento de doenças reumáticas. Ele só atendia particular, não estava aceitando novos pacientes, e a consulta custava 600 reais, mas mesmo assim minha cunhada insistiu, implorou, foi lá pessoalmente, acabou conseguindo que minha mãe fosse atendida. Ele diagnosticou minha mãe com uma forma de artrite reumatóide, iniciou um tratamento que, segundo ele, ía deixar a doença sob controle. Eram dois remédios que, juntos, custavam 1400 reais por mês. Em um mês ela pôde parar com as injeções de corticóide, foi recuperando os movimentos, pôde até voltar pro apartamento dela.

Fui para os EUA, mas todos os dias pensava: eu deveria ter aproveitado que minha mãe está melhor e ir para o Brasil, levá-la pra visitar a família em Santa Catarina, levá-la pra Caldas Novas ( dizem que é ótimo para quem tem doenças reumáticas ), ficar com ela. Prometi que assim que o médico deixasse, ela viria para a Holanda e eu tiraria um mês inteiro de férias para ficar com ela.

Em julho eu ía trocar de emprego, ela já estava praticamente boa, falei para ela consultar o médico e ele liberou-a para vir para a Europa, desde que ela tomasse os remédios certinho. E ela embarcou trazendo uma sacola de remédios, duas caixas com ampolas de corticóide para o caso de uma crise aguda ( Alice se ofereceu para dar a injeção, caso precisasse ), eu fiz seguro de viagem para ela, e fui pegá-la no aeroporto rezando para tudo correr bem.

Quando a vi, levei um susto, mesmo 8 meses após ela parar com os corticóides, ela ainda estava bem inchada, bastante diferente, mas isso não importava, minha mãe estava finalmente aqui! Ela tinha muita vontade de vir conhecer a minha casa, meus gatos, ver como eu estava vivendo, as flores, tudo... e eu estava podendo realizar o sonho dela! Meu irmão havia me preparado para a depressão e "ranzinzisse" dela, mas aqui comigo ela estava sempre sorrindo, sempre alegre, tudo era gostoso, tudo estava bom. Andamos tanto que ambas emagrecemos, fomos a Amsterdam, levei-a à Itália, ela se emocionou com a terra dos antepassados dela! E meses depois, no Natal, eu fui ao Brasil.

No mês passado, tanto tempo depois, ela voltou a ter dores, dessa vez nas costas. No telefone se percebia que ela estava com dor. Novos exames, mais remédios, nada fazendo efeito, o diagnóstico: um problema na coluna que só pode ser resolvido cirurgicamente. Quis ir ao Brasil, meu irmão me disse para esperar e, se algo complicasse, aí então eu iria para ajudar minha cunhada. Ele continua absolutamente sem paciência com doentes. E minha cunhada continua uma santa.

Minha mãe operou essa semana, tudo correu bem, a dor se foi, ela já está andando, saiu do hospital ontem.

E esse é mais um dos dilemas de quem vive no exterior: e se acontecer algo com alguém querido no Brasil, o que fazer? Eu, depois desse episódio, fiquei com mais medo ainda. Se minha mãe tiver uma doença terminal, eu vou sofrer como o quê, pois eu não posso simplesmente largar tudo e ir para o Brasil cuidar dela. Eu preciso trabalhar, temos essa casa carésima para pagar, e só com o salário de um não dá. Posso tirar férias, talvez uma licença não remunerada de uns 3 meses, mas isso é tudo.

Depois desse novo susto, e talvez com a maturidade dos 3.5, vejo que voltar ao Brasil sempre que possível, de preferência todos os anos para passar o Natal, é imprescindível para a minha felicidade. A gente não sabe até quando aqueles que amamos estarão conosco, estarão com saúde. Los Angeles, Cancun, até Bora-Bora estarão sempre lá ( a não ser que o tal aquecimento global venha mais rápido do que esperamos ), e com o tempo, ainda visitarei os lugares que sempre sonhei: Polinésia Francesa, Austrália, Fiji... Mas nesse momento, visitar esses lugares não me faria feliz, PRECISO ir ao Brasil e curtir minha família enquanto posso...


donderdag, april 17, 2008
Homens, blééééé...

