Dri na Holanda

woensdag, januari 31, 2007

Chamado

Minha mãe vem de uma família bem humilde, é a mais velha de seis irmãos. Família italiana, sabe como é, para eles filho é somente uma boca a mais pra comer, e onde comem 5 comem 6. Já meu pai tem apenas um irmão porque meu avô, Lituano, se recusou a ter filhos enquanto a situação deles ( do casal ) não melhorasse, falava pra minha avó ( filha de italianos ) que filho não é só mais uma boca, filho tem corpo pra vestir, pé pra calçar, cabeça pra pôr um teto por cima, e uma cachola que tem que aprender o abecedário. Dizem as más línguas que minha avó só engravidou do meu pai ( o caçula ) porque milagrosamente ela ganhou uma garrafa de champagne na rifa ( tá bom! ) e naquela noite, qualquer precaução que meu avô usava foi esquecida. Com essa segunda gravidez, o desespero bateu, ele precisava de uma casa própria, e o pai dele ( meu bisavô ) ajudou-o a comprar um terreno "a prestação", os parentes e amigos ajudaram a construir uma casinha, e foi nessa casa que minha avó 5 anos depois ficou viúva, sozinha pra criar 2 filhos. Como além da casa meu avô deixou também a tal "pensão" do governo, a situação nunca ficou tão preta, mas mesmo assim minha avó sempre teve que trabalhar.

Mas nem era sobre a família do meu pai que eu queria falar, era sobre a família da minha mãe. Minha mãe conta que na casa dela comida nunca faltou, mas também nunca sobrou e nunca se pode escolher. Minha avó ía na feira quando ela acabava, quando os feirantes por qualquer vintém davam dúzias e dúzias de xuxus, laranjas, ou o que sobrasse. Meu avô era pedreiro, e quando ele estava mais "abastado" aos domingos eles compravam um frango ( para dividir entre 2 adultos e 6 crianças ) e uma garrafa de tubaína, meio copinho pra cada um. O resto da semana eram os legumes da feira, os ovos das galinhas da minha avó, e claro, o arroz-feijão.

Mas a história que sempre me fascinou foi a do Natal. Minha mãe morava relativamente perto de uma empresa famosa que faz cobertores. O dono dessa fábrica, e mais uns amigos "abastados" todos os anos faziam um "caminhão de Natal". Eles estacionavam no bairro da minha mãe, e cada dona-de-casa pegava a fila com os filhos ao lado. Cada criança ganhava um brinquedo, uma lata de goiabada e um pacote de rosquinhas. A dona-de-casa ganhava macarrão, molho enlatado ( um luxo! ), dois frangos e mais umas coisas pra ceia de Natal. Desde criança eu ouço dela e das minhas tias ( são 4 irmãs e 2 irmãos ) sobre o ano em que lançaram as bonecas Wanderléia e Martinha, mas era coisa só para "os ricos", e qual foi a surpresa delas ao ganhar naquele ano, uma Wanderléia ou uma Martinha lá no caminhão! E eu imagino para as donas-de-casa o alívio de não ver seus filhos passarem o Natal em branco, sem presentes e sem ceia. Ah, eu falei que quem entregava o brinquedo-goiabada-rosquinha era o Papai Noel? Nossa, como eu adorava ouvir essa história quando eu era criança!

Anos depois eu estava na GM conversando com um engenheiro e ele me contou que ele e a mulher todos os anos tiravam férias no Nordeste. Mas que eram umas férias diferentes. Eles e mais um grupo de amigos passavam o ano todo juntando doações para a viagem. Íam então para o sertãozão do Nordeste e íam de casa em casa, dando arroz, leite em pó, pedialite em pó, na maioria das vezes encontravam famílias inteiras comendo talos daqueles cactus, ou passando fome mesmo. Imagina a alegria dessas famílias ao verem entrar uma pessoa porta adentro com pacotes de arroz, feijão? E depois de 3 semanas distribuindo comida, o grupo de amigos escolhia uma praia e descansava por uma semana. Descansava o corpo, porque a alma estava lavada, passada, amaciada e dobrada!

E depois que ouvi essa história fiquei pensando no quanto eu gostaria de participar de algo assim um dia. É muito mais do que ficar em casa no sofá e doar 5 euros pra WWF ou pra qualquer outro programa desses, é doar também um pouco de si. Até hoje estou esperando um "chamado", uma oportunidade de fazer algo que mude um pouquinho o mundo. Me sinto culpada pelo meu comodismo, de estar esperando o tal chamado e não correndo atrás, mas a verdade é que é difícil pacas encontrar iniciativas desse tipo às quais você possa se juntar. Mas não perco as esperanças, um dia a oportunidade baterá à minha porta ou eu baterei à dela.

Sei que muitos acham esse tipo de iniciativa, colocar um band-aid numa enorme ferida aberta, que devemos é procurar meios de criar mais empregos para essa gente, ou uma forma de desenvolvimento auto-sustentável. Existem já governos e fundações participando dum programa de micro-crédito, que ajuda famílias a comprar uma máquinha de costura, um moedorzinho de cana, algo que os ajude a conseguir uma renda constante. Mas eu ainda queria participar desses grupos que vão de casa em casa, queria ver a alegria de uma pessoa que está desesperada e passando fome ao receber ajuda imediata. Quem sabe um dia...




Adriana às 11:06 AM ..........

Chamado

Minha mãe vem de uma família bem humilde, é a mais velha de seis irmãos. Família italiana, sabe como é, para eles filho é somente uma boca a mais pra comer, e onde comem 5 comem 6. Já meu pai tem apenas um irmão porque meu avô, Lituano, se recusou a ter filhos enquanto a situação deles ( do casal ) não melhorasse, falava pra minha avó ( filha de italianos ) que filho não é só mais uma boca, filho tem corpo pra vestir, pé pra calçar, cabeça pra pôr um teto por cima, e uma cachola que tem que aprender o abecedário. Dizem as más línguas que minha avó só engravidou do meu pai ( o caçula ) porque milagrosamente ela ganhou uma garrafa de champagne na rifa ( tá bom! ) e naquela noite, qualquer precaução que meu avô usava foi esquecida. Com essa segunda gravidez, o desespero bateu, ele precisava de uma casa própria, e o pai dele ( meu bisavô ) ajudou-o a comprar um terreno "a prestação", os parentes e amigos ajudaram a construir uma casinha, e foi nessa casa que minha avó 5 anos depois ficou viúva, sozinha pra criar 2 filhos. Como além da casa meu avô deixou também a tal "pensão" do governo, a situação nunca ficou tão preta, mas mesmo assim minha avó sempre teve que trabalhar.

