Dri na Holanda

woensdag, november 29, 2006

Depois de pensar muito...

Vi que eu não estou fazendo nada de errado. A companhia resolveu mudar as responsabilidades de cada unidade, a unidade da Holanda passou a ter muito mais controle do que a de Portugal, e a portuguesa estava reclamando que o trabalho "legal" eu é que faria, e para ela sobraria o trabalho "manual". Too bad, mas não sou eu quem decide essas coisas. Se ela está descontente, vá falar como o gerente dela, e não venha descontar em mim a sua frustração.

Mas vou confessar uma coisa: desaprendi a trabalhar com gente cheia de dedos. Levei tanta bordoada psicológica trabalhando na Europa, que acabei me juntando ao time dos "práticos". E querem saber? Eu gosto. Gosto de gente direta, gosto de gente que diz "isso é seu trabalho, não meu", gosto de saber que se fulano não fizer a parte dele, eu não vou pagar o pato no final, e nem tenho que ficar "com jeitinho" pedindo pro cara fazer isso ou aquilo. Preciso de um desenho, peço pro engenheiro. O engenheiro não manda. Depois de 10 dias vem neguinho me pedir cotação, eu não tenho porque fulano não me mandou o desenho. Aqui, quem precisa da cotação que eu tenho que pedir simplesmente vai falar com o engenheiro, no Brasil eu tinha que ouvir aquela pataquada de que a gente precisa "superar as expectativas", "ter iniciativa", "be a problem solver", tudo sinônimo de "ficar apoquentando o engenheiro até ele te mandar a meleca do desenho que você precisa". Eu não sou mãe de ninguém pra ficar: Zézinho, faça o desenhinho pra Adriana senão ela não consegue pedir uma cotação.

E o oposto também aplica-se. Quando eles precisam falar uma coisa, não tem meia-hora não. É pá pum. Eu amo, porque como já disse, sou péssima em entender "entrelinhas".

Hoje eu notei como eu estou bem adaptadinha ao meu empreguinho holandês. No Brasil, todo mundo ía almoçar junto. Aquele que não ía, tinha a "obrigação moral" de contar uma longa estória se justificando. E o oposto também, quantas vezes eu vi fulana ficar chateada porque siclana foi ao shopping na hora do almoço e não a convidou. E quantas vezes eu quis ir ao shopping na hora do almoço sozinha para espairecer, mas acabei não indo porque alguém ía me ver ( o shopping era perto da GM ) e ía contar pros colegas de departamento. Aqui, que quer comer seu lanchinho junto com os outros vai na salinha do lanche, quem quer sair sai. Minha colega de sala hoje almoçou fora, não sei com quem, não fui convidada, ela voltou tarde, e eu mal notei. No começo eu ficava chateada se minhas colegas íam ao AH e não me convidavam, mas no fim aprendi que eles (europeus) são assim, elas íam no AH, se tivesse lugar no carro, e eu estivesse ali na horinha delas saírem, perguntavam se eu queria ir, mas se eu estivesse tomando água, elas não íam até lá me convidar não porque não gostavam de mim, mas porque não era prático. Só sei que agora eu acho ótimo, e faço o mesmo. Acho que é por isso que eu e minha colega holandesa nos damos muito bem. Ela nunca pergunta como foi meu fim de semana, nem eu o dela, às vezes nas sextas comentamos o que vamos fazer no fim de semana, mas o legal é isso, contamos uma pra outra só o que queremos, e não ficamos de blá blá blá só por convenção social.

Brasileiro adora meter o pau na "diretisse" dos holandeses, mas vamos combinar, tem umas manias de brasileiro que são de doer. Por exemplo, quantas vezes alguém que você conhece te perguntou se você gostou do novo corte de cabelo dele (a )? Pra mim, um milhão. E quantas vezes você disse: ficou legal, mas na verdade estava pensando "que coisa horrorosa"? Aqui ninguém fica perguntando opinião de ninguém, e se perguntarem, o outro vai achar que quem perguntou realmente quer saber, e vai dizer a verdade. Quando fui ao Brasil da outra vez, me acharam "insensível", me acharam "direta demais". Perguntei pra minha mãe se eu tinha sido rude, porque aí são outros quinhentos, e ela respondeu que não, que só fui direta demais, que pra certas pessoas a gente tem que falar as coisas com jeitinho. Ho ho ho, meu "jeitinho" foi a primeira coisa que eu "inburgerizei".



Adriana às 4:49 PM ..........

dinsdag, november 28, 2006

Já deu...

Esse ano já deu o que tinha que dar... Estou ranzinza, sem paciência, associal ( como se escreve isso? ). Tá bem na hora desse ano acabar, de eu sair de férias, de botar a cachola pra descansar.

Sabe uma coisa que eu detesto dessas viagens pro Brasil? A hora de comprar presentes. Detesto porque nunca posso levar o que queria para cada um, tenho que levar o que cabe em uma mala de 25kg, que tem que levar ainda minhas roupas. Aí eu fico torcendo para que o povo entenda que não é pouco caso, que não é "mixaria", é falta de espaço mesmo. Que saco! Fui hoje no último dia da promoção dos sutiãs da V&D. Comprei 3 lindos, saí carregando pacotes, casaco, chaves, fui pra Kruidvat onde está rolando promoção da Bourjois. De repente, cadê minha bolsa? Sumiu! Corre aqui, corre lá, já imaginando o saco de ter que cancelar cartões, tudo em véspera de viagem, quando finalmente a encontrei em meio a malas da V&D. Quem manda ir fazer as coisas com a cabeça na lua?

E com isso não comprei presentinho da Bourjois nenhum. Estava pensando em levar um batom, ou sombra, lápis pra Thali... Toda mulher gosta de ganhar maquiagem, não é? E se acharem mixinho, paciência, é o que cabe na mala, e é de uma marca óteeema.

Estou de saco absolutamente cheio no trabalho. A cada dia que passa eu detesto mais trabalhar com os portugueses. Eles são todos cheios de nhém-nhém-nhém, de não me toques. Estou de saco cheíssimo. Olha, não sou de entregar os pontos fácil, e claro que vou continuar dando o melhor de mim, mas querem saber? Se me encherem o saco, ano que vem eu pico minha mula. A portuguesada que se dane. Arghhhhhh... E não tem nada a ver com o gajo, é uma bocó lá que está me enchendo o saco.

