Não entendo, não entendo e não entendo!
Lendo sobre o caso da tal Elisabete de Santos, que depois de duas tentativas mal sucedidas de aborto deu à luz a uma menina que jogou num rio, encontrei esse
site aqui, com uma reportagem da Veja, e pergunto, porquê sempre a solução está na legalização do aborto?
Para começar, não consigo, não admito, acho o absurdo dos absurdos colocar essa mulher como vítima, como coitadinha. Quão difícil é colocar um bebê numa caixa de papelão, enrolada num trapo, e deixar na frente de alguma casa? Mas...Jogar no rio? Isso não entra na minha cabeça.
E é claro, a turma dos "pró-aborto" ataca de novo full-force, com os velhos e "maus" argumentos de que já que se faz clandestinamente mesmo, vamos legalizar, e vamos dar a mesma "oportunidade" para os pobres já que a classe média e alta tem acesso aos bons "aborteiros" e só os pobres é que vão parar nos açougueiros, etc etc etc...
No blog Sindrome de Estocolmo, da Denise, ela comentou esse mesmo assunto no dia 10 de Outubro, e li nos comentários uma colocação brilhante: porque ao invés de gastar a verba pública criando toda a estrutura para a legalização do aborto, não se cria com esse dinheiro um programa de auxílio à essa mãe que quer, mas não pode criar seu filho? E vou mais além, porque não se cria um sistema simples e acessível de se colocar a criança para a adoção? Antigamente, como mostrado na novela Terra Nostra, haviam as tais "rodas" onde se colocava a criança girava-se uma porta, e a instituição cuidava da adoção da criança. Ou então nos próprios hospitais, quando a mãe dá a luz. Existem tantas formas de dar opções à mulher, sem necessariamente ter que acabar com a vida daquele serzinho cuja única proteção é o ventre ( e a consciência ) da mãe.
Quem defende o aborto, trata o assunto como se fosse uma "doença a ser curada", e curada fácilmente, diga-se de passagem. Você marca sua consulta, conversa com a psicóloga, deita na maca, toma uma anestesiasinha, em 1 hora está "curada" e pode ir pra casa. Será que é assim mesmo, tão fácil, tão seguro, tão indolor?
Li um artigo onde uma mulher que se submeteu ao aborto dizia que ela fez três perguntas: é doloroso? é uma vida? terei problemas para ter filhos no futuro? A resposta para as 3 perguntas foi "não". Ninguém falou para ela que depois de passada a anestesia e o efeito dos sedativos, doía sim, como qualquer outra cirurgia, mas nada comparado à dor "psicológica" pós aborto. Depressão, culpa. Ninguém falou para ela que um "feto", que eu prefiro chamar de bebê, com 10 semanas já tinha bracinhos, perninhas, cabeça. E ninguém falou que as chances de aborto espontâneo em quem se submeteu ao aborto é duplicada. E tudo isso nos EUA, onde a estrutura para o aborto existe.
Minha mãe sempre me disse que "toda a liberdade custa uma responsabilidade" e eu acho que isso se aplica bem ao caso da gravidez não planejada. A mulher sexualmente ativa tem que se previnir de uma gravidez indesejada. O índice de fallha da pílula corretamente tomada é menos de 1%. Do DIU idem. E se falhar? A mulher terá a responsabilidade de, ao menos, levar a gravidez a termo e se não quiser mesmo o filho, colocá-lo para a adoção. Ah, Adriana, mas é cruel demais, passar 9 meses grávida de um filho que se sabe que vai ser "dado", enfrentar a família, a sociedade... Sim, não é fácil, mas é justo. Injusto, é negar àquele que não tem culpa de nada, a chance de viver.
Hoje em dia, a sociedade, talvez por essa besteira dos "pro-life" de pregar a abstenção sexual antes do casamento, associou quem seja contra o aborto à uma imagem de gente atrasada, pouco esclarecida, "demodê". Gente moderna, inteligente, é a favor do aborto. Triste isso. Não sou pró-life, não sou pró-choice. Tenho 34 anos, sempre me preveni, e se o fiz, foi porque tive acesso à informação, tive acesso à pílula, preservativos, DIU. Mas principalmente, tive responsabilidade. Escolho então, não fazer campanha a favor do aborto, mas sim a favor da informação, do acesso aos métodos contraceptivos. E que se eduque meninos e meninas, desde a crianças, à responsabilidade que vem junto com a liberdade sexual.