Mas nem era sobre a família do meu pai que eu queria falar, era sobre a família da minha mãe. Minha mãe conta que na casa dela comida nunca faltou, mas também nunca sobrou e nunca se pode escolher. Minha avó ía na feira quando ela acabava, quando os feirantes por qualquer vintém davam dúzias e dúzias de xuxus, laranjas, ou o que sobrasse. Meu avô era pedreiro, e quando ele estava mais "abastado" aos domingos eles compravam um frango ( para dividir entre 2 adultos e 6 crianças ) e uma garrafa de tubaína, meio copinho pra cada um. O resto da semana eram os legumes da feira, os ovos das galinhas da minha avó, e claro, o arroz-feijão.

Mas a história que sempre me fascinou foi a do Natal. Minha mãe morava relativamente perto de uma empresa famosa que faz cobertores. O dono dessa fábrica, e mais uns amigos "abastados" todos os anos faziam um "caminhão de Natal". Eles estacionavam no bairro da minha mãe, e cada dona-de-casa pegava a fila com os filhos ao lado. Cada criança ganhava um brinquedo, uma lata de goiabada e um pacote de rosquinhas. A dona-de-casa ganhava macarrão, molho enlatado ( um luxo! ), dois frangos e mais umas coisas pra ceia de Natal. Desde criança eu ouço dela e das minhas tias ( são 4 irmãs e 2 irmãos ) sobre o ano em que lançaram as bonecas Wanderléia e Martinha, mas era coisa só para "os ricos", e qual foi a surpresa delas ao ganhar naquele ano, uma Wanderléia ou uma Martinha lá no caminhão! E eu imagino para as donas-de-casa o alívio de não ver seus filhos passarem o Natal em branco, sem presentes e sem ceia. Ah, eu falei que quem entregava o brinquedo-goiabada-rosquinha era o Papai Noel? Nossa, como eu adorava ouvir essa história quando eu era criança!

Anos depois eu estava na GM conversando com um engenheiro e ele me contou que ele e a mulher todos os anos tiravam férias no Nordeste. Mas que eram umas férias diferentes. Eles e mais um grupo de amigos passavam o ano todo juntando doações para a viagem. Íam então para o sertãozão do Nordeste e íam de casa em casa, dando arroz, leite em pó, pedialite em pó, na maioria das vezes encontravam famílias inteiras comendo talos daqueles cactus, ou passando fome mesmo. Imagina a alegria dessas famílias ao verem entrar uma pessoa porta adentro com pacotes de arroz, feijão? E depois de 3 semanas distribuindo comida, o grupo de amigos escolhia uma praia e descansava por uma semana. Descansava o corpo, porque a alma estava lavada, passada, amaciada e dobrada!

E depois que ouvi essa história fiquei pensando no quanto eu gostaria de participar de algo assim um dia. É muito mais do que ficar em casa no sofá e doar 5 euros pra WWF ou pra qualquer outro programa desses, é doar também um pouco de si. Até hoje estou esperando um "chamado", uma oportunidade de fazer algo que mude um pouquinho o mundo. Me sinto culpada pelo meu comodismo, de estar esperando o tal chamado e não correndo atrás, mas a verdade é que é difícil pacas encontrar iniciativas desse tipo às quais você possa se juntar. Mas não perco as esperanças, um dia a oportunidade baterá à minha porta ou eu baterei à dela.

Sei que muitos acham esse tipo de iniciativa, colocar um band-aid numa enorme ferida aberta, que devemos é procurar meios de criar mais empregos para essa gente, ou uma forma de desenvolvimento auto-sustentável. Existem já governos e fundações participando dum programa de micro-crédito, que ajuda famílias a comprar uma máquinha de costura, um moedorzinho de cana, algo que os ajude a conseguir uma renda constante. Mas eu ainda queria participar desses grupos que vão de casa em casa, queria ver a alegria de uma pessoa que está desesperada e passando fome ao receber ajuda imediata. Quem sabe um dia...




Adriana às 10:46 AM ..........

dinsdag, januari 30, 2007

The unbearable lightness of being...

According to Kundera, "being" is full of "unbearable lightness" because each of us has only one life to live: "Einmal ist Keinmal" ("once is nonce", i.e., "what happened once might as well have never happened at all"). Therefore, each life is ultimately insignificant; every decision ultimately does not matter. Since decisions do not matter, they are "light": they do not tie us down. But at the same time, the insignificance of our decisions - our lives, or being - is unbearable. Hence, "the unbearable lightness of being". The subject matter causes some critics to label this novel as a modernist work, while others see it as a celebratory explosion of post-modernism.

Gente, porque essa comoção toda, esse diz-que-me-diz todo? Vamos lá pegar nossos manuais de interpretação de texto e reler meu texto. Em algum momento eu ofendo a Aline? Aliás, ela nem precisava dar mil explicações sobre o que ela faz da vida financeira dela. Ainda bem que foi uma minoria que não entendeu que eu simplesmente coloquei nesse post minha opinião de que trabalhar hoje para ter uma vidinha melhor quando o inverno da vida chegar não é "ambição" e sim prudência. E eu torço mesmo para que a Aline possa continuar curtindo sua gravidez em casa, e depois seu bebê, mandá-lo pra faculdade, com ou sem boné da Von Dutch, fazer seus cruzeiros, viajar muito... Isso provaria que de vez em quando Murphy também dorme no ponto...

Minha gente, como diz Kundera, temos uma vida só pra viver ( esquecendo aqui que eu sou Kardecista e acredito no contrário ), se eu te aborreço, deleta meu link do seu PC e vá viver sua vida colega... Bani uns e outros? Bani, porque não vou me aborrecer com os outros. Não nesta vida, anyway.

A pessoa tem um blog, eu entro lá e não entendo patavinas do que é dito. É um tal de falta vírgula aqui, escreve em CAPS LOCK ali, um abuso irrestrito do mais-que-perfeito ( pudera, fizera, escutara ) que chega a me dar vertigens. Mas a pessoa está no direito dela, o blog é dela, eu não tenho nada a ver com a vida e o direito de escrever dela, então uso o meu direito supremo de clicar no xizinho no canto superior direito da tela e sigo com a minha vida. Porém, a mesma pessoa vem ao meu blog e deixa comentários IMENSOS, igualmente sem pontuação, misturando CAPS LOCK com letras normais, e não importa quantas vezes eu leia, releia, continuarei sem entender "a moral da estória". E em pleno domingo perco preciosos minutos com amigas no MSN discutindo se aquela era uma frase subordinada, ou se depois daquele adjetivo deveria vir uma virgula, e se ela quis dizer isso ou aquilo. Me aborrece. E como estou na minha fase "Kundera de ser", já que nenhuma decisão importa, vou logo na mais fácil, que é não me aborrecer. Engraçado é que a pessoa acha que eu a bloqueei porque não gostei do que ela disse, mas eu nem entendi o que ela escreveu! E vejam bem, eu não estou criticando-a, o blog é dela, ela escreve o que quer, como quer, na língua do P, com letra rosinha purpurinada, mas eu me dou o humilde direito de não gostar de ler. E aí Maomé escapa da montanha, mas a montanha vai até Maomé!