Pois então, meu aniversário está chegando.

Já contei pra vocês que há uns 3 anos Bart esqueceu totalmente meu aniversário? E eu fiquei quieta sem dizer nada o dia todo só esperando. Quando deu meia noite e um, eu disse: até 1 minuto atrás era meu aniversário... Nossa, ele ficou arrasado, mandou ver o péssimo "porque você não me falou antes", mas vocês hão de convir que é o fim-da-picada, somos só nós dois, não temos nenhuma família por perto, eu sou a única pessoa cujo aniversário ele tem que memorizar e mesmo assim, necas?!?!

Semana passada ele veio com a perguntinha: e a dica de que presente você quer? Eu mandei ver: jantar e um laptop novo. Ele quase desmaiou.

Gente, meu laptop tem 5 anos, não lê mais DVD/CD, está com mal contato, e só Deus sabe como ele ainda funciona. Eu trabalho, contribuo com as finanças da casa, portanto posso simplesmente ir lá e colocar um pedido via internet, mas já que é meu aniversário, porque não juntar o útil ao agradável?

Hoje ele me perguntou de novo, e disse que ía me dar outra coisa. Eu fui categórica: o laptop é a única coisa que eu preciso, se você não quiser me dar ele, não gaste seu dinheiro com nada mais.

Que raiva viu... Se ele vier com qualquer outra coisa, eu devolvo!

Tô com a macaca hoje.


woensdag, april 16, 2008
He is not that into you - versão cyberdating

Não sei se alguém aqui já assistiu o episódio do Sex in the City onde elas falam do libertador livro "He is not that into you", ou traduzindo, algo como "ele não está tão a fim de você". Quem lê o livro diz que é mesmo ótimo.

Recebo muito frequentemente e-mails de garotas ( sempre mulheres ) que tem "amigos, parentes, conhecidos, colegas" morando na cidade X da Holanda, e que essa cidade inteira ficou sem comunicação ( sem telefone, sem internet, até sem TV ) e elas me perguntam se tem como eu verificar se é verdade, ou se há outra forma de contato, ou até se pelo nome eu posso achar o endereço do "amigo" para que elas escrevam uma carta.

Deixa tia Dri explicar: Querida, ele não está a fim de você. Pronto. Não é pecado, não é proibido, não é o fim do mundo alguém não estar a fim de você. E ele não está.

Se há algo que funciona bem aqui nesse país é a rede de internet e telefones ( fixos e móveis ). Fibra ótica está disponível até no interiorrrr onde eu moro, Eindhoven. O "gatheeeenho" com quem você estava de chat, e que parecia o principe encantado, simplesmente não está tão a fim de você e te deu essa desculpa esfarrapada. Minha linda, não desça do salto dos seus Manolos, não arranque seus cabelinhos Kerastaseados, não arraste seu casaquinho Burberry no chão pelo bofe. Se ele estiver mesmo a fim de você, ele vai na casa do amigo te mandar um e-mail, na biblioteca pública, manda do trabalho, ou até te manda uma carta, ou o correio daqui pegou fogo também? Da mesma forma que você está de esfalfando para achar uma forma de contactar o moçoilo, se ele estivesse mesmo a fim também trataria de achar uma forma de te contactar.

Conhecer alguém pela internet, hoje em dia é normal. E é até legal, afinal, foi assim que conheci meu marido. É legal trocar MP3 e conhecer o gosto musical do outro, falar dos filmes que gosta, comidas, viagens, conhecer um pouco os "gostos" um do outro. Mas nêêêêga, cai na real, namoro virtual é coisa pra Zé Mané, isso não existe!!! O cara pode dizer que te ama, dar copy/paste na frase, e dizer pra outra fulaninha na janelinha do lado que a ama também.

