dinsdag, november 30, 2004

Cazuza

A um tempo atrás eu recebi do meu irmão um e-mail de um "desabafo" de um pai de adolescentes revoltado com a idolatração do Cazuza, com o conteúdo do filme. Como estamos passando por uns problemas na família eu estava pensando no que dizia este senhor ( eu queria colocar aqui o e-mail, mas não sei onde guardei ). Mas uma pergunta fica: será que não estamos confundindo a cabeça dos nossos adolescentes?

Na minha cabeça eu divido a vida do Cazuza em duas: antes e depois da AIDS. Cazuza merece todo o crédito por ter, numa época em que a AIDS era ainda tão desconhecida, tão mistificada, tão imensamente alvo de preconceitos, assumido publicamente a doença. Quebrou o tabu de que o HIV positivo tinha que se trancar num quarto e esperar a morte. Resistiu à doença produtivamente: enquanto pôde seguiu com sua carreira, mesmo que muitos torcessem o nariz. E muitos torceram o nariz, pois era muito chocante vê-lo definhar a cada dia, a maioria preferia se manter na ignorância, fechar os olhos. Embora fosse duplamente do então chamado "grupo de risco" por ser homossexual e usuário de drogas, mostrou principalmente pros jovens que a AIDS não era contraída só pelos pobres, e que quem não se cuidasse estava se arriscando mesmo.

A vida do Cazuza antes da AIDS já foram outros quinhentos. Ele tinha talento? Tinha sim, mas não mais do que muitos dos nossos artistas que morrem no ostracismo. Cazuza tinha mesmo é um pai poderoso, diretor da Som Livre. Eu não entendo a memória do brasileiro, pois nessa época, todo mundo falava que o Cazuza só ia pra frente porque o pai empurrava, agora parece que todo mundo esqueceu disso. Nunca fui fã do Barão, mas naqueles "Hollywood Rock" da vida eu assisti show do Barão com e sem o Cazuza. Sinceramente? A banda era boa com ou sem ele. Como compositor tem umas músicas legais, mas não sei se o suficiente pra tanto carnaval.

O que este senhor levantava no e-mail, era o exemplo que o Cazuza dá através do filme. Pais, professores ficam martelando na cabeça dos jovens o quão prejudicial é se envolver com drogas, levar uma vida sexual promíscua, beber e sair por aí com carro. E aí os mesmo pais / professores vão ao cinema e batem palmas pra quem fez tudo isso. Eu ainda não vi o filme, mas eu achava que ele abordava a história do Cazuza mostrando o que a bebida, drogas, vida sexual promíscua podem fazer com um jovem tão "talentoso", mas parece que o filme passa longe desta abordagem. Há ainda uma entrevista com a mãe do Cazuza onde ela fala que o filho chegou até a trazer drogas de Londres na mala. Ora gente, isso é tráfico! Sinceramente? Um filho como o Cazuza é o pesadelo de qualquer pai.

Quando chegar ao Brasil vou ver o filme. Meu sobrinhinho não é mais sobrinhinho, vai fazer 10 anos e está na tal pré-adolescência. Não perguntei pro meu irmão o que ele achou do conteúdo daquele e-mail, mas fico preocupada com a mensagem que meu sobrinho está recebendo.

maandag, november 29, 2004

A esperança é mesmo a última que morre?

Quando eu mudei para a Holanda eu achava esta mania de se marcar tudo com tanta antecedência um exagero, mas não sei se acostumei ou se realmente este "planejamento avançado" é mesmo mais prático, só sei que do jeito que é no Brasil também não dá.

Às vezes eu tenho a impressão que as pessoas se agarram ao último fio de possibilidade de alguma coisa dar certo e empacam toda a sua vida em função disso. Como assim? Vejam só.

Aluguei a tal casa no litoral a alguns meses, sob protesto da família que achava tudo muito cedo. Aluguei uma casa para 10 pessoas porque além do meu irmão com os filhos, tem os filhos do primeiro casamento dela. O filho decidiu não ir pra SP nestas férias porque está prestando vestibular. Ora, se sabe as datas do vestibular desde o começo do ano, porque só agora que fala que vai ficar lá em Curitiba mesmo? A filha, simplesmente deu na telha e resolveu agora, nesta semana que também não vem. Vai passar este Natal com os avós.

Meu irmão até agora, 10 dias antes de irmos pra tal casa, não sabe se poderá tirar férias naquela semana ou não. A empresa está esperando para ver se pega um projeto grande. Enquanto a resposta não vem, ficam todos os funcionários nesta indecisão. Como se, caso peguem o tal projeto grande, uma semana antes do Natal vá fazer uma graaaaaaande diferença pro cronograma do projeto.

Como os filhos do primeiro casamento não vão, convidei meu primo e a namorada. Ainda não podem confirmar se vão ou não porque ele mandou um CV para umas empresas e fica: e se me chamarem? Como se não houvessem telefones celulares lá na praia para que a mãe o avisasse e ele entrasse em contato com a tal empresa para marcar uma entrevista assim que voltasse.

Será que é a crise, ou é mesmo o jeito "cordeirinho" dos brasileiros que fazem com que fiquemos assim, como "call girls" esperando o cliente ligar?

Falo isso porque no ano passado eu não fui ao Brasil porque tinha enviado uns CVs. No fim, eles ligaram e marcaram as entrevistas para depois do ano novo, mas eu aprendi que aqui não há esse desespero todo, ninguém fica sentado esperando ordem do patrão ou telefonezinho tocar. O povo se planeja e se o patrão quiser, se o telefone tocar, vão ter que respeitar os compromissos que a pessoa já tiver assumido.

Eu até chego a pensar que é baixa auto-estima profissional, mas daí lembro-me como todo mundo fica com medo de perder o emprego cada vez que a economia dá uma balançada. Aqui quase não se vê isso.

Ou então é cultural mesmo. Brasileiro deixa tudo pra última hora. Só sei que nesse ponto tô holandesada. Quero marcar horário pra tudo, quero ter certeza de que o fulano vai ou não vai com razoável antecedência, quero me planejar.

vrijdag, november 26, 2004

Ai ai ai ai ai

Já comecei uns 3 posts e estão todos pela metade na pasta de rascunhos. Minha cabeça está fervilhando, mas até os pensamentos adquirirem certa coerência ficam lá, guardados.

Deu tudo certo no huisarts. A recepcionista não falava inglês mas era filha de turcos, portanto sabe como é difícil aprender holandês e teve paciência comigo. Se bem que o vocabulário usado pra se fazer um afspraak não é lá essa dificuldade toda. Para aqueles que falam que não há diferença entre o ziekenfonds ( plano de saúde do governo ) e o particular, pelo menos aqui em Eindhoven tem sim. Eu me inscrevi na hora, não vou precisar preencher o tal formulário para ver se o médico me aceita, tenho um horário de consultas bem flexível a minha disposição. Antes de ir pro Brasil vou marcar minha primeira consulta, vamos ver como será. Escolhi uma médica com abordagem "holística". Quem sabe ela não descobre que eu como demais porque uso shampoo pra cabelos secos quando deveria usar shampoo pra cabelos mistos?

A mala tá ali no chão, mas nada de eu recheá-la. Ontem estressei com FH. Ele vive me dando "tarefinhas" como nos inscrever no huisarts, pegar documento na prefeitura, compra aquele negócio de raspar o gelo do vidro do carro, e eu não me incomodo muito não, já que o coitado tá trabalhando lá na casa do chapéu e eu tenho meio dia livre. Mas falta uma semana apenas pra viagem e eu tô lotada de coisa pra fazer. Já falei que ele que não me venha pedir nada, a Amélia aqui está de pré-férias.

E no Brasil as coisas vão que vão. Já falei que a nova da minha mãe foi que ela perdeu o documento de transferência do meu carro? Sim senhora, aquele que a gente deve guardar como o tesouro mais precioso do mundo. Foi-se. Vou ter que resolver MAIS este pepino. E quando eu falo pra minha mãe parar de tomar o tal Lexotan pra dormir, ela me responde que não nota nenhum efeito colateral que o medicamento possa provocar. Ó céus.

Agora me vou que tenho que lavar roupa, pensar em organizar as coisas pro FH levar... Se bem que o bichinho viveu sozinho antes, não vai morrer uma semana sem a coitada aqui.