Quando parece que o mundo inteiro está contra você é sinal que é você que tem que parar, respirar fundo, e ver se não é você que está fazendo alguma coisa errada. Amanhã vou respirar fundo, vou conversar com a minha colega de trabalho, vamos ver...


Adriana às 10:23 PM ..........

maandag, november 27, 2006

Enquanto isso, em Holambra...

Na filial brasileira da familia buscapé, mais uma adição à família.

Estão preparados para a foto mais fofa do mundo?

Podem ir preparando o Ahhhhhhh bem meigo...

O humano é o sobrinho, a "adição" é...



Não é fofo? Ainda não sei o nome, mas é um collie, que meu irmão acabou de adotar.

Aliás, meu irmão é um louco. As crianças queriam um cachorro. Qualquer um servia. Bastava abanar o rabinho e latir, tava bom. Mas "alguém" queria um labrador, então esse "alguém" encomendou 2 labradores com um criador do interior, um bege e um preto. Já com nomes ( o bege Bono, porque parecia uma bolacha Bono doce-de-leite segundo as crianças, o preto não lembro ), foram aguardados com ansiedade. Acontece que a ninhada de 6 inteirinha morreu, só se salvou o Bono. Até hoje as crianças acham que o pretinho foi pra casa de um menino doente, não sabem do triste fim do cãozinho. Bono é alegrinho e um monstrenguinho, enorme! Como ele é muito energético meu irmão estava pensando em arrumar um outro cão. Eis que aparece um Golden Retriver com pedigree e tudo abandonado numa chácara. Cheio de doença de pele, todo feioso, foi imediatamente adotado pelo meu irmão. Agora está bonitão, eu só vi por foto, vou conhecê-lo nessa viagem. E agora essa bolinha de pêlo aí foi adotada também, "sobrou" duma ninhada de uma amiga da família.

Notem que meu irmão tem 3 cachorros com pedigree e não pagou por nenhum, prova de que em outra encarnação ele nasceu holandês.

E a coitada da Ali ( minha siamesa que mora com o meu irmão ) vai morrer do coração qualquer dia desses. Vocês acreditam que o Bono, o maior deles, se péla de medo da gata? Ela é geniosa e já foi botando banca enquanto ele era filhote. Já está com uns 15 anos, velhinha e já magrinha vai deixar saudades quando se for... Talvez essa seja a última vez que eu a vejo.


Adriana às 11:35 AM ..........

woensdag, november 22, 2006

Revelação divina

Eu sempre ouvi falar no holandês arrogante. Ainda não conhecia nenhum, achava que era intriga da oposição.

Eis que entra na empresa, 2 semanas depois de mim, W. o cara que se acha.

W. está nos "late twenties", beirando os 30. É baixinho para um holandês, deve ter minha altura, uns 1,70. Pra compensar, malha muito, e embora não seja marombadão, tem o corpinho mais ou menos. Claro que só usa roupa de modinha, calça Diesel e aqueles blazers medonhos que vem com touca de moletom ( aghhhhh que coisa cretina, cristoredentor ). É loiro aguado, tem olhos azuis e é branquelo. Não é nem feio nem bonito.

Andando, parece que pisou na bosta: o nariz está sempre empinado como se evitando o "odor", e ele anda sempre meio que na ponta dos pés e esticadinho, acho que pra parecer mais alto.

Pois então, tive que ir com esse sujeito e um americano pra Breda numa apresentação da empresa. Lá fica a maior planta da empresa na Holanda. O carro foi alugado em meu nome, então eu fui dirigindo. No caminho, o assunto era política. Não importava o que eu ou o americano falássemos, estávamos sempre errados. A um determinado momento eu falei a palavra inburgering, no meu lindo sotaque buitenlander sul-americana, e o carinha não pensou duas vezes: se você estudasse mais pra melhorar seu sotaque, talvez alguém entendesse.

Antes mesmo que eu respondesse alguma coisa, veio-me um clarão a mente, como se tivesse "baixado" um espírito em mim. Eu me mato de estudar, mas não falo com medo dos outros me acharem uma bocó idiota, mas digam aí, quem é um bocó idiota, eu que estudo a 3 anos para falar melhorzinho, ou esse bocó que faz um comentário desse? Veio-me então o pensamento de que, se algum dia alguém me achar uma bocó idiota, ou fizer uma piadinha sobre meu sotaque, será alguém tão cretino quanto esse holandezinho arrogante, e euzinha estou cagando e andando pra opinião de bocó idiota arrogante holandês. E certamente os "não bocós, não idiotas, não arrogante holandeses" vão apreciar meu esforço.

E voltando, o holandesinho arrogante se gabava de ter recebido uma proposta de uma empresa americana na Califórnia pra ganhar 150 mil dolares por ano. E recusou. Eu perguntei se ele era casado, ele disse que não. Eu falei que eu teria ido. Trabalharia por 3 anos, guardaria metade da grana, enriqueceria meu CV, e voltaria pra holanda com dinheiro pra comprar uma casa sem hipoteca. Ele responde: ah, mas a vida não é só dinheiro, esse povo trabalha às vezes 12 horas por dia.

So sorry darling, mas trabalhar não mata. Não um jovem de menos de 30 anos, e só por 3 anos. Além de arrogante, ele é do tipo "pra-que-vou-me-matar-de-trabalhar-se-aqui-posso-comprar-meu-queijo-e-minha-bicicleta?", ou seja, preguiçosinho.

No fim, acho que era só garganta do fulando. Tem que ser. Quem aqui não toparia "penar na Califórnia" 3 anos pra juntar grana pra comprar uma casa aqui sem financiamento? Como se morar na Califórnia fosse a pior coisa do mundo. Afemaria...

Mas então, a revelação divina... Depois disso liberei geral, nas lojas já falo holandês com todo mundo, peço informação, quem não me entender, eu repito em inglês. Até agora todo mundo tem me entendido.

E eu até aprendi que inburgering tem a sílaba tônica no in e não no bu como eu pensava.




