maandag, mei 30, 2005
Admirável mundo novo
Fico cada vez mais abismada com a quantidade de pessoas que está deixando a vida passar pela janela enquanto elas estão online. E o pior é que tentar alertá-las disso é que nem falar com drogado: eles jamais enchergam o "vício", não tem nada de mais, você está exagerando.
Quando comecei a "internetar" achei a coisa mais fantástica do mundo. Como era fácil conhecer gente do mundo inteiro através da telinha. Conheci Bart pela internet, então não tenho do que reclamar, né? Quando mudei pra Holanda, teria enlouquecido sem a internet. Conheci TODAS as minhas amigas brasileiras morando na Holanda através do blog, elas me ensinaram coisas básicas, como onde achar leite-condensado, falava com a Thalita no Brasil o fim-de-semana inteiro, e via minha mãe, meus sobrinhos, minha gata, tudo pela webcam.
Mas de repende me dei conta que passava a manhã inteirinha lendo blogs. Algumas coisas legais e muito, muito trash. A manhã inteira tornou-se a manhã inteira mais meia tarde. A vida estava acontecendo do lado de fora eu eu ali, conectada ao "mundo". Mas que mundo? Decidi tomar controle da minha vida. Me dei um limite pra internetar. No começo estipulei 1 hora pra blogs e 1 hora pra assuntos gerais. Criei assim prioridades. Muitos trash-blogs que eu lia foram preteridos em favor dos blogs melhores. Quando comecei as aulas de holandês diminui ainda mais este tempo. E não morri.
Hoje eu vejo gente vivendo vidas totalmente digitais. Suas melhores amigas nunca foram vistas olho-no-olho, os cafezinhos são virtuais, os ombros pra se chorar também virtuais. Na minha família mesmo tem gente que "virtualmente" está cheio de amigos, mas se você perguntar a essa pessoa a quanto tempo ela não vai a um barzinho jogar conversa fora com uma amiga, vai ficar chocado com a resposta. Acho isso muito, muito, muito triste mesmo.
Conheço muita gente via internet. São colegas virtuais. Muitos um dia vão virar amigos reais, como viraram Claudinha, Alice, Holandesa, Bia, Naldy. Outras desaparecerão no mundo, suas vidas tomarão outros rumos. Paciência...Minha porta virtual estará sempre aberta, só não haverá mais cadeira na varanda, lã e agulhas pra "tricotar". Não vou mais permitir que minha vida seja invadida novamente por um mundo que não existe. O computador nas minhas mãos continuará sendo apenas uma maquininha que eu ligo pra mandar e-mail pros meus amigos, pra achar passagem de avião mais barata, pra entrar no meu blog e dar vazão aos meus loucos pensamentos.
Pra encerrar, deixa eu contar uma histórinha que ilustra bem como este mundo virtual é distorcido. Já no fim do meu relacionamento com o ex as coisas iam tão mal que ele ia pra minha casa, ligava a minha internet, e ficava todos os sábados até às 4 da matina em salas de bate-papo. E eu cochilando no sofá. Como não sou boba nem nada, fiquei logo com a pulga atrás da orelha. Comprei por US$ 9.99 um programinha que gravava cada teclinha apertada. Eu não conseguia ver o que a pessoa do lado de lá estava "dizendo", mas lia tudo o que ele digitava. E nesses batepapos a primeira coisa que se pergunta é como você é. E ele respondia assim: tenho mais de 1,70 ( mas não falava que tinha 1,72 ), sou loiro ( mas omitia que era totalmente calvo ), sou advogado e economista ( mas não dizia que no momento estava desempregado ), tenho um Palio zerinho ( mas não dizia que era dos pais dele ). Ele não mentia, mas também não dizia a verdade. Coisas de mundo virtual. E esse tipo de "meia-verdade" não serve para mim. E você já se perguntou se sua vida digital é "maior" que sua vida real?
donderdag, mei 26, 2005
Pô Claudinha, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa...
Existe um mundo de diferenças entre a mocinha de 20 e poucos anos, recém formada, que deixa o Brasil e vem morar com o namorado e aquela de 30 e poucos anos, com a carreira já estabelecida, uma certa estabilidade financeira já conquistada.
Quem conheceu o blog da Claudia de Fortaleza que morou em Utrecht vai lembrar que quando ela decidiu voltar para o Brasil ela escreveu: Vim porque era recém formada, ainda não sabia muito bem o que eu ia fazer e porque meu pai topou bancar minha aventura. O relacionamento não está legal, não há razão pra ficar. Que grandes riscos ela assumiu ao deixar as coisas no Brasil e vir pra cá?