Falei procêis que vou de Schiphol Taxi? É esse o preço que se paga por não ter sogros. 80 Euros por cabeça ida e volta. Olha, é caro, mas se for colocar na ponta do lápis a gasolina pra ir e voltar ( 130 km ), estacionamento vai dar elas por elas. E FH não quer arriscar ir de trem. Mas acho que já falei isso, né?

Bom fim-de-semana, povo!

PS.: Coloquei um link pro site adote um gatinho e pro site quero um bicho. Por favor, dêem uma olhadinha e se puderem, ajudem! Assim que eu chegar no Brasil vou correndo fazer minha doação!

donderdag, november 25, 2004

Sou caipira pira pora...

Já aconteceu com vocês de vocês precisarem fazer alguma coisa chata e ficar adiando, adiando? Pois bem, eu tenho que ir no tal consultório do huisarts e me registrar. Eu peguei o endereço e telefone com a consultora do Loket W, Bart ligou pra lá pra ver se aceitavam pacientes e se a médica fala inglês, e como a resposta foi positiva para ambas as perguntas, tenho que ir lá retirar o formulário. Um pra mim e outro pra ele. Embora a médica fale inglês a secretária não, e desde o começo do ano estou adiando e adiando.

Sabe, eu detesto me sentir inferior ou dependente, mas na minha mente já passa a cena da tal secretária irritada com meu holandês "nóis-fumo-nóis-vortemo", jogando os tais formulários por cima de um balcão qualquer, os pacientes na sala de espera todos me olhando com olhar de desaprovação. Óquei, sei que é neura boba minha, mas fazer o que se eu sou assim? Tô aqui tomando um chazinho de coragem. Tenho mesmo que pegar os tais formulários. Ó céus...

Dotoso...

Vocês viram o dotoso do Rodrigo Santoro agarradinho na Nicole Kidman no comercial da Chanel? Aliás, o comercial é lindo, ela está linda, ele está deslumbrante. Bart não acreditava que aquele bonitão era o travesti do Carandiru. Luana Piovani deve se estrebuchar por dentro cada vez que o vê cada vez mais lindo e cada vez mais bem sucedido. Sim, porque por enquando são pontinhas em filmes importantes, comerciais, mas dia desses ele dá uma sorte e acaba o próximo Banderas do Roliúdi. Sim, porque Bandeiras tá mais "maduro", não dá pra fazer mais papel de mocinho latino. Eu acho aquele menino que fez o Che Guevara jovem lindo de morrer, mas os olhos verdes tiram um pouco do "estilão" latino-gostoso. Já Rodrigo Santoro tá perfeito, lindo e talentoso. Porque vamos combinar uma coisa: Luana Piovai é sim muito bonita, muito cheia de atitudes e de vez em quando tem até umas tiradas inteligentes, mas diante da câmera nem mesmo no Casseta dá pra enganar, parece criança recitando jogral da escola fazendo beicinho.

O mundo de pernas pro ar

Fiquei perplexa esta semana ao ler que a Cynthia Nixon, a Miranda do Sex in the City, largou o companheiro de 15 anos, com quem teve 2 filhos aliás, e assumiu uma relação homossexual. Sim, ela está "namorando" uma mulher. Óquei, sei que não é nada assim o fim do mundo, lésbicas e bi existem aos montes, mas sei lá, acho estranho. Como pode você ter um marido, filhos, de repente acorda um dia e pensa: gosto de mulher. Sei que "toda maneira de amar valhe a pena", mas que acho estranho a esta altura do campeonato, acho, fazer o que?

woensdag, november 24, 2004

Era uma casa muito engraçada...

Fomos na nossa casinha segunda-feira. Levamos o azulejista pra ver o banheiro. Acreditem se quiser, para mim foi apenas a segunda vez que eu vi a casa. Uma das visitas foi no dia do show da Madonna, FH foi sozinho.

Ao contrário do título do post, a casa está muito bonitinha, dá até preguiça de mexer em certas coisas. A pintura por exemplo. Ela está pintada de um creme meio escuro, eu queria mais claro com uma parede azul. Pra pintar mais clarinho vou ter que pintar o andar térreo inteiro. Tô pensando se vale a pena. Tá bonitinha... Vamos colocar o piso laminado, mas temos que trocar todas as portas do térreo, senão elas não abrirão. E no zolder ( sótão ) temos que fazer o quarto de visitas. Colocar janela, fazer a parede divisória, colocar porta. O banheiro ficará por conta do azulejista, fizemos um projetinho bem legal. Vai ficar caro, mas fazer o que? Tudo aqui fica caro mesmo...

A cozinha ficará como está. Os quartos estão bonitinhos também, tem só uma parede lilás que será pintada de azul. O jardim é maravilhoso. Ai, não vejo a hora...

O mistério

O tal "janeiro de 2005" realmente tem a ver com a tal apertada no cinto anunciada pela rainha Beatrix. Aparentemente aqui na Holanda o ano fiscal termina em Novembro, portanto as empresas terão um mês para elaborarem o budget de 2005, e as eventuais "demissões" ocorrerão em Janeiro. Imagino que nada que se compare com os facões brasileiros, e logicamente irão os sem contrato fixo, pois pagar direito trabalhista aqui é um tiro no pé pra qualquer empresa. O lance é que se já estava difícil conseguir emprego, vai ficar um "cadinho" mais. Será que há santo protetor do imigrante?

dinsdag, november 23, 2004

Pagando o pato

Ok, devo ter perdido um capítulo da história, mas dá pra alguém me explicar o que vai acontecer de tão ruim na Holanda em janeiro que está todo mundo com medo?

Ontem fui conhecer minha nova contato do inburgering. Muito legal ela. A idéia era me direcionar para o CWI ( orgão que administra a recolocação profissional dos desempregados ) para que eu fizesse um tal de KWINT ( kwalificeeren intake ) para que eles então começassem a "procurar emprego pra mim". Antes de continuar a história, deixa eu explicar como funciona o CWI. Todo holandês desempregado, para poder receber o salário desemprego, tem que estar inscrito nesse orgão que irá tentar recolocá-lo profissionalmente para que ele não precise receber a "ajuda" do governo. É obrigatório para os solteiros e para os casados quando ambos cônjuges estão desempregados. Se um dos cônjuges está trabalhando o outro é dispensado da tal "obrigatoriedade". A consultora me disse que para pessoas com nível MBO ( curso superior de 1 ou 2 anos ) o índice de "sucesso" é de quase 100%, caindo um pouco para HBO e WO. De qualquer forma, funcionando ou não, é uma janelinha a mais que se abre, certo?

Então lá fui eu. Ela começou então a querer me empurrar pra Universidade, fazer pós, e blá blá blá. Eu fui clara: eu quero é trabalhar, mevrouw! E ela então me explicou que "por causa do que vai acontecer em janeiro de 2005", o CWI está esperando uma sobrecarga já que muitas pessoas vão perder seus empregos, daí a necessidade de se direcionar esforços para recolocar os mais necessitados primeiro. Eu perguntei então porque eu não era "a mais necessitada", já que estou aqui a quase 2 anos sem trabalhar. Ela então me respondeu, sem muita firmeza na voz, que eu não era necessitada porque meu marido trabalhava, ou seja, temos renda. Eu falei: olha, a dois meses já tínhamos renda e mesmo assim me falaram que eu ia ser encaminhada ao tal CWI, agora eu quero ir ao CWI. E ela em tom confidencial: sabe, é que agora, mandar buitenlander pro CWI, só se o cônjuge estiver desempregado. Mas vou fazer o seguinte, vou colocar aqui uma solicitação com data retroativa e falar que sua antiga agente de inburgering esqueceu de enviar, assim eles ainda aceitam sua inscrição. E assim será. Mais uma vez tiveram que fazer um corte nos gastos e é claro, nós estrangeiros é que pagamos o pato.

CONTINUANDO...

E o mistério de "janeiro de 2005" continua... Recebemos a papelada assinada, juramentada, sacramentada da hipoteca. Hoera! E no viva voz ouço o comentário do meneer da hipoteca: olha, vocês deram sorte, pois por causa de "janeiro de 2005" está todo mundo querendo comprar casa agora e os preços subiram bastante... Realmente já tinhamos notado isso, pois continuamos de olho nas casas no site FUNDA e casas no mesmo estilo da que vimos no bairro chique dois meses atrás por menos de 200 mil agora estão 220 mil e tem até uma que o louco está pedindo 250 mil. O marido da Irene da Indonésia, que é makelaar, até cancelou a viagem dele pra Indonésia porque a batata tá assando aqui no mercado imobiliário. Naldy: "inda bem que livramos o nosso, fia".