E o tal Nego Véio, se ao menos as críticas dele tivessem um pouquinho de conteúdo, deixava lá, mas infantilidade também me aborrece. O simples fato do fulano ( ou fulana ) ficar choramingando no blog dos outros "ai, a XXXXX da Adriana me bloqueou, justo eu que sou tão legal com ela, queria até ajudar ela a comprar uma casa", mostra que bani-lo é a melhor coisa que eu faço. Nêgo, já inventaram o FUNDA ( www.funda.nl ).


Adriana às 1:19 PM ..........

zondag, januari 28, 2007

Enquanto isso, no Polo Norte...

Faz um tempão que vocês não vêem fotos dos meus ursinhos-polares, né?

Quero lembrar a todos vocês que é inverno, então eles, especialmente o Plato, estão mais peludos. Não estão gordos...
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E os ossos do Plato são realmente largos, não é banhinha...
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E que todo mundo fica mais gordo em foto, por causa da lente...
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Viram só quanto pêlo... PÊLO!


Olha só que galã


Fazendo exercícios ao ar livre, para revigorar minha musculatura super desenvolvida. Sou um gato bombadão!


Como fala esse Plato, eu fico aqui só olhando...

E tem mais...








Adriana às 2:37 PM ..........

zaterdag, januari 27, 2007

To the left, to the left...

A Ana Lucia comentou uma coisa que me fez até dar pulinho: para dizer que quer subir na carreira a Holandesa escreveu um post quase que se desculpando, mas se ela escrevesse que quer ter trigêmeos ninguém ía falar nada.

Neguinho vem aqui dizer que "ambição" é escolha pessoal, que não há nada de errado em direcionar sua ambição pra vida familiar, e até aí tudo bem. Mas o contrário não deveria ser também aplicável? Porque todo mundo defende e acha lindo a mulher falar que quer casar, cuidar do marido, da casa e dos filhos; mas se vai uma escrever que quer ser gerente de multinacional, é uma "bitch" que só pensa em dinheiro, que é "mal-amada", que vai se dar mal... A fulana pode obter a satisfação pessoal dela em limpar, lavar, passar; eu não tenho o direito de ver uma câmera de segurança num aeroporto e pensar: todos nós estamos mais seguros, nesse mundo louco, com a ajuda de um equipamento que EU ajudei a fazer.

Vocês podem tacar pedra sim, mas eu quero TUDO. Quero ser uma profissional bem sucedida, quero um dia ter um filho, quero ter um casamento legal, quero viajar, quero perder uns quilinhos e ficar poderosa, QUERO TUDO SIM!!!! E por querer tudo sei que vou me decepcionar mais do que muita gente, mas também vou conquistar mais... E o gostinho de se conseguir aquilo que se quer é incomparável! E coitados daqueles que pensam que quem quer muito não saboreia as vitórias, porque eu saboreio, cheiro, lambo, cada uma delas. O primeiro emprego no Brasil depois de sofrer 1 ano no estágio, entrar numa calça jeans 44 depois de 4 cirurgias, cruzar os portões da Disney depois de ter sonhado com esse momento por quase 20 anos, ver o Grand Canyon abraçadinha com o meu marido depois de ser noiva 4 anos de um bola murcha que só sacaneou comigo, assinar meu primeiro contrato de emprego na Holanda depois de 2 anos levando não... Vejam que todas as minhas conquistas vieram do meu esforço, ralei o "fiofó" nas pedras pra conseguir a maioria das coisas que tenho, e não vou mais ficar pedindo desculpas querer o que quero e ser como sou.




Adriana às 12:02 PM ..........

donderdag, januari 25, 2007

O seguro morreu de velho

O comentário nem foi no meu blog, foi no post da Holandesa do dia 24, mas como a Aline citou meu nome acho que ela não se importará de eu comentar sobre o que ela escreveu aqui.

Aline, nesse comentário você diz que a Holandesa é ambiciosa, e de certa forma o comentário se extende a mim, já que você diz que sempre me menciona no mesmo contexto. Será que somos ambiciosas ou prudentes?

Você comenta que você e seu marido são simples, não são ambiciosos, que têm uma casa, um carro, um salário razoável, que viajam uma vez por ano, e que vivem bem sem grandes luxos. Por isso decidiram começar cedo a família. Já que você faz algumas contas com idade, vejamos: você aos 22 anos vai ser mãe pela primeira vez. Provavelmente gosta de crianças e terá mais filhos. Digamos que aos 24 tenha o segundo e aos 26 tenha o terceiro, pelo menos essa "escadinha" é o comum aqui na Holanda. Então, quando você tiver 30 anos, seu filho mais novo já estará indo para a escola e você ficará mais da metade do seu dia sozinha em casa. E você limpará a casa, fará as compras, cozinhará, lavará e passará. Nem todas essas tarefas são legais, e raramente você vai ouvir um elogio ou um agradecimento, afinal quantas de nós lendo esse post já disse para a mãe: obrigada mamãe por essa camisa tão bem passada?

Você comenta que seu marido quer "se aposentar" aos 50 anos. A lei holandesa só permite a aposentadoria aos 65 anos, ou se você pagar um prêmio extra, aos 62. Se o seu marido realmente quer parar de trabalhar aos 50, ele deverá economizar nos próximos 20 anos o suficiente para sustentá-los por 12 anos, supondo que haja uma maneira legal dele se aposentar aos 62 mesmo não tendo pago impostos por 12 anos. Será que vai sobrar dinheiro para cruzeiros, viagens?

Mas voltando aos filhos. Então você está com 30 anos, seu marido 40, e vocês tem 3 filhos. Provavelmente precisarão de uma casa maior. Seu marido é holandês, e holandês é assim, os filhos chegam eles querem uma casa maior. Casa maior custa dinheiro, é difícil comprar com apenas a renda do marido. E vocês querem continuar viajando pelo menos uma vez por ano, mas terão que bancar viagem de 5 pessoas, e viagem custa dinheiro. E seus filhos crescerão, e logo vão pedir carrinho de controle remoto, bicicletas, mais tarde I-Pods, boné da Von Dutch. E tudo isso custa dinheiro. E tudo bem dizer não ao boné, ao I-Pod, mas deve doer muito ter sempre que dizer não.

