Um é pouco, dois é bom, será que três é demais?
( o maior post que eu já escrevi, peguem café e as rosquinhas )
Hoje em dia, conhecer alguém via internet já virou coisa normal. Amizade, romance, business, tudo é possível na internet.
Com essa facilidade toda, é muito comum para quem está aqui ver casos esdrúxulos de meninas que mudam para cá sem um tostão, sem nem conhecer o "namorado virtual" pessoalmente, sem nunca ter colocado os pés no país para onde estão mudando. Parece que estamos regredindo no tempo, como se estivéssemos voltando à época em que homens um pouco mais bem sucedidos mandavam "vir uma noiva" de determinado país, como naquele filme com a Angelina Jolie e o Bandeiras ( qual é o nome? ).
Estamos sempre falando nessas meninas deslumbradas com o "morar nas Europas", que vem pra cá com uma mão na frente e outra atrás, que vem pra "se aproveitar do gringo", mas repararam que pouco se fala desse estrangeiro que "aceita" trazer uma mulher que não conhece para dentro de sua casa, que vem sem poder se sustentar ( e muitas sem a perspectiva ou plano de o fazer no futuro ), como se não tivesse casa e família no Brasil para se importar e se preocupar com ela?
É a mesma história dos brasileiros trabalhando ilegalmente no exterior, muito se fala do infeliz que foi tentar a sorte, todo mundo cruxifica, mas ninguém fala do larápio que sonega impostos, paga mal, dá condições precárias de trabalho para esses imigrantes ilegais. E na minha opinião, moralmente é muito pior o empresário que passa a perna no seu próprio país do que aquele que deixa o seu e vai tentar a sorte e pastos mais verdes. E peloamordedeus, entendam bem, não estou dizendo aqui que imigrar ilegalmente é aceitável ou não tão mal, só estou dizendo que no fim, safado mesmo é o empresário que desobedece a lei em tantos aspectos quando emprega um ilegal.
Mas então. De onde veio agora esse assunto? Outro dia discutia-se um dos muitos casos cabeludos que viu-se por essas bandas. Brasileira conheceu o gringo pela internet, e sem nem ao menos conhecer "ao vivo" o mancebo, pediu as contas, trancou matrícula de faculdade, e mudou de mala e cuia pro país do gringo. Um mês depois, o love story virou Pesadelo em Elmstreet, e a brasileira saiu pedindo guarida na casa de outras brasileiras.
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Pausa na Narrativa pra conselho prático: se você está pensando em vir para a Holanda conhecer o seu príncipe encantado, seja esperta, respeite-se. Sua passagem aérea permite que sua volta seja remarcada, mas para isso você terá que pagar um valor a mais. Colega, traga dinheiro suficiente para bancar essa multa da passagem, para se bancar nem que seja num albergue da juventude até você encontrar lugar num vôo disponível, tenha dinheiro para comprar pelo menos um pão com margarina até a sua volta. Não dependa dos outros, não saia pedindo guarida para ninguém, você se enfiou na enrascada, saia dela sozinha!
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Sei lá se a brasileira ficou na casa de alguém ou aguentou o tranco na casa do gringo mesmo, mas o fato é que pouco tempo depois ela estava embarcando. De volta para o Brasil? Nãããão! Para o País 2, morar com o gringo 2!!! Colega, seguro morreu de velho mesmo! Eu não sei como foi a logística do negócio, mas considerando que ninguém convida um desconhecido para morar consigo em menos de um mês de bate-papo via internet, suponho que ela já tenha vindo com o gringo 2 engatilhado, para o caso do gringo 1 um não dar certo.
Daí você pode estar pensando, coitado do gringo 2, mas convenhamos, não tem como disfarçar um rolo desse, esse gringo sabe que ela vinha do país 1, e não do Brasil, sabe que ela estava morando com outro cara, em algum momento ele se decidiu que para ele "isso tudo" não importava e ele queria assim mesmo ficar com ela.