En nog en keer ( e de novo... )

Me liga o cara da agência de empregos: olha, aquela vaga pra qual você se candidatou foi "congelada" pois os diretores da empresa estão avaliando se, por causa de "janeiro de 2005", vão contratar alguém agora.

Será que alguém pode me contar o capítulo que eu perdi nessa novela?

maandag, november 22, 2004

Diarinho...

Vocês já repararam que em todos os blogs na segunda tem um diarinho do fim-de-semana? No meu também... Ho ho ho

Sábado tivemos um dia tipicamente de paulista. Saímos de casa lá pelo meio-dia depois de uma faxina geral ( eca eca eca ). Íamos de bike, mas no último minuto começou a chover e é claro, eu peguei o carro. Sábia decisão, pois na fila pra entrar no estacionamento começou a nevar. Neve molhada. Como ainda não está frio o suficiente, quando bate no chão ou no carro a neve derrete. Obrigada Santo Raibeváis! No shopping almoçamos, compramos uma malinha pro laptop, compramos o presente da Fê ( minha sobrinha ), fizemos umas comprinhas no AH e fomos ao cinema. Vimos The Manchurian Candidate. Bem bonzinho... Voltamos de noitinha pra casa, e pagamos a tabela máxima do estacionamento: Euro 13. Ficamos das 12:30 às 21:00 estacionados no shopping, que nem nos velhos tempos de shopping lá em SP!

No meio da tarde paramos na V&D pra ver os preços das malinhas de laptop e aproveitamos pra tomar chocolate quente com torta no café da loja. Sabe, aos poucos vou assimilando a Holanda como minha nova casa. Sentada naquele café, confortável, com uma torta super-holandesa ( de maçã com amêndoas, não muito doce ), vendo as pessoas passando animadas na rua apesar do frio, senti uma calma tão gostosa, uma sensação de pertencer a este lugar como jamais senti no Brasil. É claro que no dia seguinte mais uma crise viria, mas naquele momento eu não tive dúvidas que fiz a coisa certa.

No domingo stress desgraçado. Sim, comprei muita coisa, e comprei todas as coisas erradas. Tudo muito grande, tudo muito espalhafatoso. A mala que eu trouxe para cá do Brasil, é a metade do tamanho que eu lembrava. E tem a bosta do limite de peso: os tais 20 kg. O volante de PS2 do Bruno teve que sair da caixa, as jaquetas vão forrando a mala, os chocolates e Nutella vão ter que ficar. Vou ter que comprar umas lembrancinhas mínimas ou nem levar nada. Eu alí, tentando elaborar a ligística das malas e FH azucrinando: você comprou tudo grande demais ( dããã, jura? ), leva de volta na loja e troca por outra coisa ( depois de todas as caixas já abertas pra tentar fazer caber ), leva o volante numa sacola de plástico do AH que cabe. Gente, vocês imaginam euzinha, no check-in: senhora, qual é a sua bagagem de mão? Ah, é essa sacola de plástico do AH aqui. AGHHHHHHHHHHHHHH

Chorei, xinguei, me arrependi até o último minuto de ter trocado minha vidinha lindinha e certinha no Brasil por essa daqui. Na hora do nervoso você não se lembra direito que você se sentia deslocada no seu país, só lembra que tinha muito, mas muuuuuito mais comodidades lá do que tem aqui.

Lembram-se do casaco lindo-maravilhoso? Pois decidi comprar com o meu dinheiro. Bart foi pra loja comigo super chateado pois acha que não importa se o dinheiro é meu ou dele, somos um casal, temos que tomar as decisões junto. É praticamente impossível explicar pra ele que eu trouxe dinheiro justamente pra fazer o que eu quero quando a gente discordar. No fim, a gente discute somente as minhas decisões, pois como em teoria o dinheiro vem do salário dele, eu nunca sou do contra da hora dele querer comprar algum badulaque. Se bem que ele nunca fez nenhuma extravagância muito enorme. Chegando na loja coloquei o casaco de novo. Como minha bunda deu uma diminuidazinha durante a semana, ficou ainda mais bonito. Eu estava radiante com meu futuro novo casaco preto. Até Bart chegar do meu ladinho, com o casaco preto dele, e eu perceber que o que eu vestia era azul marinho, e não preto. E azul marinho eu não quero, pois não tenho roupa nem sapato pra combinar. Falamos com a vendedora, e outra cor, só se fosse bege. O casaco ficou e eu continuo na procura. Agora até desanimei.

No fim, a história do casaco e dos presentes que não cabem me deixaram levemente deprê. Faz quase dois anos que não vejo minha família e queria levar um pouquinho da Holanda pra eles. Queria levar uma daquelas frigideiras de fazer poffetjes, queria levar uns gevulde koken ( minha paixão número 1 ), queria levar pantufas em forma de tamancos de madeira pros primos. Não vai dar. E ao invés de tentar me ajudar, Bart só ficou me criticando. Paciência. Aliás, acho que este é o alicerce do casamento: MUITA PACIÊNCIA. Alguém aí sabe onde vende?

vrijdag, november 19, 2004

No fim, é sempre uma questão de $$$

Parto normal é mais barato que cesárea, aborto é mais barato que financiar uma criança até os 16 anos, DIU e pílula ( gratuitos na Holanda ) são mais baratos que aborto... No fim, é sempre esta merda de dinheiro que fala mais alto.

Eu quero estrebuchar no chão de ódio quando vejo os pro-choice ( pessoas a favor do aborto ) dizerem que a mulher deve ter o direito de fazer o que quiser com seu próprio corpo. Este é também o argumento dos holandeses. Então se eu tenho o direito de decidir o que fazer com o meu corpo eu quero ter uma cesárea! Ah, mas existe um meio natural de se ter o bebê ( mais baráto, lógico ) e não de se fazer um aborto. Ótimo. Não se faça o aborto. Transou, sabia que podia engravidar, tem 1000 métodos anticoncepcionais ( a maioria gratuita na Holanda ), não usou nenhum, tenha a criança. Mas aí entro numa discussão que não quero entrar agora. No fim, vamos é viver 9 meses preocupadas em como "tirar" o bebê da barriga, sendo chamadas de covardes pelas naturebas, nos sentindo menores por não encarar o bicho de frente... Nã nã ni nã não. Comigo não, violão. Sou prática: o bebê tá prontinho pra nascer, a mãe sofrendo que é o diabo sem dormir, com dor em tudo quanto é lado, vai lá pro hospital, corta, tira o bebê, e acabou. Sem dramas. NINGUÉM, e digo ninguenzinho, vai me convencer que parto normal é melhor para a mãe ou para o bebê. Podem vir com papo de hormônio, de estímulo neuro-não sei das quantas, leite que desce, não me convencem. Na minha família todo mundo nasceu de parto cesárea, crescemos normais, inteligentes, fomos amamentados, amamos nossas mães, votamos no Lula e pagamos impostos. Vir me cortar LÁ EMBAIXO, nã nã ni nã não. E não me venham falar que nem todo mundo é cortado lá embaixo porque todo mundo que ouço falar do parto normal fala do corte lá embaixo. TÔ FORA! SUPER FORA! ABSOLUTAMENTE FORA!

E o lance de ter o bebê no Brasil é complicado. Mulher grávida só pode voar com autorização do médico. Como a atendente não tem como saber seu tempo de gravidez pelo tamanho da barriga, acabam pedindo autorização pra todas. Aconteceu com a minha cunhada. Quase que não volta da Itália. E passou muito mal no vôo. Então acabamos dependendo do médico autorizar e mesmo assim teremos que ir bastante cedo. Provavelmente sem o marido, pois pelo menos o meu não pode ficar fora do escritório 3 meses. E se a gente trabalhar vai ter que negociar uma licença de 3 meses antes do parto ( fora a licença maternidade ). Quem não paga mais plano de saúde no Brasil ( como eu ) terá que começar a pagar um plano mais de 1 ano antes do bebê nascer ( os melhores planos tem carência ), mas isso não é um problema, pois umas 12 mensalidades de uns Euro 120 não é assim tão caro considerando-se que é uma intervenção cirúrgica. Após o bebê nascer têm-se que esperar a primeira vacinação para poder voltar. E voltar pelo menos de classe executiva, pois ficar 12 horas sentada com um bebê no colo ( se bem que tem aquele bercinho ) depois de uma cesárea não deve ser nada legal.