Adriana às 9:05 PM ..........

dinsdag, november 21, 2006

Correndo mais que o coelho da Alice no país das maravilhas

Samba do crioulo doido. Não tenho tempo nem pra coçar a... sombrancelha!

Fim de semana cretino, não fiz nada de bom. Amontoam-se as coisas a serem providenciadas para a viagem. Encomendamos a camera, mas continuamos sem malas, sem presentes, sem óculos de sol, sem bronzeamento artificial... Como sempre estarei me arrancando os cabelos na última hora. Porque é que eu sempre faço isso, hein?

Quem falou aí do salão de beleza em Natal, deixa o nome do salão que se der xabú no salão do hotel eu tenho a quem recorrer.

Putz, que frio na barriga de ir pro Brasil. Será que vou achar tudo bagunçado? Será que não me achar gorda? Será que vai dar tudo certo em Natal? Ai meu Deus...

Agora vou-me que estou congelando. Aliás, só tiro as meias agora para tomar banho. Estou sempre com frio, meus lábios estão sempre rachando, meu cabelo está sempre seco ( porque a humidade fria o enseba e eu detesto cabelo ensebado, então o lavo todos os dias ).

Mas tem coisa boa no inverno. Sopa enlatada da Unox é coisa boa ( adoro o Stevige Goulash e a Tikka Marsalla de pacotinho ). Torta de maçã com amêndoa é coisa boa. Meia de lã é coisa boa. Pegar o avião e escapar disso aqui é coisa melhor ainda. Putz, se eu reclamar do calor no Brasil pode me tacar ovo podre.

Aliás, ontem tive uma revelação. Uma revelação divina. Mas contro procêis outro dia. Porque hoje tá muito frio e eu tô congelando.

Fui!


Adriana às 10:39 PM ..........

vrijdag, november 17, 2006

Desvirei a pá...

Eu preciso aprender a puxar o breque de mão quando o carro desembesta ladeira abaixo desgovernadamente.

Sabe o que eu precisei para desvirar a pá? Parar o bonde...

Um colega de trabalho veio para a minha sala para entrarmos numa conference call juntos. A conference call foi cancelada, e tinhamos ainda 45 minutos "reservados" para a tal reunião. Olhamos pela janela, e apesar de friozinho estava ainda sol. Sabe o que fizemos? Os dois loucos estressados? Fomos comer gebak ( torta ) no café da esquina. Acho que estou holandesando, porque aquela torta de maçã com um capuccino salvou meu fim-de-semana.

Foi meia hora sentadinha, comendo a gabakizinha ( lê-se -rebác- ) com café, falando sobre as férias dele com a namorada doida pro Cambodia, e tudo pareceu mais lindo e colorido. FH nem me parece mais tão ranheta.

Agora estou terminando alguns assuntos urgentes, mas o desespero se foi.

E bom fim-de-semana pra vocês. E aprendam que não há o que um bom pedaço de torta com café não faça, certos estão esses holandeses...


Adriana às 4:50 PM ..........

Me viraram a pá e agora estou com a pá virada...

Vocês já tiveram aqueles momentos de loucura total e profunda, em que vocês querem mais é que TODO o mundo, sem exceção, suma da face da terra?

Estou no trabalho num período de loucura total, véspera de lançamento de produto novo. No meio dessa doideira, me mandam pra Munique pra ver "feirinha". Na segunda trabalhei até as 4, fui pra aula, fiz a mala, e no dia seguinte acordei à 4:45 da matina pra ir pro aeroporto. Naquele dia andei feito uma condenada, fui dormir lá pelas 11 da noite. No dia seguinte uma verdadeira maratona, carro até a feira ( eu que dirigi, com 4 homens no carro!!! ), mais andança, sai às 3, vai pro aeroporto, chega em Dusseldorf, dirige ate Eindhoven, chego em casa às 9 da noite. Moída. Acabada. Pronta pra morrer. Sabe qual a primeira coisa que FH fala quando entro em casa? O cesto de roupa suja está cheio, você não vai lavar roupa não?

GEEEEENTE NEM OI EU GANHEI!!!!!!!!!!!!!!!

Isso me virou a pá. Estou agora num mal humor monstro. FH tem mania de arrumação. Pode estar tudo sujo porco, mas tem que estar no lugar X Y ou Z. Ai que ódio. E pra piorar, a empregada deu cano de novo. Justo ontem. Eu gostaria muito que FH levasse em consideração que, além de trabalhar as mesmas horas que ele, eu faço as compras pra casa, eu cozinho, eu tenho aula de holandês duas vezes por semana, eu que tenho que cuidar dos gatos ( comprar areinha na ponte que partiu, encomendar comida E buscar de moteeenha porque não tem lugar pra estacionar ), isso sem falar que as férias estão chegando e eu SEI, eu tenho CERTEZA, que na hora H, na hora de arrumar a mala, metade do trabalho vai cair nas minhas costas. Aliás, nem mala temos, pois a nossa quebrou na viagem pros EUA. E a câmera não foi comprada ( já escolhemos, falta só o belezura colocar o pedido online). Ah, e eu tenho que comprar mais "enxoval" pros gatos, que vão passar as férias no Solar da Holandesa; eles precisam dum banheirinho menor, sacão de comida seca, comida com molho, petisquinhos, moooita areinha, talco da areinha, etc e tal.

Nessas horas, eu juro pra vocês, me dá vontade de sumir pra um hotel em Eindhoven mesmo, me trancar num quarto e sumir o fim-de-semana inteiro. Quem sabe isso desviraria a minha pá?

Eu sei que o erro foi meu, que eu acostumei FH errado, mas não consigo mais "re-treinar" o bendito!!! E juro pra vocês, mais dia menos dia eu vou cair morta fulminada na rua de exaustão. Estou tão frustrada, mas tão frustrada, que nem sei o que dizer. Eu preciso estudar mais holandês, mas como se estou sempre morta? Minha caixa de e-mails está uma coisa vergonhosa, eu não respondo mais ninguém.