Qui nem ocê, Dona Cráudia. Bolsa de Estudos pra fazer mestrado nas Zuropa, papis dando cartão de crédito pra quando o dinheiro da bolsa não desse, e Barriguinho de braços abertos só cantando: "vem meu amor, vem meu Xuxu, vem bem pertinho fazer glu-glu"... Até eu que sou boba teria levado exatos 2 segundos e meio pra decidir vir.
Mas em casos como o meu, que tinha um emprego legal, Eliecy que é funcionária pública com salarião, Naldy que já estava deslanchando na carreira e de quebra tinha 2 filhos pra trazer, é uma decisão difícil.
Quando Bart me "chamou" pra morar com ele, era véspera de feriado, eu desci pra praia sozinha e fiquei pensando 4 dias. Voltei e falei: olha, eu sei que eu sou adulta, deveria tomar uma decisão e assumir os riscos, mas estes riscos são muito altos. Se eu largar meu emprego aqui e algo não der certo na Holanda, eu não me adaptar, sentir muita falta da família, ou nosso relacionamento não der certo, vai ser muito difícil eu encontrar emprego de novo, vai levar tempo, e eu não tenho ninguém pra me bancar aqui. Se for esperar ajuda do meu pai, vou morrer seca, e embora minha mãe vá fazer tudo pra me ajudar, eu não quero depender dela.
E fiz a contra proposta: venha você. Eu te banco até você achar um emprego caso a Philips não possa te transferir. E ele pensou, pensou e amarelou. Disse que não tinha coragem.
Foi aí que veio a idéia do casamento e do pre-nup. Fizemos sim um acordo financeiro pra garantir que eu pudesse me preocupar somente com o "emocional". E o casamento de papelzinho passado e tudo deu tranquilidade pra minha mãe, facilitou o pre-nup ( como fazer um pre-nup sem núpcias ).
E Claudinha, larga a mão de ser canguinha, sô! Já deu boca livre pra 100 neguinhos na sua formatura, pro casório há de ser mais de 500. E tem que ser chiquérrimo, que nem de Ivete Sangalo. Quero comer acarajé servido em porcelana limoges e beber Pitu em Baccarat.
woensdag, mei 25, 2005
O que fazer?
... Fico muito feliz que as coisas finalmente entraram nos eixos para você. Para mim é um estímulo. Lembro-me uma vez de suas palavras: "Com um emprego desses meninas aí no Brasil, eu não viria não??!!! Era melhor ele ir!!". Hoje, perguntaria a você, depois de muitos trancos e barrancos se teria a mesma opinião. Bom, definitivamente ainda não sei que atitude tomar, mas que estou motivada pelas conquistas de todas vocês, sinceramente estou.
Eliecy, em comentário ao post do dia 23
Eu ia mandar um e-mail para a Eliecy, mas já que ela deixou o comentário no sistema aberto, acho que não há nenhum mal em respondê-lo aqui.
Eliecy me escreveu a mais de um ano com a dúvida: abandonar o emprego para viver com o namorado aqui ou não? E no caso da Eliecy não é um emprego qualquer não, é O EMPREGO, funcionária pública, ela deve ser muito inteligente, pois tive amigos que estudaram anos e não passaram no concurso. Anyway...
Naquela época eu respondi: não venha, peça para ele tentar aí primeiro. Eis o porque do comentário dela. Aí então minha resposta.
Não venha! Não venha, não venha e não venha! Só quem passou por este caminho super árduo pode te dizer com tanta firmeza como eu te digo. Estes 2 anos foram muito difíceis, não só para o meu relacionamento com FH, mas para a minha auto-estima, para a minha família que se preocupava no Brasil, para a minha saúde que sofreu muito com os altos e baixos emocionais, depressão. E para te dizer a verdade eu dei muita sorte de ter achado um emprego legal na minha área, tenho outras amigas até mais qualificadas do que eu ainda na luta. Veja Naldy com dois diplomas, Ana Paula com doutorado. E hoje mesmo tinha uma reportagem no Jornal Metro sobre a resistência que se está criando no mercado de trabalho contra os estrangeiros.
Para quem estava acostumada a trabalhar e nunca foi muito chegada aos afazeres domésticos, estes dois anos foram o purgatório. Porque quando você trabalha "fora", tem sempre um elogio ao trabalho bem feito, ou um relatório que mostre como você é competente, e mesmo que não tenha nada disso, tem o seu salário no fim do mês para te recompensar os esforços. Quando você está em casa, bobeou trabalha até mais do que se estivesse num escritório e raramente recebe um elogio. Ninguém diz: ai, que camiseta bem passada, ai que banheiro limpinho... Quando muito um elogio pela comida, e acho até que era por isso que eu cozinhava tanto: carência de elogio.