Aghhhhhhhhhhh... Vou ter que conversar muito com a tal huisarts. Será que tem hospital / clínica na Bélgica? Vejo um montão de gente aqui de Eindhoven indo pra Bélgica pra operar da miopia, fazer plástica, será que não fazem também parto? :o)

A Cris deixou nos comentários a experiência positiva dela com parto normal, mas ela era super novinha, né gente? Imagina uma costurada do estômago, aos 35 anos ( ou mais ) tentando parto normal? Nããããããão!

E bom fim de semana pra gente, com ou sem filhos. Hoje choveu bolinha de gude, tá um frio da peste. O casaco continua lá na loja, e a KLM gentilmente me comunicou que para passagens compradas aqui na Holanda o limite de bagagem é 30 kg, 20 no check in e 10 na mão. Que ódeeeeeo!

donderdag, november 18, 2004

Gravidez e parto

Nos últimos tempos, na iminência de trocar de método anticoncepcional, tenho repensado muito minha decisão de não ter filhos. Agora que sei que existem AU-PAIRS, é até uma opção viável, já que eu não precisaria parar de trabalhar.

Depois de muito insistir na escola, tivemos uma aula de orientação social, explicaram brevemente o sistema previdenciário holandês. Aqui dona de casa é profissão, e mulheres que optarem por ficar em casa cuidando de seus filhos recebem um salário de aproximadamente 1000 euros líquido, desde que sejam cidadãs holandesas / européias ( sem a cidadania não recebemos nada ) e tenham trabalhado pelo menos 4 anos. De qualquer forma eu não pretendo parar de trabalhar, mas este seria um plano B, já que, conforme já disse aqui, eu jamais deixaria toda a responsabilidade financeira da família nas costas do pobre marido.

Estava até considerando UM filho quando assisti a um programa da SBS ontem, sobre partos. Começou com uma mulher saindo de casa e indo para o hospital depois de 13 horas de contrações. No caminho ela explicava o quão importante era para ela ter um parto normal sem anestesia, que somente assim ela iria se sentir 100% mãe, que mulheres que fazem de outra forma são covardes e blá blá blá. Ela chega ao hospital e vai para uma sala que parece enfermaria onde fica mais 5 horas tendo contrações e pouca dilatação. A médica vem, diz que o bebê está sentado, mas que vão tentar o parto normal mesmo assim. A mulher recebe um medicamento para acelerar a dilatação. Começa o parto. E grita daqui, urra de lá, o bebê começa a nascer. De repente o bebê, com o corpinho pra fora e cabeça pra dentro, entala. A mulher grita sem parar, os gritos mais guturais que eu já ouvi, a médica grita "mais força, mais força", o marido grita "empurra", a enfermeira grita que o bebê está ficando cianótico ( acho que é azul ). Passaram-se vários segundos e a gritaria evoluiu para histeria e até eu, aqui na minha sala gritava: corta essa mulher, tira esse bebê daí! FH, branco que nem fantasma saiu da sala. Por fim, desentalaram o bebê, que não chorou e foi pra UTI. A mulher entrou em choque e também foi pra UTI. E eu ali me perguntando: é essa gritaria toda que os naturebas dizem ser boa para o bebê?

O segundo parto que mostraram foi um normal sem complicações. Novamente a mesma gritaria, a mãe urrava de dor e pedia a peridural mas falaram que àquela altura não poderiam mais administrá-la, o bebê nasceu e a mãe nem quis vê-lo, foi para os braços do pai, a mãe recebeu sedativos.

O terceiro parto foi uma cesárea, pois a mãe já havia tido outros 2 filhos de cesárea. Eles estenderam um panão para que a mãe não visse da cintura pra baixo, silêncio quase total, o médico perguntou pra mãe umas 3 vezes se ela sentia dor, ela respondeu que não, apenas uma pressão na barriga. O médico fez um corte que para mim pareceu enorme, óbvio que é impressionante e que foi sangue pra todo lado, mas tirou o bebê facinho facinho, na maior calma ainda disse: bem vindo ao mundo baby boy, a enfermeira sugou algo do nariz do bebê, que começou a chorar, mas acalmou imediatamente assim que o colocaram no colo da mãe.

Depois do intervalo mostraram as mãe e os bebê. A primeira ainda estava em coma e o bebê não resistiu. A segunda estava em pé com o bebê, dizia que por causa do "corte" não conseguia sentar e que doía muito quando ela urinava ( ué, mas o parto normal não deixa a mãe novinha em folha no mesmo dia? e que corte é esse? ). A terceira estava sentada amamentando o bebê, disse que já havia tomado banho, andado pelos corredores, mas que "repuxava" quando ela endireitava as costas. Tanto a segunda quanto a terceira mãe foram liberadas no mesmo dia, somente a primeira saiu da UTI e ia ficar mais uns dias no hospital.

Confesso que fiquei horrorizada. Meus planos de engravidar daqui a 5 anos voltaram à estava zero. Temo não só pela bárbarie que um parto normal me parece, mas por causa da minha cirurgia no estômago. Antes de operar, claro que conversei com o médico sobre gravidez e parto. Ele me explicou que a vitamina que tomo diariamente seria dobrada e eu teria que ser acompanhada por uma nutricionista os 9 meses. Quanto ao parto, me explicou algumas complicações que poderiam ocorrer ( deslocamento de anel, mal posicionamento do neo-estômago, ruptura de uma das "costuras" para cirurgias mais recentes ), mas que para prevenir ele indicavam parto cesareana. Agora eu me pergunto: como será aqui nesta terra onde a palavra "prevenir" foi baninda do vocabulário dos médicos? A postura do médico provavelmente será a do "se acontecer a gente conserta", como sempre, então como fazê-lo entender que eu não quero correr o risco?

Bom, amanhã continuo nesse assunto pois estou, sinceramente, muito chateada. Me sinto violada no meu poder de escolha. Como pode uma mulher poder assassinar seu filho fazendo um aborto, mas não pode escolher fazer uma cesárea por acreditar que seja melhor para o bebê e para ela mesma?

A lógica deste povo é muito estranha...

woensdag, november 17, 2004

Finalmente!

Comecei as compras! Pro sobrinho já comprei uma jaqueta super legal e um volante de videogame. Estou intimada a levar um carrinho Burago 1:18, mas este eu esqueci. Para a Nandinha comprei um casaco rosa da Disney, com pelinhos na manga e no capuz, com a Cinderela bordada no ombro e flores bordadas na barra. Tenho ainda que comprar um brinquedo, mas eu queria dar Barbie e fui expressamente proibida pelo meu irmão de fazê-lo. Parece que ela tem mais de 20. O carrinho de carregar bonecas é lindo, mas a caixa é enorme, a cozinha idem, o que levar, ó meu Deus? Comprei também muito chocolate e Nutella, se bem que eu detesto levar Nutella porque os potes são de vidro e pesam barbaridades. Falta ainda mais da metade da lista, mas o pior era o Bru, e esse foi o resolvido mais rápido.

Fui à Bijenkorf e experimentei uma calça da Diesel. Gente, a tamanho 33 ( a maior ) ficou tão apertada que se eu sentar acho que explode. A Mexx 44 serviu, ficou bem bonita, mas vou deixar pra comprar calças no Brasil. O casaco ainda estava lá, nem experimentei para não me desolar. Sei que na liquidação não vai mais estar lá, e se estiver, quem não vai estar aqui sou eu. O legal é que estou conseguindo fazer a dieta de South Beach de novo, me sinto bem melhor quando estou nela.

Eu não sei é o que levar pra minha mãe. Amanhã é o aniversário dela então tenho que levar um presente dobrado, né? Queria achar um casaco bem legal, e já que ela é menorzinha que eu fica mais fácil, mas além do precinho tem o problema de espaço na mala.

Alguma sugestão?

dinsdag, november 16, 2004

No divã

Eu tinha uns 5 ou 6 anos. Era magrelinha, daquele tipo de criança que não pára no lugar. Um desespero para a minha mãe que sonhava com uma filha cheia de babados e laçarotes, meiguinha, sentadinha no chão da sala brincando de casinha. Meu irmão ficava sentadinho no chão da sala brincando de carrinho, eu queria rua... só a rua... Lidar com o meu irmão era muito mais fácil, ele era o mansinho, obediente, eu era a que fazia sempre o que me dava na telha. Durante 25 anos da minha vida eu achei que meu irmão fosse o filho favorito.