Vou chegar no Brasil um monstro, sem fazer depilação porque não achei onde fazer ( sempre ía direto pra SP e a primeira coisa era me "internar" no salão e fazer pé/mão, luzes/corte, sombrancelha e depilação "brazilian bikini" ou virilha cavada ), pois quero fazer a depilação na quarta feira antes de viajar e não dá pra eu me abalar até Rotterdam onde a depiladora brasileira da Alice está, ou então ir ao Cocoon em Amsterdam. Também não vou ter feito luzes porque o Hammond demora 6 horas pra fazer luzes nos meus cabelos curtos, e além de estar sem tempo estou absolutamente sem paciência. Minha sombrancelha está um vexamão. E estou uma baleia. Que beleza!

Olha, eu tô precisando de "ante-férias", sozinha, um findi inteirinho sem marido e sem gatos. Devia é me mandar pra Bélgica pra fazer umas comprinhas, me garibar, e relaxar. Sonho meu. O negócio é comprar um Lorax desses spam-mails "remédio faixa preta sem receita", e rezar pra pá desvirar.

Porque nem eu estou me aguentando!


Adriana às 1:55 PM ..........

donderdag, november 16, 2006

E o pulso, ainda pulsa...

Anotaram a placa do caminhão que passou por cima de mim? Acordar às 4:45 da manhã, ninguém merece... Mas chegamos bonitinhos em Munchen, com direito à Starbucks antes de embarcar, e chocolatinho da AIR BERLIN de presentinho. A feira foi a coisa mais cansativa que já fiz na minha vida. Mesmo com sapato sem salto, meus pés estão tão detonados que eu estou mancando até agora.

PAUSA PARA A NOTÍCIA INACREDITÁVEL

Atrasada para ir para a aula na segunda, atendo o telefone sem perceber que era o gajo. Ele estava me ligando para ME CONVIDAR PARA JANTAR EM MUNIQUE!!!! Vocês acreditam na cara de pau? Na verdade ele sabia que eu ía com outros 4 engenheiros e ele queria fazer uma média. Eu agradecí, mas disse que já tínhamos planos para o jantar em Munique, que íamos ao Hofbrauhaus ( restaurante bávaro super famoso em Munique ). Acreditam que ele mandou e-mail pra um dos engenheiros SE CONVIDANDO? A minha sorte foi que os engenheiros não vão muito com a cara do Carlos e acabaram não querendo ligar no celular do gajo, o que salvou a noite!

FIM DA NOTÍCIA INACREDITÁVEL

Então. Munique. Que cidade linda! Minha segunda visita, e cada vez fico mais encantada... Linda, linda, linda. Dessa vez ficamos no tal hotel boutique, muito bom aliás, num bairro bem legal, no centro. De lá pegamos o metro para irmos ao tal restaurante que fica na parte mais chique de Munique, entre a Lois Vuiton, Rolex, e outras tantas lojas famosas. O interessante é que esses prédios são antiquíssimos, mas muito, muito bem conservados, as ruas são de paralelepípedos, é um charme só. Agora imaginem que naquele restaurante famoso comi um prato imenso de carne de porco com duas bolonas de uma massa de batata ( acho que se chamam Knodels ) e salada de repolho ( claro ) com bacon, pela mixaria de 9 euros. Aqui na Holanda não se come nem pizza individual com esse preço. A cerveja, a mesmíssima servida na Oktoberfest, custa 3,20 euros meio litro, na Oktober custava 7 euros! Tudo isso com banda bávara ao vivo, móveis rústicos, prédio histórico... Foi ótimo, nos divertimos pra valer.

Sabem que estou até pensando em ano que vem, ao invés de procurar praia em Maio, ir para a Austria de avião, alugar um carro e ir subindo pra Alemanha, fazer a rota romântica, terminhar em Frankfurt perto dos castelos do Mainz, de onde voltaríamos para a Holanda de trem. Deve sair mais caro que ir pra praia, mas já imaginaram que lindo? Preciso ver um mapa, será que dá pra passar pela Suiça também?




Adriana às 11:24 AM ..........

maandag, november 13, 2006

Semaninha Requenguela

Esta semana vai ser de doer!

Primeiro que aquela história do portuga acabou em que, finalmente, aquela commodity ( linha de produtos ) vai ser agora liderada por Eindhoven, e não mais por Munchen, e euzinha é que vou ser a compradora. Gajo não está nada feliz, pois isso significa que eu serei responsável por novos projetos com 2 dos nossos maiores fornecedores. O e-mail pros fornecedores foi enviado na sexta, e hoje já tem e-mail pedindo reunião de "nice to meet you" comigo. Na prática, isso significa que eu terei um pouquinho mais de poder de decisão que o gajo, mas o que é melhor, significa que teremos que nos falar muito menos. Aleluia.

E porque a semaninha vai ser de doer? Vejam só. Hoje tive que acordar no fiofó da manhã pra ir ao dentista. Chovia "cats and dogs" e eu TIVE que ir de moteeenha. Depois de ter a boca novamente destroçada pelo chino Dr. Kho, fui ainda debaixo de chuva para o trabalho. Com a boca todinha torta, cancelei a reunião de das 9:30, mas tenho outra às 10:30, e estou aqui rezando pro efeito da anestesia passar.

Como vou viajar amanhã, tenho um zilhão de coisas pra fazer, só que pra piorar as coisas, tenho aula de holandês excepcionalmente às 16:00 hoje, o que significa que meu dia no escritório acaba às 15:45.

Amanhã, tenho que estar aqui às 5:30 da matina pra pegar minha carona até Dusseldorf, e de lá voar pra Munchen ( Munique ). Em Munique, vou à uma feira chamada eletronica, onde possivelmente toparei com o gajo. A única coisa boa é que estamos planejando ir à um restaurante típico à noite, e ficaremos num hotel boutique, já que o tal NH que tem convênio com a empresa está lotado.

Volto só na quarta, chegando em Eindhoven lá pras 10 da noite. No dia seguinte meu dia começa com reunião às 8:30 e termina com aula de holandês até às 20:30.

Estão com pena de mim????