Mas e se mesmo assim você ou quem estive em situação semelhante quiser vir?
Case! Primeiro passo. Holandês sempre mora junto antes, legalmente o "juntado" tem muitos direitos, mas tem mais que casa. E tem o fator psicológico: na hora do aperto, não tem essa de cada um pro seu lado, e fim de papo; eu acho que no fundo as pessoas se aplicam mais no relacionamento quando se é casado. Podem me chamar de quadrada, mas essa é minha opinião, ué.
E tem outra vantagem de casar: contrato pré-nupcial. Tudo no papel, preto no branco, nada de promessinha "de boca". Se você está largando seu emprego, sua família, seu país, você tem sim que ter uma recompensa caso o relacionamento não dê certo, afinal o belezura não teve peito pra largar tudo e ir pro Brasil, né? E tem outra coisa, se o relacionamento não der certo ele pode te despachar pro Brasil em 30 dias, e você vai ter que recomeçar sua vida, procurar emprego, se livrar de inquilino... Então o que fazer?
Dar uma de Catherina-Zeta-Jones. Se não dá pra pedir uma bufunfa pra te ajudar a recomeçar caso vc tenha que voltar pro Brasil, estipule uma pensão por um ano ou menos se vc achar emprego antes. Faça ele aumentar o seguro de vida e te deixar como beneficiária em caso de morte.
Tem gente que acha que fazer pré-nup ou pensar tanto na parte financeira é deixar o amor em segundo plano. Muito pelo contrário. Eu acho que é a maior prova de que seu sentimento é verdadeiro, afinal, se com toda a parte financeira assegurada você permanecer ao lado dele é exclusivamente porque o ama, e não porque não "quer voltar com uma mão na frente e outra atrás" como a gente cansa de ler nos OrKuts da vida.
Wow
Sim, fiquei surpresa com o meu salário. O negociado por ano, dividido por 12,2 ( não me pergunte porque ) e ainda esse mês eles pagaram as férias, e embora eu só tenha direito a 1/12 das férias, já foi uma graninha a mais. Dinheiro na conta uma constatação: não sou mais solteira, dona do meu nariz, dona da minha bufunfa. Vou sim tirar uma graninha para coisas fúteis, mas de resto vai tudo pro "pot" e eu e FH veremos o que fazer com a grana. A gente sempre fez assim desde que casou ( só com a renda dele ), e agora que eu também tenho salário não é justo dizer "ah, mas este é meu".
E o piso tá indo. Tá certo que ainda não chegou no canto complicado, mas de hoje não escapa. Temos que tirar duas portas do lugar para cortar depois, e nem sabemos como fazer isso. Até agora não tive que ajudar, mas esse findi eu não escapo: se eu quiser ver minha casinha com piso terei que colocar a mão na massa. **suspiros**
E porque tá todo mundo agora, 3 anos depois, fuçando o processo de naturalização da Máxima? Hoje Verdonk falou que o processo dela foi legal, e eu só queria saber quem mais em toda a história deste país recebeu naturalização em 8 dias. Pior cego é o que não quer ver.
E eu ando com uma fome anormal. Tenho tenho tenho que ir ao médico. Esse sangramento não pára, uma fome descomunal e vivo cansada. Eu que nunca fui de dormir em trem fecho os olhos em Duivendrecht e se bobear passo direto por Eindhoven. Já imaginou, acordar na fronteira com a Bélgica?
Este fim de semana me porei a cortar a grama e a cerquinha. Rolarão fotos com certeza. Ontem achei meu cabo USB do telefone, logo as foteeeeenhas estarão aqui.
maandag, mei 23, 2005
Num tô me aguentando!
Gente, acabei de receber o meu primeiro holerite. Ai que curiosidade. Para quem não sabe, salário aqui é negociado por ano, fulano ganha 40 mil euros por ano, ciclano 33 mil euros por ano, aí tem as férias ( normalmente 8% deste valor ) e ainda tem empresas que tem "participação nos lucros por performance". Eu ainda não vi empresa que dê tanto benefício como a Philips, quem sabe um dia...
Mas então, o holerite está aqui na gaveta. Eu não abri porque estou com vergonha, pois ninguém tampouco abriu. Fiz a mesma cara "blasé" que todo mundo fez, mas por dentro estou me corroendo. Juro que vou guardar este holerite para sempre, meu primeiro em Euros, o primeiro depois de tantas entrevistas e tantos NÃOS.
Acho que sou meio boba, mas só quem passou por esta dificuldade sabe do que eu estou falando.