Então somos ambiciosas? Somos, claro, mas somos antes de tudo, PRUDENTES.

Minha mãe sempre me disse que a gente tem que sempre esperar o melhor mas se preparar para o pior. Então... e se daqui a um ano seu marido vira a esquina e se apaixona por outra? Todos nós estamos sujeitos a isso, e todos nós conhecemos casos de casamentos aparentemente sólidos que se desmancharam num estalar de dedos. E daí? Seu filho será holandês, mas você não, e filho holandês não segura mãe no país. Você vai ter que voltar ao Brasil. Você pode até contratar um advogado, como aconteceu com a minha empregada, mas você só conseguirá visto se tiver emprego com contrato fixo por tempo indeterminado. Sem o contrato de trabalho, você volta ao Brasil com pensão de aproximadamente 10% para a criança e 10% para você, calculados sobre o salário LÍQUIDO do seu marido. Você não vai morrer de fome, mas vai passar apertado.

Agora supomos que você adiasse seu sonho por 2 anos, como fez uma brasileira que eu conheço. Ela começou a trabalhar, estudou holandês e passou no NT2, o contrato que era de um ano virou fixo por tempo indeterminado, com a renda dela somada à do marido eles poderão comprar uma casa maior. Quando ela tiver o bebê ela pode escolher se quer continuar trabalhando, se vai continuar trabalhando mas apenas 20 horas por semana ( meio período ), ou se pára para curtir o novo bebê. Esse é um privilégio apenas dos prudentes: o poder de escolha.




Adriana às 8:49 PM ..........

dinsdag, januari 23, 2007

Ía, mas não vou...

Eu tinha dito que ía fazer um post me manifestando contra o aborto, não tinha? Mas querem saber? Não vou! Não vou porque essa semana não quero me aborrecer, e com um assunto desse, os comentários íam me aborrecer.

Juro que, se eu ouvir ou ler mais uma vez o argumento de que o aborto deve ser legalizado porque legal ou ilegal o povo faz mesmo, e que não sei quantas mil mulheres morrem por ano por abortos clandestinos e pataquá pataquá pataquá, eu tenho um treco. É pra legalizar porque o povo faz mesmo? Então vamos legalizar droga, legalizar assassinato por motivo justo ( matar quem estupra criancinha, pedófilos, etc e tals ), bigamia...

Então vem a fulana me falar que a mulher deve decidir o que fazer com o corpo dela. Carambolas, que tome pílula, ponha diu, use camisinha e se estourar tome a pílula do dia seguinte, que tome injeção anticoncepcional, ponha implante contraceptivo, use diafragma com espermicida, que pratique a ABSTINÊNCIA quando não tiver nenhum dos métodos acima disponível. Esqueceu a camisinha e o parceiro não tem? Vai assistir TV! Ou somos agora todos bichos? Arriégua!

Toda mulher que eu ouço falar que engravidou por acidente vem com desculpa esfarrapada, uma história mais cabeluda do que a outra. Tabelinha com conta errada, ele jurou "que ía tirar", estava fazendo "pausa" na pílula ( pra quê? ), e a minha prima, que jura que a pílula dela era de farinha, lembram dessa história? Daí vem neguinho falar que as pobrezinhas não sabem dos anticoncepcionais, que não tem informação, não tem acesso aos medicamentos / métodos. E como explicar as dondoquinhas pagando 5 mil dolares por aborto na Rua Tabapuã em São Paulo? Será mesmo que o maior problema é falta de informação? Porque hoje em dia até escola estadual ensina "os fatos da vida", lembro que a Thalita até aprendeu a colocar camisinha em banana, para praticar. Se é falta de informação, que façam uma campanha de informação via novela, assim como fizeram a campanha da dengue ou da Aids.

Agora eu pergunto uma coisa. Quem pagaria por esses abortos no Brasil? Porque lá não há hospital nem pra quem tá vivo, quem dirá pra matar quem vai nascer? Agora imagina, você leva seu filhinho com câncer pra ser tratado num hospital público, e não há vagas. Enquanto isso, o governo está gastando o dinheiro que podia tratar do seu filho pra interromper a gravidez duma doidivanas que tomou um pileque e deu pro primeiro que apareceu sem camisinha. É justo? Aí você vai falar, mas Adriana, nem toda mulher engravida assim. Óquei, eu sei, mas tem muita que engravida assim, né não?

Conheço muita gente que engravidou por acidente, aposto que pensou num aborto ilegal, chorou até, brigou com os pais, perdeu o namorado, mas teve a criança e hoje está bem. Quantas pessoas você conhece que tiveram câncer, não foram tratados e hoje estão bem?

Sabem duma coisa? Com tanta coisa precisando ser resolvida no mundo, gastar tutano e dinheiro com uma coisa que pode ser FACILMENTE evitado é uma burrice, uma perda de tempo.

Algum dia, o aborto ainda vai ser permitido no mundo inteiro, infelizmente. Isso porque vai aparecer um político com a brilhante conclusão de que é mais barato pagar um aborto do que "financiar" parto e educação duma crinça. Nesse dia, o aborto vai ser uma questão de consciência, e eu, caras amigas, jamais conseguiria dormir com isso a pesar na minha.


Adriana às 3:32 PM ..........

zondag, januari 21, 2007

Eita paisinho difícil...

Tem coisas aqui na Holanda com as quais eu nunca vou acostumar.

Eu e FH estamos falando em mudar para uma casa maior já a algum tempo. Por diversas razões, mas as principais são que queremos uma casa maiorzinha, e também que com uma casa maior, investimos também no nosso futuro, pois dinheiro na conta sempre acaba indo pra onde a gente nem sabe...

Sonho de FH sempre foi comprar uma casa nova, e eu também gostei da idéia: você pega tudo no osso, e antes de mudar já coloca usa cara na casa. Isso sem falar que apesar de ter que gastar um pouco a mais no começo ( a casa vem sem massa corrida nas paredes, sem piso nenhum, sem tinta, normalmente a cozinha e o banheiro são simplezinhos e você tem que pagar um pouco mais pra dar um "upgrade" ), depois você fica anos sem gastar quase nada com manutenção, pois está tudo novinho.

Mas a maior vantagem mesmo, aquela vantagenzooona, é a de impostos. Quando se compra uma casa aqui, a gente paga 13% de imposto, que é agregado ao financiamento. Numa casa de 350 mil euros, por volta de 50 mil de imposto, é de chorar... Quando se compra uma casa "zero quilômetro" o imposto é zero, zerinho zerinho, nada, niente... Então, nosso budget que para uma casa "velha" era de 350 mil ( no máximo estourando ), para uma casa zero passa a 400 mil.