Mudando de pato pra ganso, lembram-se do meu planinho de ficar nos 2200 euros por mês? Pois então... Até hoje eu estou com umas cortinas velhas medonhas em casa. Quase dois anos de casa nova. Eis que depois de muito ( e bota muito nisso ) discutir com FH, decidimos o "estáil" que queríamos: vitrage ( aquela cortininha de voile por baixo ) e tecido pesado marrom por cima. Como não queremos gastar muito, pois ano que vem queremos mudar e dificilmente conseguiremos reaproveitar as cortinas que são feitas sob medida, perguntamos pros amigos onde comprar cortinas legais sem pagar muito, e todo mundo nos endicou a Kwantum. Chegando na loja, achamos legal, eles tem bastante variedade de tecidos e o feitio é de graça. Escolhemos o tecido, o modelo, os trilhos, e a conta: 700 euros!!! Cuma? Por duas cortinas? Sim minha gente, SETECENTOS EUROCONTOS!!! Quase infartei. Acontece que gostamos de um tecido que custava 22 euros por metro. Ambas cortinas tem 3 metros, então imaginei: 6 metros de tecido para cada, uns 130 contos por cortina. Acontece que eles cobram 22 euros por metro quadrado, e não metro linear!!!!! Até tentamos ver um tecido mais barato, mas aquele foi o que nós dois batemos o olho e gostamos, não conseguimos achar mais nada que nos agradasse. E acabamos pagando a continha. Saímos tão atordoados que nem compramos os trilhos. E detalhe: 5 semanas pra ficar pronta!!!! Afemaria. Por mim, eu tinha comprado uma kant-en-klaar da IKEA mesmo, não consigo imaginar que essa cortina me dê 700 eurocontos de prazer.

Continuando a sessão arromba-bolsos, FH finalmente acordou pra vida, e concordou que não eram as cuequinhas Sloggi deles que encolheram, ele é que "alargou". E munidos do intuito de comprar novo enxoval "íntimo" para o belezura, rumamos à Bijenkorf. Sloggi tem preço tabelado, então vai lá mesmo que é mais perto. Foram 7 "pecinhas" e a conta: 103 euros! Saí da Bijenkorf cantando desanimada: eu mato, eu mato, quem pegou minha cueca pra fazer pano de prato...

E foi isso mosfios. O findi já começou com um arrombo no bolso, a semana segue numa canseira lascada, faz um frio da peste, hoje chove, e parece que em Munchen neva. E o meu terninho de lã foi pro lixo, tenho 2 não muito quentes. Pelo menos a "turminha" que vai ( seremos 5 ) é legal, e aquele bonitão que eu já falei aqui vai também. Olhar ainda pode, não é mesmo?


Adriana às 10:19 AM ..........

vrijdag, november 10, 2006

E...

Pra finalizar a história com o gajo.

Sabem, depois de ter falado com meu diretor, eu decidi que não importa o que esse fulano apronte, eu vou ficar na minha, responder educadamente, e se ele baixar o nível de novo com mais "remarks" sobre brasileiros, eu simplesmente vou preencher a tal queixa formal. Não vou ficar de picuínha, não vou ficar de nhém-nhém-nhém. Gente desse tipo sempre acaba se enforcando sozinha.

E não demorou muito. Na mesma tarde, o gajo começou a me "bombardear" com tudo que ele podia desengavetar para me perguntar. Detalhes de contratos que meu antecessor fechou há mais de 2 anos, estatísticas que não servem pra nada mas dão um trabalhão pra fazer, coisas do tipo. Como eu disse, mesmo que espumando de raiva, eu fui dando as informações que ele pedia. Eu costumo receber um e-mail do gajo a cada 2 dias, as vezes um pouco mais, na tarde daquela segunda-feira foram mais de 10!

Minha colega de trabalho está na planta de Breda participando da migração pro SAP. Vai ficar 3 semanas fora. Nesse meio-tempo, eu vou dar uma mão nos processos dela. Ela me pediu para entrar em contato com um fornecedor e pedir uma informação técnica, o gajo soube, virou bicho, criou uma baixaria tão grande com a minha colega, que ela acabou mandando um e-mail pro nosso diretor. Eu sei que na quarta o chefe dele falou com ele, pois a montanha de e-mails parou, e quando ele teve que me ligar estava mansinho mansinho. Também, o gajo levou bronca tripla, uma vindo da engenharia, que recebeu queixa dele vinda do fornecedor. Uma da "discriminação". Outra, da palhaçada que fez com a minha colega.

Mas vou confessar que está uma situação difícil. O gajo baixou bem a bola, mas está muito contrariado, então fica procurando motivos pra criticar, pegando pêlo em ovo. As conversas pelo telefone estão uma coisa bizarra, sequíssimas. Ele precisava de uma informação ontem e enquanto eu estava numa reunião, ele deixou 5 recados na minha secretária eletrônica, o último dizendo que "ficar fugindo do telefone é muito feio", como se eu tivesse vendo o número dele ( o telefone é digital ) e o ignorando de propósito. E eu fico com essa sensação de que não posso dar uma escorregadinha que ele vai fazer a festa, e convenhamos, para quem está a 3 meses na empresa, pelas próximas semana sozinha, fazer tudo perfeitinho vai ser um milagre.

Sabem, estou mentalmente esgotada. Começar um emprego novo não é fácil, ainda mais numa empresa com produtos tão diferentes do que eu estava acostumada. Eu ando me cobrando tanto, por tantas coisas, que qualquer hora a cachola pifa. Me cobro de aprender mais rapidamente o que é um transceiver, um IC, um dc/dc converter. Me cobro de ter que aprender logo as manhas de comprar lentes dos japoneses, já que quem faz isso há 20 anos se aposentará no ano que vem. Me cobro de estar falando holandês melhor que a Máxima no fim de janeiro quando as últimas horas do meu curso terminar. Me cobro de perder mais 2 quilos antes de embarcar pro Brasil.

E o que acontece quando eu estou mortinha desse jeito? Só compro comida pré-pronta, o que aumenta a banha e diminui o saldo bancário. Não tenho ânimo pra estudar holandês, o que me faz sentir mais o cocô da pulga do cavalo do bandido ainda, e no trabalho mais pareço uma doida com milhões de listinhas pra todos os lados tentando fazer tudo ao mesmo tempo. E numa empresa holandesa, não tem NINGUÉM tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Eles trabalham firme, não ficam de conversa, e fazem o máximo que podem, mas não suam uma gota, não descabelam um fiozinho, o que der pra fazer deu, o que não der... helaas! Preciso dizer que ando parecendo um ET aqui dentro, toda esbaforida?