Canso de ver no Orkut, de receber e-mails, de meninas que conheceram o Gatheeenho Gringo via internet, que estão apaixonados, teve uma que me escreveu que estava noiva de um cara que ela nunca viu, milhões de juras de amor, tudo pra tela do computador, pras linhas do MSN, via Skype. Em alguns casos, o Gatheeenho até vai pro Brasil pra conhecer a dita, e você acha que isso é sinal de que ele está super a fim. Li no Orkut, um holandês dizendo que a cada ano ele "namora" online uma menina de um país diferente, nas férias vai pra casa da menina, tem estadia gratis, comida gratis, muitas vezes é levado para vários passeios gratis, isso sem falar no serviço de "cama, mesa e banho" ( se é que vocês me entendem ). E ele se gaba: e tudo isso pelo custo de uma passagem e um presentinho. Ele ainda diz: só 2 vezes ele não foi com a "cara" da menina e aí ele foi pra um hotel sem falar nada, nunca mais viu a coitada.

Teve até uma que escreveu no Orkut e andou mandando e-mails para algumas blogueiras, que conheceu o holandês online, ele foi pra cidade dela, ficou com ela 3 meses, disse que queria ter um filho com ela ( agora imaginem as circunstâncias para o cara dizer uma coisa dessas ), ela imediatamente jogou a cartelinha ou a camisinha fora ( suponho ), mas assim que falou pro cara que ela estava grávida ele disse que ía voltar para a Holanda para "acertar umas contas e voltar", e sumiu no mundo. A fulana teve o filho, e sem endereço do cara, só com um e-mail, um numero de celular ( devidamente desconectado ), estava desesperada pedindo ajuda para achar o Hans van Dijk ( Zé da Silva em holandês ).

Por isso minhas queridas, o cara com quem você teclava desapareceu? Vá com Deus.




dinsdag, april 15, 2008
O pão nosso de cada dia...

Sempre vejo no Orkut, na comunidade "apaixonados pela Europa", brasileiros perguntando se vale a pena imigrar ilegalmente. Minha resposta é sempre a mesma: já está difícil para quem tem visto, sem visto então... Mas na verdade, eu queria mesmo é saber de onde vem essa idéia fixa que brasileiros tem de que aqui na Europa emprego nasce em árvore, e que todo emprego paga uma fortuna? Será que no passado era assim, por isso a "idéia" pegou?

Minha empresa está pensando em fazer uma proposta para uma portuguesinha legal da filial do Porto, para vir trabalhar aqui, e ela me pediu ajuda com sites de emprego, pois o marido vai ter que deixar o emprego em Portugal e arrumar outro aqui. Por curiosidade, joguei "portugees" ( português em holandês ) no monsterboard.nl, que é o maior site de empregos da Holanda, e sabem quantos empregos apareceram? 11. Mixinhos 11 empregos, no país inteiro. E seeeeeempre condicionado ao holandês ou inglês "uitstekende" ( algo como excelente ). Ou seja, não podemos contar com o português para nos ajudar a conseguir um emprego aqui. Já para o Espanhol, a história é outra... tem muito mais vagas.

Isso sem falar que para cargos menos especializados, a oferta vai ser cada vez melhor, pois cada vez mais empresas estão mudando seus armazéns, call centers, central de digitadores para países mais baratos da UE. Um dos meus fornecedores grandes ( uma ex divisão da Philips ) fechou o armazém e escritório de apoio a vendas aqui e reabriu na Hungria. A IBM está transferindo seus call centers para a Bulgária. Sem falar na empresa onde eu trabalho, cuja fábrica é em Portugal.