Aliás, como tem gente olho-gordenta nesse mundo mesmo, hein? Lembram da Equatoriana que foi jantar em casa logo que eu mudei? Pois então, encontrei com ela outro dia e ela está separada do namorado, ainda estudando em Delft, não conseguiu uma empresa pra fazer a tese, então está fazendo na faculdade mesmo, não passou na seleção da Shell, está aqui a 4 anos e ainda não fala patavinas de Holandês, e quando eu falei que estava trabalhando, que tinha feito o curso de holandês da ROC, que mudamos de casa a bichinha me lançou vibes tão pesadas que eu podia sentir meu estômago queimando. Xô olho gordo!
E FH ainda está dando trabalho com o lance do piso e o horário que eu chego. Paciência, vai ter que acostumar. E quanto ao piso, é como disse a Alice: sim é sim e não é não. Eu já havia dito que NÃO ia ajudar. Ele está fazendo toda a chantagem emocional possível, e eu burra de vez em quando caio. Ontem ajudei a trocar móveis de lugar, e só. Ele ficou P da vida, falou que os amigos dele não se conformam de eu não ajudar. E eu respondi que meus amigos não se conformam de ele não pagar para colocarem. E fui pra banheira. Caramba, já fazem 20 e tantos dias que eu coloquei o tal DIU e ainda não parei de sangrar! Também, dois dias depois da "anestesia" eu estava pintando a sala toda sozinha, agora carregando móveis. Não ajudo, não ajudo e não ajudo. E não terei dor na consciência.
zondag, mei 22, 2005
Móóóóro em Eindhoven, se eu perder este trem, que sai agora às 11 horas, só amanhã de manhã...
Fazia muito tempo que eu não via a Claudinha. E ela foi ao aeroporto buscar barriguinho e como eu trabalho do ladinho nos encontramos. Era pra eu ter voltado no trem das 8, voltei no das 9:30. E cheguei em Eindhoven depois das 11. Ônibus só de 30 em 30 minutos e eu tinha acabado de perder um. Claro que peguei um táxi e 11 euros mais pobre cheguei feliz e sorridente em casa. Não liguei pra FH porque ele já estava na caminha, e chovia e fazia um frio do cão.
E qual é a vantagem de se ganhar dinheiro e não ter como gastar. Sim minhas amigas, eu estou num limbo geográfico. Pra comprar alguma coisa tenho que sair "no apito" e voar pra Amsterdam e não me perder ou pegar o bondinho errado. Eindhoven nem pensar. Sábado fui ao Winkelcentrum e amei uma túnica bordada da DIDI. Não resisti: comprei uma cor de goiaba. Linda linda linda. Chique no úrtimo. Acho que vou ao casamento de Holandesa com ela. Massssssss... saindo da loja vi a branca. Não tive coragem de pagar outros 60 euros, mas não consigo tirar a bendita da cabeça. Resolvi que vou comprá-la e dane-se. Mas como e quando? A loja só abre até as 5 da tarde, eu só chego às 8 da noite, e sexta ( noite de compras ) já vai ter acabado. Só chorando mesmo.
Ah, uma idéia brota-me na mente. U-hu
De resto vai tudo bem. O chão ainda tá naquelas. Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada, ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão...
E tirei o sábado pra mercadar. Comprei um quilo de entrecote ( contrafilé ), que já foi devidamente temperado e dividido em plastiquinhos de 3 em 3. Mais um quilo de bistequinhas de porco ( ribcarbonade ) que foram temperadas e divididas em plastiquinhos de 4 em 4. Agora falta fazer o 1 quilo de lombo com molho agridoce ( dá 3 porções ) e cortar o 1/2 quilo de frango em cubinhos pra refogar com legumes. Tenho carnes pra mais de um mês.
Agora irei cuidar da roupa, tenho que deixar 5 mudinhas prontas pra semana. E dar uma geral nos banheiros. A grama do jardim tá com meio metro, fora de brincadeira. Mas a vida continua. O sol tá brilhando e eu estou feliz. Tão feliz que dói.
Acho que vou comprar dois hamsters pro FH no aniversário dele. Ele tem vontade de ter hamsters, e embora eu ache nojento, sem o rabo até que dá pra encarar. Temos que achar uma pet-sitter pras férias no fim do ano. Será que ele vai gostar? Sei não.
Agora me vou que está um dia muito lindo pra se ficar em casa no computador. Fui!
donderdag, mei 19, 2005
Quase um mês depois...