Mas há luz no fim do túnel. Em exatamente 1 mês eu estarei na beira da praia, tomando caipirinha de caju e ouvindo A Glamourosa ( oh, nãããão!!! ). Estou até começando um bronzeadinho artificial básico pra dar uma preparada na pele e não fritar quando chegar na terrinha.

E hoje é sexta!!! Viram como Deus existe!



Adriana às 1:26 PM ..........

dinsdag, november 07, 2006

Ao povo português que veio parar nesse site

Aos de boa fé, bem vindos, aos de nem tão boa fé, vão pentear macacos!

Olha, eu acho uma ignorância sem tamanho esses portugueses que vem aqui reclamar da brasileirada em Portugal, e principalmente dos que reclamam das prostitutas e travestis em Lisboa. Alguém aqui já viu neguinho vendendo casaco de lã na praia de Ipanema em Dezembro? Não né? Então, se as "prostis" e travestis brasileiros não tivessem clientela, eles não estariam lá! Quero morrer de catapora quando vem italiano, português, espanhol reclamar dos travestis. Se eles estão nos seus países, é porque eles TEM CLIENTELA. Um pouco de humor negro: se eu fosse homem chegado num travesti, eu ia mais é querer um traveco brasileiro com pernão, peitão, e outros ões, e não um chinesinho mirrado. Ha ha ha... Tá vendo como no fundo os portugueses são inteligentes? Até eles reconhecem a superioridade do produto brasileiro...

E vamos falar mais. E isso serve para qualquer país da Europa. Tem caçadora de gringo no seu país? Mulheres pobrezinhas que acabam se casando com um europeu pra viver melhor do que viviam no Brasil? Ué minha gente, ninguém casa consigo mesmo. O padre e o juiz de paz perguntam: europeu, você quer casar com a Dita Brasileira? E o gringo pode dizer não! Casou forçado? A Dita Brasileira enganou o coitadinho do gringo? Ah, façameofavor... Gringo vai pra praia em Fortaleza procurar brasileira ou para o campus da Unicamp? Ele sabia muito bem o que queria.

Ah, mas e os brasileiros ilegais? E quem dá emprego para os brasileiros ilegais? É o nativo, né não? É o português, é o inglês, é o italiano. Brasileiro nenhum vai penar debaixo de neve na Alemanha para ficar olhando estátuazinha em praça ou ficar admirando as árvores da Floresta Negra. Eles vão pra trabalhar, ganhar euros, voltar pro Brasil. Se para começo de conversa o gringo fizesse tudo bonitinho e contratasse só quem tem visto, ou os "nativos" e pagasse o salário mínimo ( ou equivalente ), com impostos, seguros, taxas, etc e tal, não haveria emprego pros ilegais. Mas gringo também quer passar a perna no governo, né não? E depois falam que só brasileiro quer dar uma de espertinho...

Mas o negócio é esse minha gente, cada um tem que assumir a culpa que lhe cabe. Nosso governo é sim uma bosta por deixar o povo numa condição tão deplorável que neguinho prefira tentar a sorte no exterior, passando frio, sem entender patavinas, morando em muquifo, com saudade da família. TODO MUNDO adoraria morar na sua cidade natal, com seus parentes e amigos, com seu emprego bonitinho, comer manga e bife de contra-filé, assistir A Senhora do Destino e Faustão. Se imigram ilegalmente, é porque o negócio vai mal, muito mal. Mas por outro lado, a gringaiada tem que colocar a mão na consciência e assumir sua "enfiada de pé na jaca". Quer tirar as prostis da rua mais bonita da sua cidade? Legalize! Sindicalize! Imite a Holanda, que criou uma atração turística ( quem aqui veio pra Holanda sem ir visitar o Red Light District ?) e ainda cobra impostos das "moças". Quer diminuir a quantidade de imigrantes ilegais? Puna pesadamente quem os empregar! Coloque vigilância mais rigorosa nos aeroportos.

Existe "gente ruim" em todos os países? Sim. E é muito burro quem for criticar o outro. Tem sim muito brasileiro sacana no exterior. Brasileiro que cobra por um serviço e foge com a grana. Brasileiras que trabalham como doméstica e quando decidem voltar ao Brasil fazem a "limpa" na casa do gringo. Tem muito brasileiro sacana sim. Masssss... tem mooooito grigo sem-vergonha. Tem mooooito gringo que vai pro Brasil a procura de menininhas de 8, 10, 12 anos pra transar. E isso minha gente, é medonho. É medonho que nosso governo não consiga acabar com essa coisa absurda, mas é medonho que um homem queira fazer sexo com uma menina pobrezinha, morrendo de fome, de 8 anos. Hediondo.

Ao anônimo que fez o infeliz comentário sobre mineiros e paranaenses:

Vamos primeiro retirar um pequeno trecho do Wikipedia sobre Minas Gerais?

Os portugueses

Os descendentes de portugueses formam a maioria da população mineira. Os primeiros portugueses chegaram à região das Minas Gerais ainda no século XVII, porém só chegariam em grande número no século XVIII. Com o fim da Guerra dos Emboabas, os portugueses passaram a monopolizar as minas de ouro, o que atraiu pessoas de todos os cantos da colônia e principalmente de Portugal. As notícias sobre as riquezas encontradas no Brasil se alastraram por Portugal, trazendo um enorme contingente de lusitanos para a região das Minas.

A região do Minho, situada ao Norte de Portugal, estava sofrendo uma crise de superpopulação e desemprego. Isso contribuiu para que a maior parte dos portugueses que chegaram em Minas Gerais fossem minhotos.[2] Apesar de pouco estudada, a imigração de minhotos para as Minas Gerais no século XVIII foi um dos maiores fenômenos imigratórios da História. Além do Minho, vieram colonos da Beira Alta, Alto Trás-os-Montes, dos Açores, etc.