Ainda lembro do meu vestido longuete azul e branco. Eu estava experimentando o bendito quando minha mãe fez o infeliz comentário: bem que você podia ter umas perninhas mais gordinhas, hein? Olha o mesmo vestido na Gi ( minha amiga de infância ), que bonito... Como assim, que bonito? Quer dizer que então em mim estava feio? Quer dizer que além de gostar mais do meu irmão minha mãe gostava também mais da Gi? Ah, ela vai ver como eu vou ficar mais "bonita" que a Gi... * suspiro *

E foi assim que nasceu minha mente obesa. Comecei a competir com a Gi quem pesava mais. Os 12 quilos foram ganhos em um ano. Eu vibrava cada vez que a diferença diminuía. Aliás, foi assim que eu aprendi a fazer conta: olhando meu peso e o peso da Gi na balança da farmácia do Wiliam.

Aos 7 anos, pra tentar evitar a obesidade que se instalava fui colocada no ballet. Meu horário de brincar de bicicleta na pista de bicicross foi drásticamente reduzido pra que eu fosse 3 vezes por semana aprender a "dancinha do ganso", "os movimentos das ondinhas", "os passinhos de um passarinho", no meio daquelas menininhas delicadinhas e apáticas. Eu odiei cada minuto, e não houve um só dia que a professora não tivesse feito questão de ressaltar o quão inapropriado meu "corpinho" era para o ballet. Foram 6 anos de agonia.

Aos 9 anos, por recomendação da professora de ballet e de parentes, minha mãe me levou a um pediatra especializado em obesidade infantil. Eu não era uma bolona, era gordinha, e o médico sugeriu uma dieta simples, nada drástico, que tinha uma lista de alimentos proibidos e do alimentos permitidos. De sábado eu podia comer 1 alimento proibido e de domingo 2 alimentos proibidos. Ainda lembro do primeiro jantar de sábado. Meu alimento proibido escolhido foi pizza, nada de refrigerante, mas suco de laranja, e eu fiquei olhando meu irmão tomar o sundae, que foi nos sábados subsequentes proibido pelo meu pai. Todos tinham que me apoiar.

Depois de um mês voltei ao consultório. O médico me parabenizou efusivamente: eu tinha emagrecido 1,5 kg! Na verdade, a idéia dele não era nem que eu emagrecesse, pois eu estava 7 kg acima do peso ideal, mas sim que eu aprendesse a não comer demais o tempo todo. Só que ele esqueceu de dizer isso pra minha mãe. Se eu sou imediatista é porque tive uma boa professora. Toda entusiasmada levei minha "caderneta de evolução do tratamento" para ela ver na ante-sala, junto com o médico que trazia um grande sorriso. Ela olhou o meu -1,5kg, ouviu as congratulações do médico, mas todos conseguiam ver o desapontamento no rosto dela. Aquele olhar foi o determinante do insucesso de muitas das minhas dietas dali pra frente.

No mês seguinte eu me recusei terminantemente a ir ao médico. Não queria ver novamente o olhar de decepção da minha mãe. E sem acompanhamento, a dieta caiu no esquecimento e é lógico que eu, aos 9 anos de idade, recebi o rótulo de "a sem nenhuma força de vontade".

A vontade de fazer dieta de novo só veio aos 12 anos, com a minha primeira paixonite adolescente. Minha tia Lica estava fazendo regime com um endocrinologista de São Caetano e lá fui eu com ela. Aos 12 anos de idade peguei sozinha o ônibus que ia do centro de SBC ao Rudge Ramos, encontrei com ela e de lá fomos num outro ônibus pro consultório. Eu estava 14 kg acima do desejado, devia seguir a dieta de um caderninho que ele me deu ( a típica salada com bifinho ) e tomar o "remédinho" que eles vendiam às 10 e às 17. E foi assim que comecei com as anfetaminas. Aos 12 anos. Desta vez eu emagrecia rapidamente e a olhos vistos. Nada de olhar decepcionado na minha mãe: agora ela me admirava. Eu vivia de mal-humor, dormia mal, mas minha mãe falava com orgulho pra todo mundo que eu tinha emagrecido e o Kiko, a tal paixão adolescente, tinha começado a me notar.

E esta foi a minha vida por 15 anos. Enquanto tomava o remédio emagrecia ou mantinha o peso. Quando parava porque não aguentava o mal-humor e a insônia, voltava a engordar. Fiz absolutamente todas as dietas que se possa imaginar, tomei todos os remédios que prometiam emagrecer. Tomei fórmulas milagrosas com componentes desconhecidos, remedinho importado da Itália, tudo, mas tudo mesmo na guerra contra as banhas. Só não fiz o que deveria ter feito: tratamento psicológico.

Cheguei ao ponto máximo antes de operar. E tudo, absolutamente tudo na minha vida ia mal, e é claro que eu culpava a obesidade. Não vou agora entrar no mérito da questão, mas o fato é que tudo na minha vida deu uma virada de 180 graus depois da cirurgia. Minha carreira deu um enorme salto, eu comprei meu primeiro apartamento, retomei antigas amizades, e me recusei a me envolver em relacionamentos amorosos potencialmente destrutivos.

O inverno passado foi muito, mas muito difícil mesmo pra mim. A frustração de não encontrar emprego, de não ter vaga na escola de holandês, a saudade da família, tudo que eu sabia fazer era sentar em frente à TV com o aquecedor ligado, barra de chocolate na mão e mandar pra dentro. Engordei. Engordei e comecei a me torturar novamente. Precisava emagrecer, o que minha mãe vai pensar quando eu chegar no Brasil?

Foi aí que algo no meu pobre cerebrozinho reclamou: De novo esta história de mãe? Você já está com 31 anos, casada, não dá pra fazer o que vai agradar a você, e não aos outros? E a verdade é que depois que me tornei tia pela segunda vez, entendi que se é impossível para uma tia gostar mais de um sobrinho do que de outro, é impossível também para uma mãe gostar mais de um filho do que de outro. Minha mãe pode ter errado na forma de se expressar, mas na verdade só queria ter me poupado o sofrimento de uma vida de gorda, que no fim eu acabei conhecendo muito bem.

Estes dias pensei muito mesmo no que eu quero, e vi que quero não só emagrecer um pouquinho, mas principalmente começar a me exercitar mais, me sentir mais ativa. Preciso começar uma academia. Eu detesto academia, mas sempre achei que com companhia ( o marido ), ia ser mais fácil. Mas Bart odeia sequer pensar em ir para uma academia. Além da timidez, junta-se o fato de que ( ele acha que ) vai se sentir péssimo do lado dos marombeiros saradões. Este é agora o meu desafio. Ao chegar do Brasil, tenho que vencer a minha preguiça, a minha inibição com esta bendita lingua, quem sabe convencer FH a ir comigo, mas com ele ou sem ele, quero fazer Pilates e um pouco de esteira. Quero sentir as pernas mais leves, quero me sentir mais disposta pra subir e descer escadas ( afinal, compramos uma casa com 3 andares ).

E o sonho de ter o corpão da J-LO, morreu? Ho ho ho, e quem não queria o corpão da J-Lo? Mas eu me contento com o meu mesmo, só uns quilinhos mais leve e um pouquinho mais "malhado". Vamos ver no que dá. Tá soando como promessa de ano novo, mas é por isso que já estou falando disso agora, pra não "zicar".

maandag, november 15, 2004

Obrigada meu Deus...

Pelo menos umas 10 vezes por dia eu agradeço a Deus por eu ter tirado a minha carteira de motorista e por ter um carrinho lindinho e maravilhosinho a minha disposição. Faz frio, muito frio mesmo. Deixamos nosso termostato nos 19 graus de noite, assim se baixar muito a temperatura dentro de casa o aquecedor liga, evitando assim que respiremos a noite toda aquele ar gelado que me faz acordar morrendo de dor de cabeça por causa da sinusite que ataca, e ultimamente ele tem ligado quase todas as noites.

Fim de semana foi bem calmo e não muito produtivo. De novo não fomos a Brugge, mas pelo menos parte da novela do banheiro está resolvida: contratamos o tal azulejista. Fomos a um tal de Sani-Dump em Tilburg, mas era pura propaganda enganosa, não achamos nada muito barato ou diferente. Fomos depois ao Jumbo e assistimos ao DVD do Alamo com jantarzinho feito por FH ( não se iludam: dois pacote de macarrão com vegetaizinhos e frango da Iglo - que eu amo de paixão, mas que é só colocar na panela e descongelar ).