Eu queria nestes quase 30 dias de trabalho ter escrito mais sobre as diferenças que encontrei no ambiente de trabalho comparando com o Brasil, mas pra falar a verdade não tem muitas não. Acho que já vim de uma empresa que não correspondia muito à media brasileira, né? Só acho o pessoal menos formal, principalmente no se vestir e mais diretos, tanto no dia-a-dia com os colegas quanto no relacionamento com os fornecedores.
Sabe, agora que estou trabalhando eu vejo que a grande batalha é mesmo o primeiro emprego. Depois que você está trabalhando mudar de um canto pra outro é muito, muito mais fácil. Vejo o povo aqui mudando de empresa direto. Tem holandês que reclama que está muito mais difícil hoje do que no passado, mas se isso é o difícil, antes devia ser a festa do caqui. E eu nem comento pro pessoal aqui da minha dificuldade de encontrar o tal primeiro emprego, eles simplesmente acham que quando eu terminei o inburgering mandei uns CVs e logo consegui. Noto muito mais oportunidades para estrangeiros que ainda não falam holandês aqui pro Norte. Todo mundo está mais acostumado a viver perto de estrangeiros, e não só dos imigrantes pobrezinhos, mas também dos executivos, corporate-expat, estudantes universitários / mestrandos / doutorandos, etc. O negócio se você mora fora da Ranstad é fazer o que eu fiz: começar sua carta de apresentação dizendo que você está procurando emprego na cidade tal porque está de mudança para a região.
E o negócio de começar por baixo? Ainda não formei minha opinião sobre o assunto. Apesar de eu quase ter enlouquecido ficando em casa sem fazer nada, acho que no fim fiz certo de esperar o emprego na minha área, mais ou menos na posição que eu ocupava. Conversando com a menina do RH ( que saiu da empresa na semana passada ), ela me falou que esse negócio de trabalhar de qualquer coisa para passar o tempo, ou o tal lance de `não tenho problema em começar de baixo` não é muito bem visto pelos profissionais de RH não. Mostra falta de objetivo, foco na carreira. E pode indicar que o profissional participou de vários processos de seleção e foi rejeitado. Ah, se ela soubesse¿ No fim, eu esperei dois anos, um ano a mais do que eu inicialmente achei que ia lever, mas não comecei como junior. Se eu tivesse começado como junior levaria 3 anos ou mais pra chegar onde estou agora, e se tivesse começado como assistente de compras teria levado 5 anos. Estabelecemos meu plano de carreira aqui e se daqui a 1 ano eu estiver desenvolvendo do jeito que eles esperam eu serei promovida a senior. Talvez para algumas pessoas cargos não sejam importantes, mas quando sua carreira é sua prioridade como é para mim, é meio deprimente depois de todos os sapos engolidos no Brasil voltar aqui na estaca mais ou menos zero. É por isso que eu agradeço todos os dias por ter achado este emprego. Não me importo com a distância, não me importo de acordar tão cedo. Venho e volto sorrindo. O fato do pessoal aqui ser legal e do trabalho ser muito dez é mais um "plus".
Sei que a realidade de cada um é diferente, existem necessidades diferentes pra cada um. Eu não tinha que pagar aluguel nem contas todo fim de mês, mas nem por isso a espera foi fácil. Talvez tenha sido um luxo a que me dei esperando o emprego que eu queria, mas na verdade nada muito interessante apareceu antes. Se alguém hoje me pedisse conselho eu não sei o que diria. Talvez diria que façam uma das coisas que eu fiz: não deixe passar um dia sem abrir o monsterboard.nl, o askjim.nl, e todas as fontes de emprego possíveis. Ficar em casa plantando florzinha, criando barriga ( no meu caso bunda ) é pra quando a gente tiver velho devagar-quase-parando. FH tá lá estranhando de monte não ter mais jantinha quentinha às 7 da noite, não ter roupinha passadinha nas gavetas, mas nisso dá-se um jeito. A sensação de novamente receber elogios após um trabalho bem feito, de ver seu trabalho ser recompensado com eurinhos na conta corrente é uma coisa que não tem como explicar. Nada se compara.
woensdag, mei 18, 2005
Londres foi muito, muito legal.
No sábado fui ao Camden Town, só coisa louca. Lembrei muito da Thalita que agora é punk, ela teria adorado! De lá fui pra Portobelo Road, aquela feira livre que aparece no filme Notting Hill. Das outras vezes que fui cheguei pela estação de trem do lado das roupas / comidas, desta vez cheguei pelo lada das antiguidades. Minha nossa senhora, parecia a 25 de março em véspera de Natal. Comprei duas pashminas ( aquele cachecolzinho de viscose ) por 5 pounds pelas duas, aqui na Holanda custam pelo menos 10 euros cada! De lá fui pra Covent Garden. Achei a calça que eu queria na GAP, mas paguei bem carinho. Tinha umas calças em promoção ( de 49 pounds por 19, 99 ) mas nenhuma ficou legal em mim. De quebra achei uma calça pra trabalhar por 10 pounds. GAP por 10 pounds é um achado!