Indo mais além, todo mundo agora quer comprar da China. Na minha área, todas as empresas pedem funcionários com experiência com fornecedores "asiáticos", e a pressão para transferir a compra de peças de fornecedores europeus para asiáticos é enorme, sempre ouço "ah, mas se você compra da Espanha está perdendo dinheiro, tal peça é muito mais barata na China". Sinceramente, não vejo ninguém se preocupando se cada vez mais famílias européias estão perdendo seu ganha pão.

Nos EUA, há aquela iniciativa do "Buy local produce", ou seja, comprar produtos nacionais ( locais ), mas como tudo nos EUA, a teoria é ótima, na prática poucos estão ligando, ou senão a Nike não venderia mais nada naquele país, já que não há UMAZINHA sequer fábrica da Nike em solo americano.

Eu gostaria de dizer que eu sou mais politicamente correta, mas não sou. Nunca olho de onde vem a roupa que eu quero comprar, se o sapato que eu gostei foi feito na Europa ( ou pelo menos no Brasil, dando emprego a algum amigo ou familiar ), até mesmo no supermercado, comigo é gostou-levou, especialmente se for mais barato. Quando deu aquele tchu-tchu com a GAP, disseram que se a gente vê uma batinha bordada sendo vendida a 15 euros, podes crer que é feita com trabalho de criancinhas indianas, mas pra falar a verdade, se eu acho uma batinha bonitinha de uma marca conhecida por 15 euros, penso logo é que tirei a sorte grande e achei uma super-barganha, não que criancinhas estão sendo exploradas seiláonde. E duvido-o-o-o que alguém aqui deixe de comprar uma roupa que gostou, que está com preço bom, porque a etiqueta diz "made in India". Acho até que alguns maioria pensam: veja como eu sou legal, estou dando emprego para um pai-de-família indiano. Óquei, nem isso eu penso.


maandag, april 14, 2008
Nervos em pandarecos

Hoje eu tenho uma reunião super importante, estou com os nervos em pandarecos. Gostaria de ser mais calma com assuntos importantes, mas por enquanto ainda enlouqueço total antes de qualquer apresentação pra figuraças.

Aqueles que gostam de mim, torçam. Os que não gostam, não torçam contra, porque Deus tá vendo e Deus castiga.



vrijdag, april 11, 2008
Tá na hora de rever seus conceitos... e não é propaganda antiga da FIAT!

Estranha-me algumas pessoas terem entendido que minha estranheza se dava não pela cara de Jack Nicholson Coringa da Gretchen, mas pelo fato dela estar posando com a filha lésbica e a namorada dela.

Se a Gretchen naquela foto mostra que fez burrada ao escolher o cirurgião plástico dela, dá também um exemplo ao mostrar que aceita a filha como ela é, e que respeita a namorada da filha como respeitaria um namorado.

Na minha família, tenho uma "parenta" que quero como se fosse minha filha. Sempre fomos super próximas e perder o contato praticamente diário com ela foi uma das coisas que mais me doeu ao deixar o Brasil. Aos 14 anos de idade ela me disse que era lésbica. Na hora senti por ela, por saber da discriminação que ela sofreria, da vida "secreta" que por algum tempo ela teria que levar, e senti por mim, que estava ali reprogramando minha mente no supetão, para o fato de que algumas das coisas que eu a imaginava realizando não íam mais acontecer, ou aconteceriam diferente ( casamento, filhos ).

Mas a discriminação que eu esperava não foi bem daquele jeito. Foi muito pior. Mil vezes pior. Se eu contasse aqui metade, daria um livro. Inclui os pais a levarem para a FEBEM e dizerem pro delegado: mantenha minha filha aqui, quero ela presa porque ela diz que é lésbica e eu não aceito, não quero vê-la beijando meninas ( vai entender a lógica, e vai trancafiar a filha na FEBEM com outras milhares de meninAs da mesma idade ).