Eis que achamos a casa perfeita dos nossos sonhos, tim-tim por tim-tim o que a gente queria, um sonho... Ligamos todos felizes para a imobiliária e a mulher riu da nossa cara! "O dia das vendas foi no dia 10 de dezembro, das 13 às 16, para 60 casas, recebemos 600 inscrições, vamos fazer sorteio". Eu fiquei P da vida, pois se já está tudo "sorteado", porque continua no site deles como disponível? Ela não soube responder. Vai haver uma segunda fase, mas eu não sei se serão casas tão boas, se o preço vai ser tão bom, e quando vai ser...

Agora fala a verdade, não parece sorteiro de casa do Cingapura do Malufão? Sorteio de casa??? Que é isso gente? Isso aqui não é "as Zuropa"? Isso aqui não é país de primeiro mundo?

Pior que isso só mesmo o tal sorteio de vaga de faculdade. Tá certo que o sistema de vestibular do Brasil não é justo, mas sorteio, tipo bingão mesmo, de vaga pra faculdade é um tantico demais pra minha cabeça.

Como diz a Pacamanca: aqui no interior do Zaire é assim...


Adriana às 7:22 PM ..........

donderdag, januari 18, 2007

A megerisse

Ontem, conversando com uma amiga pelo MSN sobre minha suposta megerisse blogal, ela me diz que alguns interpretam minhas "reclamações" como ingratidão. Hmmm... de megera a ingrata já estou um pouco melhor.

Depois recebi um e-mail de uma "leitora" que diz que apesar de ter penado tanto para me "acertar" aqui, eu continuo reclamando. Que a "maioria" está em condição pior do que eu, procurando emprego, morando de aluguel, sem grana pra viajar ou fazer grandes passeios e aí irrita ler minhas reclamações. E que eu nunca estou contente, que é conseguir um emprego pra querer outro, comprar uma casa pra querer outra, ir pro Brasil e querer ir mais longe...

E eu me pus a pensar, porque na verdade eu não me importo o que pensam de mim não, pois ( infelizmente ) ninguém paga minhas contas, mas adoro um self-assessment, ou uma auto-crítica facilitada pela crítica dos outros. Ou seja, o povo mete o pau, eu penso, uso o que serve e o que não serve entra por um ouvido e sai pelo outro.

Mas então. A ingratidão. O desassossego. Minha gente... eu tenho 33 anos, vou agora sentar a bunda no sofá e dizer: tenho casa, tenho marido, tenho emprego, agora é só esperar a morte chegar? Vou estagnar aqui, só porque não estou mais comendo o pão que o diabo amassou com a bunda?

Por exemplo, eu falo que se um dia eu resolver ter filho eu não vou parar de trabalhar. Aí chove e-mail dizendo que não é fácil, que eu vou viver despenteada, que além de cuidar da casa, do filho, da carreira ainda vou ter que fazer salmão com batatinhas pro marido, etc e tals. Mas e daí, o que eu faço? Já desisto do emprego sem nem antes tentar conciliar? Desisto do filho já que não me vejo parando de trabalhar? Ou desisto é do marido que vai querer salmão com batatinhas?

Mais do que megera ou ingrata, eu sou é teimosa. E como tudo tem seu lado bom ( menos o LP do Guilherme Arantes ), o lado bom do teimoso é que ele não desiste fácil quando se propõe a fazer uma coisa, mesmo que esteja se estabacando de tentar. Eu sou assim, teimosa como uma mula. Qualquer outra pessoa no meu lugar, diante dessa minha inabilidade de falar holandês bonitinho, já teria desistido, e cá estou eu, terminando um curso e já começando outro ( online da mesma escola ). No dia que vocês me verem desistir de algo que eu quero muito, é porque estou à beira da morte ou da loucura. Mas com essa teimosia toda eu geralmente consigo o que tanto quero.

Outra coisa é que eu reclamo, quero mais, um emprego melhor, uma casa melhor, mas eu não fico sentada esperando alguém bater na minha porta e me dar o que eu quero. Eu consegui meu primeiro emprego sem indicação de ninguém. Pra comprar uma casa maior estou sacrificando o que eu mais gosto, que é viajar. Nada veio pra mim de mão beijada.

Por isso eu digo, se o que eu escrevo te irrita, como disseram, façam o tal self-assessment. Perguntem: porque eu não gostei do que ela falou? Se é porque você está se matando pra arrumar um emprego enquanto eu reclamo do meu, saiba que eu comi jiló com anchovas até achar esse emprego ( ou comi o pão que o diabo amassou, como queiram ). Se você morre de vontade de viajar mas não viaja, e te irrita ler sobre as minhas viagens, vá lá ler que eu tenho um carrinho simplezinho, que nem tenho TV de plasma / LDC ainda, nem home-theater, nem I-Pod, nenhum PlayStation, nada desses gadgets que todo mundo tem!

Ainda bem que de vez em quando aparece alguém como o Denilson, mas pra ele vou escrever um e-mailzinho especial agradecendo as gentis palavras.




Adriana às 2:25 PM ..........

woensdag, januari 17, 2007

I-bitch

Nesse fim de semana, após me conhecer pessoalmente, mais uma pessoa comentou com uma amiga que eu sou tãããão diferente do que pareço ser pelo blog... Essa foi a quarta pessoa comentando a mesmíssima coisa.

Porque é que quem lê esse blog acha que eu sou uma megera? Qual é o conteúdo megerístico desse blog? Ou é o tom que é megerístico?

Vai ver que eu descarrego toda a minha megerisse no blog, e quando vou falar com as pessoas na vida real sou docinha docinha ( cof cof cof ).


Adriana às 2:29 PM ..........

dinsdag, januari 16, 2007

Tem remédio?

Gente, eu preciso parar de pensar em viajar. Preciso ir devagar com o andor e investir em outras cositas. Preciso penar por um ano que seja e terminar tudinho nessa casa, pra colocar ela a venda e comprar uma maiorzinha.

Mas quando recebo esses e-mails com promoções... Fico louca! Eindhoven tem 2 vôos novos, Marseilles ( que pra mim nem cheira nem fede ) e Madrid. Gente, já falei proceis que eu ainda não conheço Madrid? E dá pra ir por 60 contos por pessoa. Estou alucinando aqui.

Porque é que eu não ganho na loteria, hein?




Adriana às 10:46 PM ..........

maandag, januari 15, 2007

Blogada coletiva

Dia 22 de janeiro está sendo planejada uma blogada simultânea dos pro-choice, todos estão sendo convidados a blogar a favor do aborto.