Liguei pro Rodrigo e combinamos de nos encontrar no EROS de Picadilly às 6 da tarde, enquanto isso eu fiquei zanzando no Apple Market de Covent. Na hora marcada encontrei o Rodrigo e a Renata, batemos muito papo, fofocamos sobre a situação de brasileiro mais ou menos legal em Londres e fomos para um PUB. Foi muito divertido.
No domingo a gripe que me ameaçava chegou firme e forte. Durante a manhã eu não me entreguei: fui ao British museum onde vi, entre outras coisas, a múmia de Cleopatra. Vocês sabiam que ela morreu aos 17 anos? Toda aquela crueldade toda quando ela era ainda uma menina, imagina como ia ser aos 30 ou 40? Anyway¿ Fui ai London Dungeon, que seria um passeio perfeito pra Claudinha ¿ ela adora trens-fantasmas. Na hora do almoço eu estava um bagação. Simplesmente peguei meu livrinho e fui pro Hyde¿s Park, ali pelo Speaker¿s corner, onde alugam cadeirinhas. Fiquei lagarteando ao sol que nem a gringaiada a tarde toda. Confesso que poderia ter voltado mais cedo pra Holanda, com a tal gripe tudo que eu queria era estar em casa debaixo das cobertas. Ainda fui dar uma zanzada em Leicester Square onde estavam ensaiando a cerimônia de Premiere do Star Wars. Ia até ter showzinho de luzes, bem legal.
Na segunda estava já tão de saco cheio e com saudade de FH que fui cedinho pro Stansted, comprei um montão de revistas de fofoca e fiquei lá quietinha lendo. Sei da vida de todas as celebridades¿
Cheguei tão baleada que nem fiquei brava com o piso ainda não colocado. É claro que eu terei que colocar a mão na massa. Ele já colocou num pedaço, vai ficar lindo de morrer depois de terminado, mas vai demorar um tempo. O pedaço que está faltando é cheio de cantos, é mais difícil.
Ontem acordei com um febrão de quase 40 graus, fiquei em casa e liguei pra empresa falando que estava doente. Dormi literalmente o dia todo. Acordei 3 da tarde pra tomar uma sopa e colocar umas roupas pra lavar. Dormi de novo até FH chegar. Hoje estou assim meio de ressaca, o cérebro tá difícil de pegar no tranco.
Pensando em todas as opções de coisas pra se fazer e facilidades nas compras, seria legal morar em Londres, mas depois de me acostumar na Holanda, achei tudo lá tão bagunçado¿ Isso sem falar no que tem de brasileiro por lá, minhanossasenhora!
E agora mudando de pato pra ganso. Recebi convitinho de casamento! Que diferente! Preciso fechar a boca e afinar um pouquinho pra caber em alguma roupa legal. Tomara que estaja calorzinho!
zaterdag, mei 14, 2005
Direto de Londres
Oi galera! Estou aqui em Londres. Tudo correu muito bem em Wales, visitei a fabrica ( sem acentos, claro ) dois dias, o primeiro inteirinho de reunioes com uns indianos, no segundo saih de lah as 2 da tarde pra pegar o trem pra Londres. Estes dois dias em Wales fiquei com um Astra zerinho, mas detalhe: com a direcao do lado direito! Cara, quantas vezes me peguei do lado errado da rua, ainda bem que a cidadezinha era bem pacata!
Como supermercado aqui no Reino Unido eh outra coisa, neh? Fui ao Asda e ontem ao Tesco. Comprei ateh calcinhas lah, dois pounds um pacote de 5 de puro algodao. Tah certo que eh ' thong' mas ja estou ateh acostumando.
Hoje vou pra Camden town ver se eu acho uma calca jeans na GAP. Nao vai ser barato mas elas sao muito boas, lindas e a metade do preco de uma Esprit ( que nao me entra ), ou aquelas marcas famosinhas da Bijenkorf.
Vou zanzar o dia inteirinho lah por Camden, Portobelo Road e Notting Hill. Amanha devo ir ao British, ao engracadissimo London Dungeon e encontrar o Rodrigo, amigo de infancia que esta morando em Londres.