5 anos se passaram, o fato ainda não é aceito pelos pais, e a "parenta" tem que manter parte da vida dela "em segredo". Para mim, ela não mudou nadica de nada, continua sendo a mesma menina engraçada, dócil, inteligente de sempre. Ela está namorando a 1 ano, ainda não conheço a namorada pessoalmente, mas já conversei com ela pelo MSN e ela parece ser muito legal. Quando for ao Brasil, já fui avisada que se eu quiser conhecê-la, terei que manter o fato em segredo. Quanta besteira!

Mas passar por esse problema com ela, me fez crescer, me fez ser uma pessoa melhor. Ver uma pessoa que você ama sofrer tanto por uma coisa tão cretina, te faz entender cada vez mais que o importante é a índole da pessoa, e não a cor, a raça, a forma física, a religião, a preferência sexual.

Assim que a "parenta" me contou, só pedi para ela não virar a homessexual caricata, que é exatamente o que acontece com essa Tammy. Disso confesso que não gosto. Acho que é natural a lésbica ser um pouco menos feminina, o gay-masculino ( como é que se chama o homem que é homossexual, gente? ) ser um pouco mais delicado, mas o exagero faz da pessoa uma caricatura ambulante, que ninguém respeita ou leva a sério. A Ellen Degeneris é talvez uma das lésbicas mais famosas do mundo, e apesar de jamais usar um vestido, de não ser lá a mulher mais feminina do mundo, ela é super elegante, do jeito dela, e todo mundo respeita.

E é isso, minha gente. Um fim-de-semana cheio de arco-íris coloridos para todo mundo!



donderdag, april 10, 2008
Minha nossa senhora senhora

Alguém pode por favor me explicar o que é isso?





Bucket list

Jack Nicholson com cara de louco, como sempre. Mas um louco engraçado. Gostei.

Morgan Freeman com cara de sábio, como sempre. E engraçado também. E ótimo. Adorei.

O Jack do Will and Grace de assistente do Nicholson, ótimo. Ainda gay, mas não mais um gay caricato. Curti.

O filme passa num minuto, é gostoso, fácil, lugares lindos, uma delícia.

No fim, meio cinema fungando e tentando tirar a marca de rimmel que escorria pelas bochechas.

Duas horas bem gastas, 8.60 euros bem pagos.

Preciso agora fazer minha bucket list. O problema é que quando quero muito uma coisa, esqueço que quero outras também. Essa semana andei querendo muuuuito uma coisa, e até conseguí-la não terá espaço para mais nada na minha cacholinha. E tenho que confessar para vocês que acredito em Deus, só não acredito como às vezes ele é tão bom comigo.

Amém.


woensdag, april 09, 2008
O mundo paralelo

Tenho uma pergunta muito, muito importante para vocês. Eu vejo pelo tracking que uma boa parte das pessoas que entra nesse blog reside fora do Brasil. Para essas pessoas: no país onde você mora, a comunidade brasileira "virtual" mantém boas relações ou está sempre em pé de guerra?

Porque aqui na Holanda é uma coisa impressionante, é um querendo comer o fígado do outro!

Não, não acho que todo mundo tenha que ser amicíssimo só porque viemos do mesmo país, se não há muito em comum com a outra pessoa, não tem muito o que conversar, tem? Eu não tenho filhos, trabalho, adoro viajar, que assunto terei com uma pessoa que não trabalha, tem 3 filhos e adora acampar ( aghhhhh! ). Não, não tem porquê forçar a barra.

Daí que eu escrevo um postizinho simplezinho, falando que estou numa outra cidade, e o furdúncio começa. Como se não bastasse chegar de viagem, depois de 2 dias sem conexão de internet e encontrar o sistema de comentário do blog cheio de discussões, encontro ainda meu e-mail "presenteado". Caramba... Quer discutir com outros leitores via haloscan? Be my guest, mas não espere que eu seja moderadora...