No domingo dei uma garibada no meu cabelo. Eu tinha feito luzes em casa para ir ao casamento da Alice, e elas tinham ficado muito claras. Embora eu goste, não dá pra disfarçar as raízes depois de um tempo. Comprei o Couleur Experte da L'oreal, que vem com uma tintura base e um descolorante com pincelzinho pra fazer luzes. Já tinha usado antes e novamente ficou bem legal. Aliás, toda vez quando eu estou usando o produto eu juro que é a última vez, pois é uma melequeira danada. Depois o resultado fica bom, e na próxima vez, como eu confio mais no meu taco que no taco dos cabeleireiros daqui, acabo comprando o "faça você mesmo" novamente. Vou ao Brasil e quero dar uma renovada geral: nova cor e novo corte, e vou tirar muitas fotos detalhadas para levar ao cabeleireiro aqui e só pedir que copie. O salão onde eu compro meu shampoo Kerastase não é tão bonitinho quanto o que eu vou com o FH mas eu vi umas meninas saindo de lá com luzes show, sem falar que o cabeleireiro dono do salão me passa bastante confiança. Aliás vou comentar uma coisa aqui: o salão que eu vou no Brasil consegue ter uns 5 cabeleireiros TODOS hetero ( conheço as esposas da maioria ), mas no geral eu confio mais em cabeleireiro gay. Vamos combinar: não conheço um gay que não tenha bom gosto pra tudo, desde roupas, perfumes, até restaurantes e lugares descolados.

Agora vamos novamente pedir ajuda das boas almas que lêem este humilde blog: preciso achar um site que tenha muitas fotos de cortes de cabelo. Quero fazer um corte que eu vi em algumas atrizes mas eu não sei como explicar pro cabeleireiro. E procurei as fotos das atrizes com aqueles cortes e não achei. É um corte um pouquinho acima do ombro, meio retinho, mas que cortam de uma forma ( acho que com navalha ) que faz o cabelo ficar espetadinho e meio viradinho pra cima. Complicado, né?

Fora isso, fomos ao cinema assistir GODSEND com De Niro, e o filme é mais ou menos. Tava louca pra assistir Bridget Jones, mas estava lotado.

Agora me vou povo. Hoje não tenho aula e vou ver se começo as compras de presentinhos. Preciso fazer uma listinha. Fui!

vrijdag, november 12, 2004

Todo mundo quer ir pro céu, mas ninguém quer morrer...

Você já teve aqueles momentos em que o desejo de comprar pequenas coisas ( ok, nem tão pequenas assim ) ameaçam tomar conta do seu ser? Explico. Eu não sou uma pessoa de ficar muito de compra isso, compra aquilo ( ou quero comprar isso, quero comprar aquilo ). É muito raro eu dar de cara na vitrine com alguma coisa que eu quero muito, a ponto de voltar pra casa com aquilo na cabeça. Tudo começou com o tal casaco, e agora tenho uma listinha considerável de coisas que eu queria muito, mas muito mesmo ter. O que mais me apoquenta é que no passado, quando eu tinha uma dessas "crises", eu ia lá, comprava os "itens mais importantes" da listinha e o resto caía no esquecimento, mas e agora, o que fazer? Gastar meus eurinhos? Intimar FH a me dar, pelo menos, o casaco?

Eu me sinto muito mal por estar falando de tamanha futilidade enquanto bombas explodem na escola aqui perto de casa, enquanto o Bush é reeleito, mas deve ter uma "mensagem oculta" nesse meu desejo consumista súbito. Algum analista de plantão?

Vamos ir até o fim com a sessão fútil total, quem sabe assim este "encosto" sai de mim e eu volto à vida normal? Objetos de desejo:

- o casaco da Mexx
- bolsa pequena da Kippling
- mochila da Kippling
- livro novo do LE CORDON BLEU
- livro novo do Jamie Oliver
- CD do The Sims 2
- bota forrada de pelinhos da Ecco
- calça jeans da DIESEL
- sweater de cashmere preto da Benetton
- hidratante carésimo da Lâncome

Por favor, me escrevam dizendo que as receitas do Le Cordon Bleu não funcionam, que o jogo TS2 é ruim, que a bota de pelinhos é desconfortável, eu tô num momento "maria vai com as outras" total, vou acreditar piamente em vocês.

Enquanto isso, preciso comprar os presentinhos pra levar pro Brasil e estou completamente sem inspiração. Vou acabar levando chocolates pra todo mundo. Só pra Fê e pro Bru que eu vou levar um brinquedo e, se encontrar, uma jaqueta bem quentinha e bem legal.

donderdag, november 11, 2004

Vamos comentar também...

Tá todo mundo falando do assassinato do Theo van Gogh, explodiu uma bomba numa escola islâmica aqui perto de casa, acharam explosivos em Den Haag, pelo menos uma vez por dia alguém me pergunta o que eu acho de tudo isso. E não querendo parecer alienada, eu não acho nada.

Todo mundo sabe que mexer com mulçumano pode dar nisso. Eu convivi com alguns mulçumanos quando fui para o Egito, e os achei um dos povos mais dóceis que eu já vi, mas dentre a população normal tem sempre um louco extremista, que foi criado por seu pai com metralhadora de brinquedo na mão ( de brinquedo ou de verdade, mas já reparou como sempre que fazem imagem de mulçumano protestando incluem uma imagem de criança com alguma arma? ), está criando seu filho com metralhadora de brinquedo na mão, passando adiante o ódio por esse ou por aquele.

Se você quer exercer seu direito à liberdade de expressão, como fez Theo van Gogh, esteja preparado para lidar com estes extremistas. É a mesma coisa que ir mexer com traficante no morro no Rio, se não ficar esperto, é bala na testa certa. O tal do Theo recebeu ameaças, ganhou uma escolta policial, e morreu porque "driblou" a escolta policial. Tudo bem que deve ser uma droga andar escoltado, mas teria sido mais prudente esperar a poeira abaixar e andar bonitinho com a escolta até os extremistas encontrarem "um novo alvo".

E o que isso muda na minha vida? Pode ser que mais pra frente mude muito, mas agora não muda nada. Não vou ficar queimando miolo achando que daqui pra frente vou ser "mal tratada" pelos holandeses, vou é tratar de seguir normalmente com a minha vida e pronto.

Sabe, eu acho que numa hora dessa é muito importante eu ter na consciência que estou fazendo tudo direitinho como mandam as leis de imigração que eles criaram. Não estou aqui ilegalmente, nem naqueles trambiques de entrar e sair a cada 3 meses como turista, estou aqui com toda a imensa papelada que eles requerem, sigo o tal programa de integração bonitinho, faço o possível para ter este país como o meu. Nunca sofri preconceito aqui, e embora eu saiba que ajuda muito eu ser branca e fisicamente não muito diferente deles, faço também o possível para me comportar como eles: falo baixo, ajudo velhinhas necessitadas no mercado, dou meu lugar no transporte público para o idoso não ter que viajar de pé.

Não vou ser inocente de achar que ninguém me olhe com rabinho de olho, ou que eu não tenha sido vítima de preconceito "velado" ( talvez nas entrevistas de emprego? ), ou que os holandeses sejam assim tão tolerantes quanto pregam. Mas não posso fazer muito contra os preconceitos que eles têm. O que posso fazer é não dar motivos para que tenham a oportunidade de "destilar" este preconceito contra mim. E se um dia o fizerem, falarei em alto e bom tom ( de preferência já em holandês ) que tenho tanto direito de estar aqui quanto eles.

É por isso que eu jamais conseguiria ser ilegal em lugar algum, e é por isso que amo tanto aquele cartãozinho lindinho que me permite estar aqui até o fim de 2007: ele me dá o direito de estar aqui tanto quanto a qualquer um deles. Minha consciência limpíssima não tem preço.

Curtas

Saiu as novas datas para os próximos exames do NT2: 24-25 de março, 1-2 de julho. Quem vai prestar em Março tem até o começo de dezembro para enviar a inscrição. Eu não farei este de março, vou tentar o de julho, e se não passar em alguma matéria presto em outubro de novo.

Nas minhas andanças de carro parei no IND para perguntar alguns dos procedimentos para se pedir a cidadania holandesa, e eles confirmaram que é necessário o diploma NT2 deel 2, não serve os diplominhas da escola ROC ou similares, ou então se presta o naturalizatie exaam ( que usa as mesmas provas do NT2 ). Me disseram também que se pode pedir a cidadania após 3 anos morando com o holandês, mas lendo o site realmente é meio dúbio: no caso de quem casou no Brasil e depois de 5 meses veio pra cá como eu, que data conta, a do casamento, ou a data em que vim morar aqui?