Estamos em 2007, temos um zilhão de métodos contraceptivos, inclusive a pílula do dia seguinte pra quando todo o resto falhar, como então justificar a bárbarie que é o aborto?

Penso nas minhas amigas que estão tentando engravidar, nas amigas com seus bebês novinhos, e sei que TENHO que preparar um post pro-life pro dia 22.

Detesto o discurso dos pro-choice, detesto os argumentos, detesto a postura deles ( delas ). Ter direito de escolha sobre seu próprio corpo deveria significar poder escolher entre usar DIU, pílula, preservativo, diafragma; e não interromper a vida daquele que não pode se defender.

Sinto vergonha de ser mulher cada vez que vejo uma nova iniciativa pro-choice, e a única coisa que me permite seguir com a cabeça erguida é que pelo menos eu faço minha pequena partezinha para protestar contra essa tal "escolha". Pra mim é assassinato, que poderia ser evitado com um pedacinho de borracha que custa centavos.


Adriana às 10:13 PM ..........

Tá, eu sei que reclamo demais...

Quase duas e meia da matina e eu não consigo dormir. Estou podrinha de sono, mas minha garganta está em fogo! Dói de uma forma tal, que só consigo um pouco de paz tomando um liquidozinho quente. Chá. E a cada 20 minutos tenho que ir ao banheiro, claro. Não achei justo manter FH acordado a noite inteira por conta do meu vira-vira na cama, por isso vim pra sala, onde pareço uma velha tísica.

Junto com a tosse uma febre que me esmigalha o corpo - daqui a 25 minutos se eu não conseguir dormir, apelo para uma das pilulinhas rosinhas e seja o que Deus quiser.

E eu tava tão felizinha depois de encher o buchinho de feijoada e tagarelar em português a tarde toda.


Adriana às 2:28 AM ..........

zaterdag, januari 13, 2007

Uma razão pra viver...

Sofro do complexo de Alien. Todos são normais, eu sou um alien. Só me sinto humana quando leio Gabriel Garcia Marquez, só ele tem na cachola o mesmo "célebro" alienígena que eu. Eu o leio com alívio.

Estou em mais um dos meus momentos aliens, e um dia explicarei o que se passa hoje pela minha cabeça mas nesse momento vocês só precisam saber ( se é que precisam ) que eu bati os olhos na Playa de las Conchas em San Sebastian, e me deu até um frio na espinha. Um mega de texto digitado não explicaria a sensação, então basta dizer que talvez eu passe também, assim como Firmino, meio século amando o que não se pode ter. Ele amou uma mulher que mal conhecia, eu amarei San Sebastian. Sonharei que lá vou envelhecer, com uma janela em um quarto onde eu possa ver o oceano pelas manhãs.

Fim do momento weird...

A viagem foi muito boa, muito produtiva. A cidade é maravilhosa, e nada como conhecê-la levada por alguém que nasceu lá, vive e jura que lá também vai morrer. Sortuda.

Comi pintxos, bebi txakoli, almocei chuleta com sidra e decidi que PRECISO voltar pra Donóstia. De férias com FH porque tenho que dividir "o achado" com ele.

Fora isso, a gripe me atacou sim, e preciso ir ao huisarts e pedir ajuda. Não é normal ter tantas gripes e tão fortes. Trabalhei na quinta-feira o dia inteiro com 38 graus de febre, e ontem o termômetro chegou a passar dos 40. E eu estava dirigindo sozinha, na chuva. Tive que parar no meio do caminho, num posto Shell, comprar um chá de maquininha, tomar o milésimo Exedrim do dia, rezer pra conseguir dirigir mais 30 minutos, e botar o pé na estrada. Cheguei em casa um trapo, vomitei até o que eu sonhei em comer e não comi, coloquei o pijama, e morri pro mundo.

Meu meninão só teve tempo de me contar todo feliz que foi promovido ( vamos comemorar hoje com muito txakoli ), meus menininhos me deram lambidinhas e miaram pra mim, Plato já foi pedindo colo e se empoleirando no edredom, e a vida continua.

Estou ainda muito, muito gripada, e dessa vez estou assustada com a violência do virus. Estou o caco do caco do caco. Nem devia escrever isso aqui porque vocês vão achar que eu tenho mania de doença, mas poucas coisas me abalam tanto quanto essas gripes fortes. Vou voltar pra cama e ver se consigo dormir um pouco mais.

Fui!



Adriana às 6:34 AM ..........

dinsdag, januari 09, 2007

Cadê o glamour?

Quando eu comecei na carreira, eu via o povo que viajava bastante a trabalho como os "top models" empresariais: seus terninhos importantes, suas malas de rodinha tamanho hand-lugagge da Samsonite, suas malinhas de laptop ( naquela época nem tinha laptop ainda, essa moda foi mais recente ), o celular sempre em punho. Eu os imaginava em hotéis maravilhosos, jantando em restaurantes listados no Guia Michelin, com altos carros alugados. Isso sem falar na idéia de estar viajando para os EUA, Japão, ou que sabe lá onde?

Até que chegou minha vez. E o tempo foi passando. Claro que tive alguns poucos ( e bota poucos nisso ) bons momentos: jantar no restaurante Priory in Wales - dentro das muralhas duma cidade medieval, voar de classe executiva e me esbaldar no VIP lounge, curtir Munique num dia ensolarado de carro conversível. Mas em contrapartida, tive tantos, mas tantos momentos desgastantes. Já saí de casa pra pegar avião 4 da manhã. Já fiquei esperando por vôo atrasado no aeroporto mais de 10 horas, já fui evacuada de Birmingham ( hotel no centro da cidade ) e do aeroporto de Barcelona por suspeita de bomba ( e se fosse bomba mesmo, já pensou o quanto estamos nos arriscando "pela empresa"? ), já dormi em hotel que parecia um castelo pela internet mas que "ao vivo" era uma espelunca, já jantei muita comida mequetrefe sozinha em quarto de hotel, perdi a primeira consulta dos meus menininhos no veterinário ( já imaginou se fosse um filho?). Isso sem falar uma das coisas que eu mais detesto: voltar e ter que desfazer a mala. Agh.....

Hoje estou ligeiramente com febre e uma ( mais uma ) gripona vai me atacar. Eu queria ficar em casa tomando cházinho, mas adivinhem o quê? Tenho que ir para a Espanha amanhã de manhã!!!! Para uma tal de San Sebastian perto de Bilbao. "Ceis" não tão entendendo: País Basco minha gente, onde vira e mexe tem carro explodindo e bomba estourando. San Sebastian aparentemente tem uma praia bonita e famosa: mas tá quase zero graus, de que me adianta????