O pior é gente que não tem patavinas com o assunto ir tomar as dores do outro. E daí é um tal de "fulana deu calote numa blogueira", "beltrana não é o que parece", e ofensas daqui, animais quadrúpedes de lá.

E daí a minha observação, leio blogs de outros países e todo mundo parece amiguinho. É só aqui, é?


maandag, april 07, 2008
Voltei!

Cheguei sexta-feira o restinho do pó da rabiola. Passei a semana passada inteira comendo comida de restaurante e no findi também não cozinhei, comprei kies en kook do AH e comemos arroz Yakitori num dia e espaguete a bolonhesa no outro. Diiiiiet que só vendo!

PRECISO passar fome absoluta por 3 meses, mas e o ânimo, cadê? Comadre já me mandou e-mail que também precisa passar fome, também precisa queimar umas calorias, eita desgraça de banhas que não há jeito de sumirem de vez! Deviam descobrir um remédinho milagroso, ou um chip que você insere no cérebro e te corta a fome, ou uns implantes de hormônios que façam seu metabolismo acelerar a níveis jamais imaginados... Sei lá, o "cerumano" já está clonando ovelhinhas, mas nada de descobrirem um jeito simples de manter magro quem quer ser magro? Diz um amigo que já inventaram um jeito simplérrimo: dieta e exercícios. Blé.

Enquanto isso minha cabecinha já está sonhando com os 16 milhões de euros da loteria estadual do dia 10 de abril, porque "niquieuganho", contrato um personal trainner na hora, e vou pra um daqueles SPA's maravilhosos em alguma praía paradisíaca. Nada de SPA brasileiro, que de gordo chega eu!

Aliás, povo, povo, povo... Como eu queria ter uns 80 mil eurequinhas dando sopa! Vocês já tiveram a curiosidade de ver preços de imóveis nos EUA? A crise imobiliária, aliada ao dólar barato, é de babar. Vi casas boas, novas, em condomínio fechado com piscina, com 3 super quartos, garagem, em Orlando, por 150 mil doletas!!!!! Tem passagem de Amsterdam para Orlando por 450 eurecas, dá pra ir seeeempre! E vi também umas cidadezinha com praias, tipo Clearwater, tudo barato também.

Outra coisa que tenho pesquisado bastante é comprar uma fazendinha de azeitonas na Espanha. Perto de algumas das praias mais bonitas da Espanha existem terrenos reservados ao cultivo da azeitona para produção de azeite. Uma fazendinha de 20 mt2 dá em média 20 mil euros por ano. Desanimados com o pequeno retorno da fazendinha, afinal não é fácil sustentar a família com 20 mil euros por ano, a maioria dos donos está colocando suas terras à venda e partindo para as grandes cidades. Qualquer um pode comprar essas fazendinhas, mas você é obrigada a manter as oliveiras, não pode cortar nem umazinha, tem que mantê-las produtivas e pode contruir uma casa de no máximo 3% do tamanho do terreno. O que muitos turistas estão fazendo é comprar a tal fazendinha, contratar uma cooperativa para fazer a colheita e beneficiamento da azeitona, o lucro cai então a 15 mil por ano, e eles constroem uma casa legal do tamanho permitido. Uma fazendinha dessas, com casebrezinho pra demolição custa por volta de 50 mil euros. Mas já imaginou, sentar na sua varanda, o sol batendo na cara, olhar pra aquele mundaréu de oliveiras... Eu faria assim: compraria o tal terreno, deixaria lá ganhando dinheiro de azeite uns bons 5 anos, e só então ía começando a construir minha casinha aos poucos. Quando me aposentar, é só fazer a mala e me mandar!


donderdag, april 03, 2008
Um olá bávaro



Estou em Munique, como chove!