No século XVIII, havia portugueses de diversos segmentos em Minas Gerais: desde os ricos mineradores escravagistas, passando por comerciantes e chegando em mendigos miseráveis ( mendigos miseráveis em Portugal? Ah, isso nunca... ). O processo de miscigenação em Minas Gerais foi intenso: os portugueses mais pobres rapidamente se misturavam com mulheres negras e mestiças. Os homens de famílias mais ricas se casavam com mulheres portuguesas ou com brasileiras brancas de origem portuguesa ( o preconceito é coisa antiga, então ). Todavia, havia um crescente número de mulatos, filhos de pai português e mãe africana
.

Gostaria portanto, caro amigo português autor de infeliz comentário acerca dos mineiros, que você engolisse suas palavras uma por uma. Leia tudo o que a página do Wikipedia tem a dizer sobre esse estado, e não somente este trechinho. Boa refeição.

E não vou nem "googar" Paraná pra você. Só vou te dizer que Curitiba é linda de doer. O relógio das flores, a Ópera de Arame, a prática Rua 24 Horas, o M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O Madalosso, o Cascatinha, o Picanha na Tabua. Ah, minha cunhada e meu sobrinhos são Curitibanos. Ela formada em Assitência Social e meu sobrinho o segundo melhor aluno da classe dele.

Vale ainda dizer, caro amigo, que o PIB desses dois estados somados ( cerca de 150 bilhões de dólares ), se equivale ao de Portugal inteiro.

PS.: Tive uma conference call com o gajo hoje às 10, mas sei que o diretor dele ainda não conversou com ele. Sabe o que ele fez? Me mandou o numero do conference call mas não me mandou o pin code. Fiquei feito uma idiota ligando no celular dele para pegar o pincode, mas claro que estava desligado ( ou no vibracall ). Por fim, ele me disse "sorry esqueci" e eu não participei da conference call. Que raiva!


Adriana às 11:08 AM ..........

maandag, november 06, 2006

Minha gente, desangustiei!

Falei com meu diretor. Peguei o e-mail de baixo pra cima, explicando cronológicamente como aconteceu. Ele já achou o fim da picada o gajo ter dito que eu devia pedir "permissão" para mandar um update. Eu continuei lendo. Quando chegou na parte da "baixaria" em cima, meu diretor ficou branco. Disse que não só é discriminação de nacionalidade, mas também discriminação contra mulheres. Disse que o negócio é muito sério e que qualquer decisão que eu tome, preencher a reclamação formal ou pedir para que ele ( o diretor ) trate diretamente com o diretor do gajo, terei o apoio total dele.

Gente, que alívio o "problema" ter sido levado a sério sem eu ter que dar mil explicações e satisfações. Que alívio saber que eu não sou louca de ter me ofendido com o e-mail do gajo, que outras pessoas também o acharam ofensivo. Olha, estou sem palavras para descrever como estou aliviada e, embora não devesse, surpresa com a reação tão absolutamente correta e profissional do meu diretor. Ele levou a sério minha "reclamação", pode ser que depois que eu saí da sala ele até tenha relido o e-mail, mas pelo menos na minha frente, não duvidou da minha "retidão" nem um segundo.

E repetiu mil vezes o que eu já me repeti mais de mil vezes: como o sujeito pode ser tão burro de colocar isso num e-mail, por escrito? Falar por telefone pode até acabar ficando o dito pelo não dito, mas escritinho preto no branco????

Eu sei que o gajo vai dizer que foi uma piada e que eu entendi mal, e eu já falei pro meu diretor: ele vai dizer que foi brincadeira, mas querem saber? Eu não me importo! Primeiro porque até meu diretor falou que mesmo que fosse uma brincadeira seria de péssimo gosto, mas na verdade, eu não me importo porque eu não quero "ferrar" o gajo, eu só quero que ele saiba que não está falando com uma qualquer, e que eu não vou tolerar esse tipo de comentário. E que daqui pra frente ele vai ter que tomar muito cuidado em como me trata.

Agora cá pra nós... como toda mulher ofendida, eu também tenho meu lado barraqueira rodadora de baiana, e queria ser uma mosquinha pra ver a cara do gajo quando o diretor dele falar com ele. Deus, tenha piedade de mim e não me castigue, mas sou humana e só eu sei o fim de semana de cão que eu tive.


Adriana às 3:33 PM ..........

Meleca!

Estou aqui no trabalho sem conseguir me concentrar. Enquanto eu não resolver a parada com o português eu não vou conseguir terminar tudo o que preciso hoje. E meu diretor está numa reunião sem hora para acabar. Que angústia.

Sabe, eu leio e releio a mensagem do português e fico me perguntando o que é que eu fiz pra ter merecido tal tratamento. Mas essa é a natureza do preconceito, não é? Ser "mal-tratada" por uma idéia pré-concebida que alguém tem a respeito da sua nacionalidade, sexo, cor, etc... Portanto, lógicamente, eu sei que desde que começamos a trabalhar juntos o moço já estava meio que de nariz torcido, e daí pra descambar pro que descambou, foi só um pulinho. E eu fico: burra burra burra, pois nesses 2 meses trabalhando com o gajo eu não conseguia entender porque tanta resistência dele, porque tudo era tão difícil, até meu diretor numa reunião comentou, o que está acontecendo com o fulano? Era isso, ele estava trabalhando comigo contrariado, e não só porque estava com medo de ser "ofuscado" por outra pessoa, mas com medo de ser ofuscado e ainda por cima por uma brasileira! Eu acho que o fato de ser ofuscado por uma brasileira o incomodava mais do que o fato de ser ofuscado em si. Que pobreza de espírito.

E eu, idiota, aguentei tudo sem dar um pio. Minha colega de trabalho, holandesa de pavio curtíssimo, falou um milhão de vezes para eu ir falar como nosso diretor. Quando eu estava em Munique, na reunião com o fornecedor, o português primeiro me mandou ficar quieta quando eu falei pro fornecedor que se o gajo não estivesse disponível ( ele ía ficar 2 semanas em Stuttgart ) o fornecedor podia ligar para mim. Minha gente, o gajo disse: Adriana, don't say that, they will send an e-mail and I will contact them back" na frente do fornecedor! Me passou o maior cala-boca na frente do fornecedor, e eu fique quieta. Meia-hora depois, a bateria do laptop dele ía acabar e o recarregador do meu lap não servia no dele, ele simplesmente me mandou ir debaixo de chuva no outro prédio pegar o recarregador, como se eu fosse empregada dele! Gente, e eu fui!!!!!! Burra burra burra. Se eu tivesse batido o pé alí, ele teria visto que eu não sou tão bobinha quanto pareço. Mas eu sou muito burra mesmo, sabe o que eu fiz ao invés de bater o pé? Liguei de noite pra FH e choreeeeei... Burra burra burra.