Mas vou encerrar com uma constatacao. Eu achei que ia ser o maaaaaaximo estes dias aqui por Londres ' solteira', mas que raio que acontece com a gente depois que a gente casa que quando a gente tah sozinha parece que tah faltando um braco ou uma perna? Tjonge Jonge. To sentindo uma falta da peste de FH. Ele eh chato, crica, mas eh mesmo muito fofo e delicioso de abracar. Tenho que repensar essa minha 'independencia' que eu acho que eu tenho. Adianta estar aqui teoricamente ' aproveitando' se a cabeca tah lah?
zondag, mei 08, 2005
Start spreading the news...
Não, não vou pra NY ( infelizmente ), mas vou passar o final de semana prolongado inteirinho em Londres, e detalhe: SOZINHA! Mas vamos por partes...
O trabalho vai muito bem, estou adorando. Agora as coisas estão começando a ficar do jeito que eu gosto: não tenho um minuto livre. Tive dois anos de minutos livres, tá na hora de correr atrás do preju. Várias coisas acontecem durante o dia que eu penso em colocar aqui, mas o momento passa e eu acabo não escrevendo. Estou achando o ambiente no escritório bem mais informal que na GM, agora eu não sei se na GM as coisas eram mais "joguinho de aparências" ou se no Brasil em geral as pessoas se preocupam mais com roupa, horário de chegada e saída, se vc vai ao café e conversa um pouquinho com alguém... Sem falar que eu estava esperando uma secura total no relacionamento entre o pessoal, mas tem happy-hour, pedalada em grupo, isso sem falar que o povo normalmente almoça junto. É cedo ainda pra fazer teorias, mas aos poucos vou colocando minhas impressões aqui.
Na quarta feira vou pra Wales ( País de Gales ). Uma das principais plantas da empresa fica lá e eu ficarei até sexta. Como na Holanda é feriado prolongado eu esticarei a Londres até segunda, e você pergunta: mas e FH?
FH vai ficar em casa tentando colocar o piso laminado. Malvada eu de escapar justo nessa hora? Vejam se não tenho razão. Falei pra FH contratar colocador de piso. Claudinha contratou e ficou um beleza, e nem é caro. FH sismou que quer colocar ele mesmo. Eu falei que ele pode fazer isso, mas que eu não vou ajudar. Chega de arrastar móveis, melequeira de produtos químicos, pra no fim não ficar nenhuma Brastemp. Tô foríssima. Mas o bicho é teimoso. Como eu não quero ter que pintar a sala em cima do meu piso novo, arregacei as mangas e me propus a pintar a sala. Foram 40m2 de paredes, teto ( odeio pintar teto ) e os malditos cantinhos. Falta uns retoquezinhos mas tá pronta. Com isso eu acabei pintando a casa INTEIRINHA sozinha. FH não colocou a mão no pincel / rolo uma vez. Olhar para tudo pintadinho e me sentir realizada? À pqp com todos esses "faça-você-mesmo" do caramba, com esses programinha cretinos na TV mostrando como é fácil azulejar banheiro, trocar papel de parede, pintar móveis, só não mostram a melequeira pra prepara o cimento, a cola, o cheiro medonho de tinta e os pingos pra todo lado, na pele, no cabelo. Bom mesmo é mandar alguém fazer e chegar em casa e ver tudo prontinho, do jeito que vc quer.
Mas então, Londres. Como meu rico dinheirinho não é capim, vou ficar no Albergue da Juventude. Sei que é limpo, é bem localizado e é baratinho. Meu programa será compras no Sábado, que sabe acho o famoso casaco preto e uma calça jeans tamanho tanajura na GAP. Quero me esbaldar em Camden Town e em Portobelo Road. Meias malucas do mercado de Portobelo, me segura! Vou visitar o British museu, o melhor museu do mundo pra arte Egípcia e Assyria. Quem sabe vou ao teatro se eu encontrar alguma peça com aqueles descontos de última hora? Estou ansiosíssima... Quem tiver diquinhas pode mandar!