Apesar da chuva, a visita está sendo agradável como sempre. Gosto da cidade, gosto da comida, o hotel então nem se fala. É aquela reunião anual de compradores da empresa novamente. Nosso hotel fica numa cidadezinha ao lado de Munchen, chamada Unterhaching. A cidade é pequenina, bem tipicazinha, pacata, e a estação de trem fica a 100 mt do hotel. Alugamos um carro, mas para ir ao programa noturno ontem acabamos optando pelo trem, pois nosso grupinho tinha mais de 10 pessoas. Fomos a um restaurante todo moderninho, você vai a umas "ilhas" e faz seu pedido e eles preparam na sua frente. Comi um spaghetti fantástico. Já disse antes e repito: como é mais barato jantar fora na Alemanha, se compararmos à Holanda! O lugar era "moderninho-chique", cheio de gente descolada, eu estava esperando que tudo custasse uma fortuna, mas meu spaghetti, o mais caro do cardápio ( era com camarões grandes ) custou 8 euros. Na Holanda, por 8 euros você não compra pizza da Domino's! Para quem está planejando uma visita à Munchen ( Munique ), o restaurante chama-se Gast.

Infelizmente esse ano estaremos investindo na casa nova, mas eu gostaria muito de comprar um carro mais confortável para poder viajar de carro com Bart pela Alemanha, Austria, Suíça e ir parando nas cidadezinhas pitorescas, ir à lugares "out of the beaten path", fazer aquela Rota Romântica que parte de uma cidadezinha perto de Munchen, ir à Gimmewald - a cidadezinha da história da Heidi. No final das contas, apesar das passagens de avião estarem cada vez mais baratas, alugar um carro ainda é razoavelmente caro, então a soma avião+carro acaba encarecendo bem a viagem que com seu próprio carro poderia ser bem econômica.

Mudando totalmente de assunto. "O" Portuga, uma portuguesinha legal e a ex-grávida tem bebês da mesma idade ( 9 meses ). Claro que rolou a sessão de fotos. Aí um vê que o bebê do outro já se levanta e apóia no sofá, e faz aquela cara de desapontamento. O outro fala que seu bebê já tem 8 dentes, os outros dois fazem aquela cara, e a conversa segue na "comparação". Agora eu pergunto: fora deficientes físicos, alguém aqui conhece alguém que não fica em pé? Ou que não tenha dentes? Ou que não fale? Então porque tanta comparação? Porque não respeitar que cada um tem um ritmo, que cada um é um indivíduo único? Ou será que a teoria da individualidade do ser só se aplica depois que você ganha a maioridade e compra o seu primeiro livro do Dr. Phil ou do Gasparetto? Será que o bebê de oito dentes será mais inteligente, capaz, realizado e feliz do que o bebê de dois dentes?


dinsdag, april 01, 2008
O causo do colecionador

Eu não coleciono nada. Aliás, tenho horror de gente colecionadora. Aliás, vou fazer aqui algumas exceções, que são para aqueles com coleções "singelas": moedas, selos, postais, coisas miúdas e fáceis de organizar.

Agora deixa eu contar o causo de um tio meu. Eu o chamarei de Tio Bonzinho, porque ele era muito Bonzinho.

A primeira coleção do Tio Bonzinho foram garrafas de leite. Ele sempre adorou as formas e mil utilidades ( não consigo imaginar mais de 3 ) das garrafas de leite deixadas pela manhã pelo leiteiro. Assim que elas começaram a ser substituidas pelos saquinhos de leite ( lembram dos sacos de leite B e C, que a mãe colocava naqueles suportes estranhos? ) ele, inconformado com a pouca praticidade do invento, guardou algumas garrafas para "transferir" o leite do saco para a garrafa. Tio Bonzinho detestava "modernices". E assim, toda garrafa que via "dando sopa" nos amigos, nos parentes, em alguma loja, ele tratava logo de trazer para casa. Esse foi o começo da primeira coleção.