Aqui em Eindhoven o preço para quem quer continuar a estudar holandês depois que o inburgering terminar é Euro 56 o estágio ( cada estágio dura uns 3 meses ), mas conversando com a Silvia ontem, vi que esse valor varia de cidade pra cidade. Em Enschede é mais de Euro 600 pelos mesmos 3 meses.

woensdag, november 10, 2004

Filhos, quando tê-los?

Minha avó Nilda veio de uma família italiana com 7 filhos. Não sendo a mais bonita das 4 filhas, após o casamento da irmã mais velha cedeu à pressão dos pais e se casou com seu namorado Alexandre, imigrante lituano de família russa. Logo no início do casamento, os primeiros choques culturais: ela queria engravidar, ele achava que era muito cedo. A família italiana dela argumentava que onde comem 2 comem 3, ele respondia que criança necessita muito mais do que apenas comida. Para a minha avó, meu avô Alexandre dizia que em dois anos, quando tivessem terminado de pagar as prestações do terreno onde construíram sua casinha, ela poderia engravidar. As amigas diziam que minha avó era "estragada" ( infértil ), porque como explicar uma jovem casada a 2 anos ainda não estar grávida, e ela explicava que meu avô conhecia um método de contar os dias ( a velha tabelinha ), e todas achavam que minha avó estava mentindo.

Finalmente as prestações acabaram e minha avó engravidou. Nasceu meu tio. Dois anos depois minha avó queria outro filho, meu avô dizia que somente depois que tivessem guardado X no banco. De novo a família azucrinando a coitada ( família italiana é fogo! ): diziam que meu avô não era muito chegado na coisa, ou que não a achava atraente. Para o meu avô, diziam que casa feliz era casa cheia de crianças rindo e brincando, ele respondia que casa feliz, era casa com crianças bem alimentadas, bem vestidas, com bons livros e bons cadernos.

Querendo muito outro filho, minha avó comprou uma "champanha" ( como ela dizia ), e dito e feito: naquele dia meu avô errou nas contas e ela engravidou. Nasceu meu pai. Pela minha avó outros filhos teriam vindo, claro que todos falavam que ela precisava agora ter uma menininha, mas meu avô era categórico: duas crianças estavam de bom tamanho. Ninguém entendia aquela preocupação dele em dar boa educação pros filhos, bastava ir pra escola e depois aprender "um ofício"; e tampouco entendiam a mania dele de ter uma "poupança para emergências".

E veio então a tal emergência. Quando meu pai tinha 5 anos, meu avô morreu. Minha avó se viu com duas crianças, sem emprego, sem marido. Eu acho que o mais desesperador numa hora dessas é não somente a perda do companheiro, mas a preocupação com "o que fazer agora?". No caso dela, meu avô deixou a casinha deles totalmente paga, deixou a tal poupança que os sustentou até minha avó arrumar um emprego, e deixou a tal "pensão" do governo. A família italiana, todos cheios de filhos, não pôde ajudar minha avó olhando meu tio e meu pai enquanto ela trabalhava ( ué, onde comem 3 não comem 4? não é lindo ver a casa cheia de crianças? ). Quem ajudou foi a família russa, a irmã do meu avô que tinha apenas 1 filha olhava também meu tio e meu pai.

Estava lembando esta história toda ontem quando falava com uma amiga sobre ter filhos. Eu explicava que assim que cheguei na Holanda, assustada com essa inexistência de empregadas, babás, e me conhecendo muito bem para saber que eu jamais serei feliz em casa cuidando de filhos, pensei seriamente em jamais tê-los. Hoje estou revisistando esta questão, posso até mudar de idéia.

Carrego em mim o gene do meu avô Lituano Alexandre. Não consigo pensar em ter um bebê com tantas incertezas me rondando. Primeiro que eu não acho que a gente conhece bem o marido antes de uns 2 anos de casamento, nem que a relação esteja madura o suficiente para aguentar o tranco de se ter um bebê. Outro fator é o financeiro. Por mais que tenhamos uma vida muito confortável vivendo apenas como o salário dele, não acho justo colocar tamanha responsabilidade nos ombros de uma só pessoa. Se eu fosse a responsável pelo "sustento" da família, acho que viveria preocupada. E por último o principal: eu não acredito nessa história de "metade da laranja".

Eu não sou parte que completa ninguém e nem ninguém me completa. Eu sou um ser inteiro, com medos, fraquezas, virtudes e sonhos. Por mais que ter um filho seja gratificante, eu não conseguiria ser feliz sem ter minha carreira, sem receber meu chequinho no fim do mês. Sei que cuidar de um filho dá muito trabalho, que ocupa muito tempo, e que é algo muito nobre, mas por mais que eu tente, não consigo me ver em casa empenhado as tais "tarefas domésticas". E no dia que o filho for pra escola às 8:00 e voltar às 15:00, o que fazer? Se está sendo difícil entrar no mercado de trabalho agora, como será em ,vamos supor, 6 anos, com disponibilidade de apenas meio período, depois de tanto tempo afastada do "mercado"? Pode até não ser muito difícil para pessoas com uma profissão de alta demanda aqui, como Alice que é médica, mas na minha área ( administração / compras ) existem centenas de holandêses "da gema" sendo despejados anualmente no mercado, jovens, com grande potencial, fresquinhos da faculdade e sem muitas preocupações ( normalmente comprador tem que viajar bastante ). Não confio no meu taco? Confio muitíssimo, quem pode não confiar tanto assim são os empregadores.

De qualquer forma, coloquei sim UM filho no meu plano de vida. Não para agora, quero primeiro falar e entender holandês, quero encontrar um emprego legal e me desenvolver nele, quero pesquisar mais sobre au-pair ( condição sine qua non pra eu ter um filho ). Coisa pra talvez daqui a 4 / 5 anos. E esse blá blá blá sobre a dificuldade de se engravidar depois dos 30? Primeiro que eu acho isso tudo uma pataquada sem tamanho, vejo a mulherada engravidando a torto e direito nessa idade e tendo bebês saudáveis. Sei que é mais difícil mas não é assim o fim do mundo. De qualquer forma, se eu tiver dificuldade de engravidar, existem inúmeros tratamentos para infertilidade. E se mesmo assim eu não engravidar, ou desisto do bebê ou se for tão importante assim pra mim ser mãe, adoto.


dinsdag, november 09, 2004

Praga de leitor de blog pega...

Ok, vocês estavam certas, eu não achei nenhum casaco que me apetecesse. Mas vamos por partes.

Hoje fui pra Antwerpen ( Antuérpia ). Saí de casa às 9:00 para encontrar o carro todo "congelado" e sem os trequinhos de raspar o gelo, pois FH os pegou pra usar no carro da Philips que não tinha. Você já tentou derreter gelo do parabrisa só com água? Pois é, não dá. E eu ali, naquele frio, uma garrafinha de água na mão, uma casca de banana, uma caixinha de papelão. Baixou o espírito do Mc Guyver e eu fui jogando água e raspando com a lateral da caixinha.

Pego a autoestrada livrezinha. São 70 km daqui a Antwerpen. Vou primeiro ao shopping. Nossa, fazia uma cara que eu não ia a shopping com cara de shopping Paulista. Mas necas de casaco. Todas as lojas que eu vi, tem também em Eindhoven, e nada de muito "inédito". Ah, com uma maravilhosa exceção: a loja da Kipling. Eu juro que um dia ainda entrarei numa loja da Kipling, como diria o Fábio Jr., "sem limites pra sonhar". Tinha até um casaco legal, mais barato que o da Mexx, mas feito com aquele tecido das bolsas, um barulho imenso quando se anda.

*** Pausa, pausa, pausa

Decidi que serei mãe rapidamente, sim senhor. Entrei numa loja no shopping e dei de cara com o Babyzito mais lindo do mundo. Os olhinhos redondinhos, movimentos sonolentos, despertou imediatamente meu instinto maternal. No mesmo instante decidi: meu nome volta pra lista de espera do meu gatinho Ragdoll. A pet-shop estava vendendo persinhas, liiiiindos. A metade do preço do Ragdoll, mas gato persa é muito mal humoradinho. Ano que vem, assim que a casa estiver nos trinques, serei mami de uma gatinha ragdoll. FIM DA PAUSA

Saí do shopping com apenas 1 sacolinha na mão: uma blusinha branca da loja WE. Fui para o centro de Antwerpen.