woensdag, mei 04, 2005
Aqui no escritório de Amsterdam acontece um fenômeno interessante com o pessoal da limpeza. No Brasil, o pessoal que trabalhava na GM era bem humilde, com pouca instrução. A diferença ¿cultural¿ ( e óbvio social ) entre as ¿tias¿ e nós era imensa, incomparável. Aqui chego e dou de cara com um asiáticozinho simpatico ouvindo alguma banda ¿Heavy Metal¿ no Ipod. Ele faz parte do imenso contingente de imigrantes provenientes de países ¿subdesenvolvidos¿ que tem diploma universitário mas que aqui não consegue lugar no Mercado. O ¿chino¿ aqui ( que na verdade é de Taiwan ) na terra dele é Pedagogo, mas acabou tendo que fazer limpeza pra se sustentar. Não sei detalhes da vida dele, se é casado, como veio parar na Holanda, mas cada vez que o vejo passar com o carrinho de limpeza me dá um arrepio. Podia ter sido eu. Não estou sendo esnobe, pelo contrário, estou aqui falando que independente de diploma, experiência, podia acontecer com qualquer um de nós. A verdade é que, embora nenhum holandês se preocupe muito com a vida profissional dele pois no fundo sabe que ele NUNCA vai ficar sem emprego por muito tempo, conosco ¿ allochtonen ¿ o negócio é bem diferente. A gente depende de validarem descentemente nosso diploma, de ter alguém que nos indique pra algum emprego ( meio caminho andado ), de aprender rápido a lingua, de morar na Ranstad, de ir fazer entrevista num dia que o entrevistador acordou de bom humor. E vamos concordar, embora todo trabalho seja digno ( uh, que clichezão), quem estudou pedagogia quer ser professor e não faxineiro. Se você ainda está aqui para juntar uma grana para voltar pro seu país, ou se trabalha pra ajudar a pagar algum curso, vá lá ¿ a gente engole o orgulho com olhos no objetivo, mas encarar o carrinho de limpeza sem perspectiva imediata de outro emprego deve ser barra, muito barra.
Eu sei que no fundo vai ver que o carinha nem tá ligando muito, tá lá ouvindo música, aspirando um pózinho de um escritório que tende a ser bem limpinho ( não estamos na fábrica ), ganhando os eurinhos dele e eu estou aqui, me deprimindo pore ele pensando que podia ter sido eu.
zondag, mei 01, 2005
Ui ui ui
Estou no terceiro dia pós DIU e dói pacas. Cólica, como as cólicas menstruais. Estou tomando o remédio como mandaram, mas se tomo de 6 em 6 horas tenho dores de estômago, se tomo em intervalos maiores passa o efeito e a cólica volta firme e forte. Fiquei mais de 1 hora na banheira hoje, a água quentinha faz a dor passar quase completamente, engraçado é que com a bolsa-compressa de água quente ameniza bem, mas passar não passa.
Quando a médica veio me ver antes de me liberar eu perguntei se era verdade que o corpo tenta expulsar o DIU e ela me disse que as cólicas são causadas por isso. Vendo minha cara de desapontamento ela continuou: Mevrouw van den Broek, nosso corpo tenta expulsar tudo o que colocamos nele. Assim que colocamos lentes de contato começa a se desenvolver uma enzima para "liquidar" o corpo estranho, veja os casos de transplante de orgãos. Dependendo do caso a pessoa terá que lutar a vida toda contra a rejeição do órgão que é a única maneira de manter o corpo vivo. A cólica vai passar, seu DIU vai ficar bonitinho no lugar, e quando a senhora quiser ter filhos vem aqui pra gente retirar.
E agora é só esperar a dor passar. Por 6 semanas tenho que usar outro contraceptivo até se confirmar que o DIU está implantado corretamente. Já falei aqui que pra mim "abstinência" é o único contraceptivo eficaz, mas 6 semanas não dá, né mesmo? Continuo na pílula. Mês passado passei algumas horas sem dormir pensando: e se a pílula falhar por causa do estomaguinho? E se eu tiver um piti e vomitar a pílula? E se, e se, e se? Já pensou, agora que eu consegui o tão sonhado emprego eu engravido? Bate na madeira 30 vezes.
Enquanto isso tô aqui em casa quietinha que nem gente doente. Chazinho, bolo de especiarias, torradinha com manteiga. Tá certo que tive que ir colocar umas roupas pra lavar, mas santa máquina de lavar roupa fará o trabalho pesado por mim. Li no ORKUT uma menina dizendo que não tem máquina de lavar louça porque a louça "não fica limpa como eu quero". Como pode? Fica tinindo de limpa. Até o copo mais requenguela parece de cristal! E ultimamente até panela eu tenho colocado. Nossa máquina e enorme e com panela e tudo eu ligo a máquina cada 3 dias. Acho que devíamos fazer um abaixo-assinado para beatificar o inventor da máquina de lavar roupa, lavalouça, secadora, aspiradorzinho de pó de mão. Quero agora comprar aquele aspirador de pó que aspira a casa sozinha. FH falou que não há limites para a minha preguiça. Se ele pode ter todos os tipos de tranqueiras cybernéticas, porque eu não posso ter tranqueiras "eletrodomésticas"? Tjonge Jonge...
Adriana, 31 anos, paulista, casada com o holandês Bart, morando em Eindhoven desde maio/2003. Clique no link abaixo para saber como vim parar aqui
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