O problema é que o colecionador de uma coisa, logo vê o potencial "colecionadorzístico" de tudo à sua volta, e o Tio Bonzinho começo a guardar tudo o que via pela frente, nada ía pro lixo. Com o passar do tempo, a casa dele era intransitável, e é essa a memória que eu guardo das visitas ao Tio Bonzinho: ele era super agradável, a Tia Boazinha até mais que ele, só que era tudo tão apertado, tudo tão entupido de coisas, da sala, aos corredores, ao quarto dos filhos, só a cozinha que minha tia não deixava ser tomada pelas tranqueiras.

A casa deles era uma casa pequena num terrenão enorme, numa área ótima de São Paulo, e os planos de um dia expandir a casa foram ficando pra trás: como e onde guardar todas as coleções enquanto a casa era reformada?

Um dia, sem mais nem menos, do nada, Tio Bonzinho teve um infarto e morreu. Minha tia, arrasada, chamou um serviço de levar as "tralhas" pro lixão, mas a pessoa que veio pegar se recusou, disse que a "tralha" toda valia muito dinheiro, afinal, garrafas de leite dos anos 60 estavam super na moda, e lá havia mais de cem! Minha prima então chamou um antiquário e, para surpresa de todos, conseguiram mais de 10 mil dólares pelas "coleções" do meu tio. Minha tia não guardou um dedal, pegou o dinheiro e, com a filha, realizou o sonho dela: conhecer a Itália!

Na volta, ao finalizar o inventário do meu tio, a surpresa: ele tinha uma dinherama na poupança! Nada de CDB, ações, fundos pré-pós, aquele mambo-jambo brasileiro todo: tudo numa simples conta de poupança, rendendo ano após ano aquelas migalhinhas. Mas como podia ser, se o Tio Bonzinho sempre foi tão simples, se sempre viveram com dinheiro contado, se nunca puderam comprar um carro? Na verdade, Tio Bonzinho ganhava um salário bem gorduchinho, nada pra se gabar no Bar do Zé, mas ele ganhava bem. Começou ganhando aquele pouquinho, tinham que se controlar, mas ( pelo menos na cabeça dele ) viviam muito bem, então pra quê gastar mais, comprar mais, ter mais? A cada aumento salarial, a cada promoção, a "diferença" ía pra poupança.

Quando soube fiquei com pena da minha tia, quanto sacrifío, sempre voltando do supermercado de ônibus cheia de sacolas, foi ter máquina de lavar roupa quando os filhos estavam já criados, fazia os lençóis da casa ela mesma, de tecido comprado na "Ibitirama"... Ela nunca soube que eles não eram mais pobres!

Tia Boazinha dividiu a grana com os filhos, lógico, e com a parte dela mandou colocar a casinha simples abaixo, construiu outra também pequena mas toda novinha, moderninha, móveis bons, e vive bem felizinha. Até hoje ela tem certa mágoa do Tio Bonzinho, afinal ela não aproveitou nada da vida achando que não tinham "meios", e os meios estam lá no banco, parados, como se não existissem.

Levo essa lição para mim, nada de coleções, nem de garrafa, nem de bibelôs, nem de potinhos, nem de dinheiros no banco. Infelizmente meu marido tem um "quê" de Tio Bonzinho, mas com o tempo eu domo a fera. Uma vez ouvi que o canguinha que vive de punho cerrado não deixa o dinheiro sair, mas o punho cerrado também não deixa o dinheiro entrar. Ser prudente e ter uma reservinha é bom, mas há de haver um limite. E as coleções, continuarei não as tendo, e espero poder controlar a tendência do meu marido em tê-las. Quem é que quer ter a casa cheia de bonequinhos do Sponge Bob*? Eu não!

* Alusão aos inúmeros bonequinhos do Sponge Bob que meu marido, fã incondicional, teima em exibir na sala de estar. Liguei para o Astro TV, daquela mulher que lê tarô pelo telefone, e ela me disse que uma caixa de objetos quadrados e amarelos irá se perder na nossa mudança para a nova casa. Mistéééééério...


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