É nessas horas que não ía ser nada mal ser caixa do Albert Heijn, pelo menos quando desse meu horário eu catava minhas coisas e me mandava pra casa sem pensar em trabalho. Agora deixa eu ir lá na portaria pegar meu Vectra zerinho alugado. Eita vida dura essa.

Inté sexta...


Adriana às 4:34 PM ..........

maandag, januari 08, 2007

Que alívio!

Vocês lembram o sufoco que foi conseguir uma empregada? Pois então... Finzinho do ano passado ela veio com uma conversa de que talvez não pudesse mais vir pra mim. Putz, fiquei chateadíssima, viciei na empregada! Eis que hoje ela me liga pra perguntar se eu ainda quero que ela venha. Oh alívio!

Tem dia que a gente não devia ter saído de casa, hoje foi um. Cheguei no escritório passando mal, com febre, sinusite, fiz o que tinha de mais urgente e vim pra casa, pois minha colega de trabalho ( grávida ) foi até pra sala do outro comprador ao lado da nossa pra não pegar nenhuma gripe de mim. Deixa eu abrir um parêntesis: quer engravidar e não consegue? Venha trabalhar comigo! Éramos 4 compradoras no antigo emprego, as 3 tiveram bebês. Agora somos 2 compradoras, ela está grávida. - fecha parêntesis.

Aliás, sabe qual é a praga dos 30 anos? Parece que TODAS as suas amigas estão engravidando ao mesmo tempo. Aliás, é um tal de mal nasce um já tem outra grávida que é uma coisa do além. Ou entao estão tentando. Um dos gêmeos estava tentando com a mulher, chegou até a pedir que não se tocasse no assunto pois estava sendo difícil pra eles. Ela tem 36 anos e parece que bateu o desespero. Ontem ele me disse que ela está "com 2 bebês". Achei estranha a frase, mas depois ele explicou que fizeram fertilização in vitro e implantaram 5 bebês e 2 "vingaram". Como é que funciona isso, é assim? Implanta-se sei lá quantos e alguns "vingam"? Eu achei que implantassem 1 ou 2, e pronto. E se 3 vingarem e você não quiser tri-gêmeos? Ele me falou que eles podiam ter escolhido "terminar" um dos embriões, mas como é que você escolhe? O da direita, o da esquerda? Eu hein, como pode uma mãe escolher gerar um filho e matar o outro que está ali, implantadinho, bonitinho só esperando pra nascer?

Se bem que nisso eu admiro os holandeses: tentam um ano, não deu certo? In vitro. Parece que o plano de saúde até cobre. No Brasil tenho uma prima que fez e fica todo mundo cochichando nas costas dela falando que o Fulano é "de proveta". Eita gente mais atrasada! O menino tá lá, super saudável, ela feliz e contente, qual é a diferença se o bebê foi feito assim ou assado? Afemaria...


Adriana às 3:11 PM ..........

zondag, januari 07, 2007

E a resposta correta é...

Fuerteventura, na Ilhas Canárias.

O Hotel é esse aqui ( Barceló Jandia Mar ). É o all-inclusive mais barato do lugar, e as "reviews" no tripadvisor são bem boazinhas. Já falei pra FH que temos que ir conscientes de que não vai ser o Marriot ou SEHRS, mas vamos ter um quarto confortável e limpo, uma piscina bonita e refrescante, e uma comidinha que não vai ser "aute cuisine", mas vai ser boazinha. O hotel fica no alto de um morro, então vamos alugar um carro. E daqui pra frente vamos ter que baixar bem nossa bolinha com hotéis, cinco estrelas agora só se for super-hiper-oferta ou ocasião especial.

E aí, alguém já foi pra lá e pode dar umas diquinhas?


Adriana às 10:18 PM ..........

vrijdag, januari 05, 2007

Baixando a bola...

Eu bem que queria ir pra Cancun em maio e voltar ao Brasil em Dezembro, mas depois de receber nossa continha de cartão de crédito, Bart não quer mais nem ir a Scheveningen molhar a bunda nas águas poluídas do Mar do Norte.

Por isso tive que baixa beeeem a bola, e cortar a brincadeira pela metade. Adivinhem pra onde estou querendo ir, a 670 eurecas 12 dias de All-Inclusive por cabeça?

Vamos ver quem adivinha pela foteeeenha abaixo.



E aí, vai arriscar?


Adriana às 4:04 PM ..........

donderdag, januari 04, 2007

953 Beste Wensen depois...

Ainda não comentei sobre minhas impressões do Brasil, né?

Achei Natal cara, cara demais. E grande. Fui pensando em algo pequeno e rústico como Porto de Galinhas, e cheguei em Natal já dando de cara com uns prediões. Brasileiro não tem jeito mesmo, é só aparecer uns gringos no pedaço que o preço de tudo vai parar na estratosfera. Um buggy custa 280 reais por dia, aquele passeiozinho simplezinho a Maracajaú ( um ônibus por 45 minutos, uma lanchinha até uma plataforma, snorkel por duas horas, e caminho de volta ) custa 90 reais por pessoa. Tem buggy mais barato? Claro! Mas você se arriscaria naquelas dunas, a 80 km/h com um bugueiro não credenciado?

O Hotel era fantástico, mas triplamente carésimo. Uma água de côco R$ 3,50, a tal depilação completa R$ 160. Pouquíssimos brasileiros.

Aliás, dá dó dos brasileiros por aquelas bandas. Pra gente, jantar no tal Camarões, pagando R$ 60 reais incluindo bebidas era um precinho pra lá de camarada, afinal dá cerca de 22 euros - o que se paga aqui numa pizza da Domino, mas os poucos brasileiros que conhecemos por lá estavam mesmo é comendo em shopping ou em barraquinhas, e deixando o Camarões como a "noite especial" das férias deles. Quem tem criança ainda tava lascado!

Pipa foi mais legal ainda. Primeiro que as praias são mais bonitas. Segundo que a cidadezinha é pequena e rustiquinha como a gente gosta. Mas o melhor mesmo foi o hotel. Ficamos no Villas da Pipa, um hotel com um conceito diferente: você aluga uma casa, um sobrado com cozinha, sala, duas suítes, piscina particular e churrasqueira. Adoramos ter "a nossa casa de praia".