Com o tempo, e depois de ver muitos casos parecidos com esse ( se bem que 2 gringos engatilhados foi a primeira ), eu cheguei à conclusão que geralmente nessas histórias não há coitadinhos, que ambas as partes sabem "mais ou menos" onde estão amarrando seu burrinho. Isso tudo vem à corroborar com o ditado de que para qualquer pé tem sempre um chinelinho quente, e no fim de uma forma ou outra as coisas se ajeitam. A brasileira queria um marido, de preferência que trouxesse certa segurança financeira, e o gringo queria uma esposa, de preferência que confirmasse a fama de "fogosa" ( hém hém ) da mulher brasileira.
O que me encana quando eu vejo essa caça ao gringo, não é a caça ao gringo em si, mas o motivo que leva a brasileira a caçar o gringo. Sempre vejo essas moças comentarem que vivem melhor aqui, que tem um carrinho, uma casinha, algumas arrumaram emprego, sempre focando no lado financeiro do negócio. E para mim talvez seja fácil falar, pois no Brasil eu estava bem financeiramente, tinha um carro melhor, uma casa melhor, empregada, e todas aqueles supérfluos que aqui são um sonho distante, mas mesmo assim estou melhor aqui. Estou melhor porque no Brasil, nenhum dos meus ex-namorados era capaz de dizer não a uma menina que desse mole pra eles, e quando eu desse sorte, eu era a prioridade quatro: primeiro a carreira, depois a família dele, depois os amigos / hobby, e aí vinha eu. Na maioria das vezes, essas meninas estão tão iludidas com essa "melhora social" que não percebem o que, ao meu ver, o principal do homem holandês não é a estabilidade financeira, mas o comprometimento com o relacionamento e a família. Vejam bem, não estou dizendo aqui que são todos santos, mas não chegam nem à sola do pé dos brasileiros.
Ah, e já antecipando quem está aí com os dedinhos coçando pra escrever que eu também sou brasileira que casou com estrangeiro, sou sim a Louca-Mor, queridas. Mas sou a louca que se bancou. Sou a louca que conheceu um cara interessante, inteligente, que parecia bonitinho pela webcam, e foi lá gastar parte das suas economias pra conhecer o belo. E fiz tudo o que prego aqui: paguei minha passagem, rachei absolutamente tudo aqui na Holanda, até conta de supermercado. Paguei metade de tudo na viagem que fizemos para Paris, do hotel ao meu próprio passe de ônibus. Fiquei um mês e achei o país "vivível" e o belo não era uma fera. Casei, porque isso era importante para ele e dava tranquilidade para os meus pais, mas se algo de errado acontecesse, não ía ser um pedaço de papel que me faria aguentar desaforos. Deixei meu apartamento no Brasil, onde minha mãe hoje mora, deixei meu carro, que foi vendido só no ano passado, deixei um pezinho de meia lá e trouxe um outro pezinho comigo. Se não desse certo eu ía ficar arrasada, ía chorar até desidratar, mas ía seguir em frente sem passar maiores apuros, e sem incomodar ninguém.
Mas para finalizar, um conselho para tantas pessoas que vêm parar aqui porque estão pensando em imigrar para ficar com o namorado estrangeiro: tenham respeito por si mesmas. Paguem sua passagem aérea; mesmo que o estrangeiro diga que você vai ficar na casa dele e não terá gastos, traga algum dinheiro. Tenha um plano B para o caso das coisas não darem certo: traga o telefone da companhia aérea caso você precise remarcar sua passagem; saiba que trem pegar para o aeroporto; pesquise hotéis econômicos, albergues da juventude para ficar caso você tenha que ficar no país por mais alguns dias até poder pegar seu vôo; e tenha dinheiro para pagar por tudo isso. Se você não tiver o dinheiro para a passagem e esses eventuais gastos, fique em casa, guarde dinheiro, mas não se arrisque! E peloamordedeus, não venha conhecer o estrangeiro já de mala e cuia, venha nem que for para ficar um mês apenas, você se surpreenderia ao saber quantas relações acabam antes desse período. E o mais importante: tenha sempre seu passaporte com você, por mais inocente que pareça o motivo, não dê seu passaporte para o namorado ou para ninguém!