No fundo, nós brasileiros ficamos sempre com medo de "nos prejudicarmos" caso sejamos envolvidos nesse tipo de coisa. E também, se eu não reclamei antes, foi porque eu acho o fim da picada, ir pro meu diretor, que é na verdade também controller da unidade de Eindhoven toda e portanto tem um zilhão de coisas nas costas dele, reclamar que o fulano está me tratando mal. Parece coisa de pré-escola. Mas se eu soubesse que o caldo ía entornar dessa forma... Mas como eu posso ser prejudicada se eu estou aqui tentando aos trancos e barrancos aguentar as desfeitas do gajo, sem incomodar ninguém, e ainda tendo que aguentar essa baixaria? Ele me ofendeu!

Mas o pior mesmo é que seu eu não reagir agora, o cara vai continuar fazendo o mesmo ou até pior, e vai acabar é prejudicando minha imagem com meus outros colegas. Eu já ensaiei mil vezes o que vou falar pro meu diretor, pois não quero soar como uma coitadinha lamurienta, quero parecer segura e profissional, mesmo que por dentro eu esteja fervendo de raiva, insegura de que esta seja mesmo a melhor saída. E já imaginaram o pesadelo que vai ser ter que trabalhar com esse gajo daqui pra frente? Vou adotar minha melhor imitação de holandesa-bitch e fingir que nada aconteceu...



Adriana às 12:03 PM ..........

zaterdag, november 04, 2006

Cansada e chateada

Esta semana que passou foi pauleira, e terminou tão mal que eu nem tenho vontade de contar.

Segunda-feira terei que fazer uma queixa de "discriminação" para o meu diretor, e o negócio foi tão chato que até minha colega de trabalho disse que se eu não for falar com nosso diretor, ela vai.

Lembram do portuga de Munique com quem eu estou tendo que trabalhar e que está me dando o maior trabalho? Pois então, o bafo foi com ele.

Semana passada um diretor me perguntou no corredor como está indo o contrato que estamos negociando, e me pediu para fazer um e-mail update semanal. Eu sou responsável por manter o pessoal de Eindhoven informado e o portuga em teoria é o contato principal com o fornecedor. Pois bem, sexta-feira às 4 da tarde me lembrei do tal update, e fiz um e-mailzinho de meia dúzia de linhas, falando que entramos num acordo, o contrato está sendo redigido e vai na semana que vem pro Japão pro fornecedor aprovar ou não.

Eis que um minuto depois recebo um e-mail do portuga perguntando quem me autorizou a dar um update pros diretores. Detalhe: o portuga NÃO é meu superior, tem o mesmo cargo que eu. Eu respondi educadamente que o diretor fulano havia me pedido um update e que seria ridículo eu pedir "permissão" dele para escrever um e-mail pro cara que pega o elevador todas as manhãs comigo.

Até então tudo ía em inglês e com cópia para a minha colega de trabalho, que a essa altura não se conformava de quão ridículo o portuga estava sendo. Ele me manda então um em português: sabes qual a diferença entre um português e uma brasileira? E eu, pensando que ía vir alguma piadinha sem graça mas inofensiva, respondi: além do óbvio que ele é homem e ela é mulher? E ele responde: enquanto o português trabalha, a brasileira samba fazendo um show, mas no dia seguinte enquanto o português continua trabalhando, ela vai embora com as mão vazias, porque só teve a oportunidade de fazer um show.

Isso minha gente, é discriminação. Ele poderia muito bem dizer que não gostou de eu ter enviado o e-mail pros diretores porque os diretores podem pensar que eu estou trabalhando sozinha. Seria pobre da parte dele, mas eu até entenderia. Eu trabalho num unidade técnica, tem uns 30 engenheiros uns 30 "administrative" como eu, e uns 60 gerentes e diretores. Metade do prédio é gerente ou diretor. Eu estou em reuniões todos os dias com diretores, natural que o diretor pergunte para mim e não para o portuga que está lá em Munique o que está acontecendo com o contrato tal.

Eu decidi que não vou preencher uma queixa formal no RH, mas vou falar com meu diretor. Vou falar porque não fiz nada para merecer esse tratamento, e mesmo que tivesse tentado passar a perna nele, ele deveria ter conversado comigo de forma profissional, e não com uma baixaria dessas. Nunca quis acreditar que os portugueses se ressentem tanto dos brasileiros, e nem quero pensar que todos são assim, mas daqui pra frente terei meu pézinho bem atrás com esse povo. E vou deixar bem claro que não vou tolerar ser tratada dessa forma. Aqui na Holanda meus colegas de trabalho são super legais, e gostam tanto de trabalhar comigo que um dos gerentes da engenharia foi pedir pro meu chefe para deixar eu mudar para uma mesa no departamento deles, porque eu me adaptei bem no "time" e estava ajudando muito. Eu, que não me lembro de jamais ter sido discriminada na Holanda, fui ser discriminada por um português, que fala a minha língua e foi fã da novela Roque Santeiro.

Estou me segurando para não falar cobras e lagartos desse povo, afinal, não é porque um é cretino que todos são. Mas não posso deixar de me perguntar de onde vem essa arrogância toda, se a Europa toda se refere a eles como os pobrezinhos, caipirinhas, pouco evoluídos, de quem os demais países da comunidade tiveram dó e acabaram aceitando porque afinal, a comunidade também precisa de quem faça certos servicinhos braçais.


Adriana às 10:30 AM ..........

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Adriana, 33 anos, paulista, casada com o holandês Bart, morando em Eindhoven desde maio/2003. Clique no link abaixo para saber como vim parar aqui


.Como imigrei para a Holanda

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