Fui pra Sampa de Gol. Nenhuma reclamação. Mesmo naquele pandemônio que estava com a greve dos controladores de vôo, saímos "só" com 2 horas de atraso. São Paulo continua a mesmíssima, barulhenta, poluída, com gente feia, a melhor cidade do mundo!!!! Só me entendem os paulistas... Acabamos nos enfiando na casa da minha tia Sônia, já que a Thali fez o favor de viciar meu marido no Playstation. No sábado íamos sair, mas acabamos alugando uns filmes e ficando por lá mesmo, ainda na casa da Tia Sônia. Meu apartamento está uma gracinha, minha mãe está morando muito bem.

A casa do meu irmão é um sonho, uma colônia de férias. A sala de lareira acabou virando a sala de video game, o home theatre tem um sofazão daqueles que reclina, os quartos são todos imensos e lindos, a piscina super legal, e pra diversão da garotada, tem ainda 3 cachorros: Bono ( labrador ), Pepe ( golden retriever ), Jack ( collie-baby ). Bart comprou equipamento de pesca e pescou no laguinho do condomínio, fomos a Socorro com o meu pai pescar, fui muitas vezes pra Campinas pro maior shopping da América Latina ( Parque D. Pedro ).

Conversando com meu irmão, perguntei como ele contruiu aquilo tudo sem financiamento, assalariado, sem se individar até o fim da vida. "Cortando todos os superfluos". E é essa a impressão que me deu do Brasil, de que a classe média está desaparecendo, cada vez podendo menos consumir os "superfluos". Bem dizia minha mãe que "no tempo dela" só tinha pobre e rico, não tinha classe média. O Brasil está voltando a esse tempo. Quando eu morava no Brasil, cinema e pizza era o passeio econômico universal dos casais. Fui com Bart no cinema: 30 reais de ingressos, 15 de pipoca e refri, 3 de estacionamento, e lá se foram cinquentão pro saco, e a gente nem tinha ido comer ainda! Um filme na Blockbuster está R$ 8,50 pra alugar, a 2 km na Praça Lauro Gomes você compra o mesmo filme piratão por R$ 10.

Brasileiro morando no exterior tem mania de falar que no Brasil qualquer um faz um churrasquinho com pagode, e se diverte a beça, mas já pararam pra pensar que a "probraiada" faz isso mais por falta de opção de lazer do que por vontade própria? Fazem lá sua vaquinha, compram um quilo de coxão mole com amaciante de carnes, uma linguiças, cerveja "genérica" e botam um CD pirata da banda Calypso pra tocar. Como diz meu primo, querer mesmo ele queria jantar no Fogo de Chão regado a uísque, mas quem não tem cão caça com gato!

Quando o Bart perguntou porque brasileiro tem tanta fixação por TV's, tendo vários aparelhos em casa, fazendo "gato" na TV a cabo, comprando DVD pirata, minha tia resumiu bem: nós pobres não temos dinheiro pra outra forma de lazer. Eu só me distraio quando vejo a TV. Internet é caro, livros são caros, viajar só mesmo nos meus sonhos, então o que me resta? TV!

Fora isso, o câmbio nas alturas que está acabou tirando boa parte da vantagem das compras. Bart comprou umas camisetas da Scene, eu comprei Ipanema de Indio da Gisele Bunchen, comprei uma pretinha da Ivete Sangalo, e voltei sem as minha plataformas pretas da Havaiana. Comprei umas coisas da Natura, que com a nova linha de produtos da Amazônia acabou semi-interrando o Boticário, que agora vive vazio às traças. Ganhei o DVD da série Hilda Furacão - maravilhoso! Ganhei The Sims 2 - Pets, meio sem-gracinha. Bart comprou uns outros jogos. Eu comprei umas saidinhas de praia em Natal, uns colarzinhos, uns peixinhos de pendurar e foi só.

Agora preciso de uma máquina de fazer dinheiro pra atender todos os meus desejos de 2007. Já estou pesquisando as férias de maio, e acho que vamos à Cancun. Consumirei 10 dos meus 38 dias úteis de férias. Em Setembro quero sair mais uma semaninha, queria ir pra Turquia baratinha, mas Bart quer morrer e não quer ouvir falar em ir pra Turquia. No fim do ano acho que voltamos ao Brasil, dessa vez acho que pra Bahia. Agora tenho mais dias de férias do que posso "sustentar", porque tirar dias de férias pra ficar em casa é disperdício total. O jeito é continuar jogando na staatsloterij. Que sabe fico rica?


Adriana às 3:13 PM ..........

dinsdag, januari 02, 2007

Beste Wense

É assim que se escreve? Cheguei aqui no escritório hoje e já fui carregada pro tradicional café de ano novo, onde tive que ouvir e repetir o "bons ensejos de ano novo", o tal do beste wense acima, umas mil vezes. A mesa estava linda, tinha uns 20 tipos diferentes de sandubinhas, bagels, muffins, sucos, leites... E ganhei meu kerstpakket ( pacote de Natal ). Uma mochilona de rodinhas, vinho, chocolatinhos, amendoins, bolachinhas, castanhas, uma termo-mug e de "presente" um rádio a prova d'água pra banheira. Até que o pacote é legalzinho e útil.

E mais novidades. Eu não sei se eu já tinha escrito aqui, mas eu tinha certeza que minha colega de trabalho estava grávida, estava com uma barriga bem grandinha e não tinha jeito de ser de chocolate. Dito e feito: o bebê nasce em Julho, o que mandou minhas férias de julho-agosto pro saco. Na verdade eu queria mesmo é sair uma semaninha em Setembro, mas vamos ver como vai ficar.

Agora é arregaçar as mangas, desbravar os 284 e-mails, e rezar. Ah, semana que vem já tenho que ir pra Espanha visitar um fornecedor. Ainda bem que consegui empurrar pro fim da semana, de quarta a sexta. Esse ano pelo jeito vou ter que viajar feito uma louca, pois daqui a alguns meses minha colega não vai mais poder viajar de avião, então eu vou ter que cobrir a parte dela. Tomare que role uma viagem pra China, pois embora o vôo seja cansativo, o lugar não seja a coisa mais linda do mundo, é muito bom para o curriculum. E tem mais, eu estou realmente curiosa pra ver o que se passa na China pra todo mundo estar comprando tudo de lá.

Aliás, sabem o que eu tenho que fazer na semana que vem? Fechar o pacote das minhas próximas férias de maio!!! Eu queria uma coisa mais economicazinha, mas considerando que as férias do meio do ano miaram, acho que vou dar uma caprichada nessa. Estou pensando em Cancun e Playa del Carmen, mas o preço está meio salgadinho. Vamos ver...






Adriana às 11:42 AM ..........

Perfil

Adriana, 33 anos, paulista, casada com o holandês Bart, morando em Eindhoven desde maio/2003. Clique no link abaixo para saber como vim parar aqui


.Como imigrei para a Holanda

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