Geeeente, que são aqueles judeus ortodoxos todos ali no distrito dos diamantes? Eu achei que era a saída de alguma escola, algo do tipo, mas o tempo todo que estive por lá vi os carinhas chapeuzudos de caracóizinhos nos cabelos pra todo lado. E quanta joalheria, como é que se escolhe uma dentre tantas?

Estacionei no cinema e fui bater perna. Sabe, acho que estou acostumada com a vida pacata de Eindhoven. Achei Antwerpen meio desorganizada demais, meio sujinha. Acho que eu estava esperando uma cidadezinha mais simpática, e encontrei uma cidade de tamanho razoável, com todos os problemas de uma cidade maior. Definitivamente, está na hora de irmos para Brugge de novo.

Este fim de semana fomos a um café aqui em Eindhoven e fiquei pensando, algumas boas idéias daqui que, pelo menos em São Paulo, dariam certo no inverno. Para quem nunca veio pra Holanda, é impressionante como tempo ruim nenhum segura este povo em casa. E como eles adoram sentar do lado de fora de cafés e barzinhos, encontrou-se logo a solução. Quase todos os estabelecimentos que tem mesinhas na rua tem um sistema de aquecimento externo: umas lampadonas que são instaladas debaixo dos toldos. E para completar, mantinhas são colocadas nas cadeiras à disposição dos clientes que quiserem esquentar as perninhas. Eu sou a primeira a agarrar a minha. E sentamos pertinho do aquecedor, com mantinha no colo, FH com um chocolate quente e eu com uma sopinha divina de queijo. E sentamos olhando bem pro povo passando na pracinha, feito velhas futriqueiras. Diliça...

Mas voltando à Bélgica. Terminada a minha andança, peguei o carro e me coloquei na estrada. Uma sensação boa quando cruzei a fronteira e entrei novamente na Holanda. Será que finalmente estou indo pra fase 3 ( a quase adaptação )? Agora que estou dirigindo estou conhecendo melhor cada esquina de Eindhoven ( ok que a cidade é pequena ) dá uma sensação boa ao voltar pra casa. Hoje pela primeira vez, chamei Eindhoven de "minha casa". Será que me sentirei uma estranha no ninho lá em São Paulo? Às vezes penso que sempre amarei SP como se ama uma mãe: incondicionalmente, sendo boa ou não. E amarei também Eindhoven, só que com amor "de cônjuge": foi aqui que eu escolhi pra morar. Será que dá pra entender?

Ah, em tempo...

Para quem mora aqui na Holanda, começou dia 7 de novembro um novo programa no canal Ned 1, um programa educativo chamado Taal Spel, direcionado aos estrangeiros que estão aprendendo o idioma holandês. O nível do jogo é compatível com o exame NT2 deel 2, e o programa vai ao ar todos os domingos das 17:50 às 18:15. Mais informações nos sites
www.taalspel.tv e www.etv.nl. Claro que nós, pobres alunos do ROC fomos gentilmente "convidados" a prestigiar o novo programa, e até que é bem legalzinho.

maandag, november 08, 2004

Rítmo, em rítmo de festaaaaaa

Se bem que eu devia substituir a palavra festa por férias... Isso mesmo, já pendurei as ferraduras e agora vai tudo na maciota. Continuo pianinho pianinho com o curso, se bem que pianinho demais pro meu gosto, quero mudar pra uma turma mais rápida, mas isso é coisa pra se preocupar só no ano que vem. Falta pouco menos de um mês pra minha viagem e eu ainda não comprei nenhum presente, nenhuma lembrancinha. Jammer...

Este fim de semana acabamos não indo pra Brugge. Tínhamos que decidir o lance do banheiro urgente, pois o azulejista deu o orçamento dele e nos deu até sexta-feira para decidirmos. Tínhamos que fazer uma pesquisa de mercado básica, pois achamos o preço do cara meio salgado. Ele nos deu os seguintes preços: eu e o Bart removemos todos os azulejos/piso, ele azuleja tudo, instala a banheira, instala o vaso sanitário "mudérno", nós instalamos a cabine do chuveiro. Ele cobra Euro 3500 pelo serviço e estima que gastaremos mais uns 2500 euros de material. Fomos em mais 3 empresas, a mais barata cobrou Euro 8800. Bart "se sentiu mais confortável" com esta última, mas eu logo cortei, afinal, são quase 3000 euros a mais.

Passamos o sábado inteiro indo de lá pra cá e é claro que rolou muito stress. De noite, só tinha cabeça pra comer qualquer coisa pronta e assistir a um DVD.

No domingo foi o koopzondag, dia em que o comércio estava praticamente todo aberto. Tive uma experiência transcendental. Estávamos na V&D comprando cuequinhas pra FH, quando eu dou de cara com o casaco mais lindo que eu já vi. Preto, de capuz, comprimento pouco abaixo do quadril, acinturadinho, lindooooooo. Olhei a arara e tive um calafrio: Mexx. Ufff vai ser caro. Etiqueta: Euro 289. Uiiiiiii. Só tinha tamanho 44/46, não vai servir, mas vou experimentar só pela diversão ( mentira, pois eu DETESTO comprar roupa, portanto nunca experimento nada, se experimento é porque quero me convencer que vai ficar uma bosta ou convencer FH de que fica tão lindo no corpo que merece ser comprado ). Como diria minha tia Sônia, caiu como uma chuuuuva. Ficou certinho. Leve. Quentinho. Estiloso. Caaaaro. FH só falava: noooossa, são não-sei-quantos-guilderes ( o marido/namorado de vocês também tem essa mania de converter tudo pro falecido guilder? ). É meninas, não comprei o casaco. Foi a primeira coisa que eu gostei muuuuito desde que cheguei aqui e que tive que deixar pra trás. Saí da V&D sem o tal casaco. FH até falou: você compra na liquidação de inverno, mas além de eu não estar mais aqui na liquidação de inverno, as únicas coisas que sobram são os casacos 36. Uma tripinha costurada dos dois lados. Eu até podia ter falado: mas eu quero, afinal você acabou de gastar 50 euros em 3 cuecas, mas não falei. Vou procurar um pouco mais, se não achar nada legal mais em conta, bato o pé.

Eu ia falar do café legal que fomos no domingo, mas deixa pra outro dia. Tenho que tomar um banho e ir pra escola.

vrijdag, november 05, 2004

Fotinhos

Finalmente baixei as fotos do sábado em Hasselt. Notem como FH está cada vez mais fofo, mais lindo, mais abraçável ( já falei que FH é altamente abraçável? ). E amanhã estaremos indo para Brugge comemorar minha carteira de motorista. Claudinha, o passeio de barco que vc fez foi o barquinho ou o barco maior?









Gente, olhem o tamanho do prato de costelinhas de porco que FH pediu. Detalhe: eu não estava com muita fome então pedi um sanduichinho "gezond" ( saudável ) de queijinho, salmão, saladinha, e só consegui "ajudá-lo" com uma costelhinha. As demais ele traçou TODAS. Tomando Desperados, cerveja mexicana com tequila ( que eu também adoro, mas eu estava dirigindo e não podia beber ).

A tentação agora vai ser passar o fim de semana em Brugge e não chafurdar no Waffle e nos chocolates. Lá tem uma loja de chocolates artesanais a cada 100 mts.

Bom fim-de-semana pra todos nós, com solzinho, friozinho, tempo perfeito pra se sentar do lado de fora de um café e tomar um bom capuccino ou então uma sopinha. Ultimamente ando numa felicidade só. Como é bom sentir que com o tempo as coisas vão se encaixando. Compramos nossa casa, eu tirei minha carteira de motorista, estou melhorando no holandês, daqui menos de um mês estarei vendo a família de novo.

Já falei procêis que este ano no dia 1o. de janeiro eu quero ir ver os peladões da praia em Den Haag? Mas isso fica pra uma próxima história...

donderdag, november 04, 2004

Tô carecendo...

Tô carecendo de uma NEOSALDINA básica... Acho que meu corpo criou resistência ao Paracetamol e ao Ibruprofen. Minha NEOSALDINA acabou, assim como minha Aspirina, Dorflex, Dipirona... Ah, a hora que eu entrar na Drogaria São Paulo...

woensdag, november 03, 2004

O Olodum tá hip, o Olodum tá pop, o Olodum tá reggae, o Olodum tá rock, o Olodum pirou de vez...

Essa música não sai da minha cabeça...

Falta um rádio no carro. Aliás, bati muita perna ontem. Ou melhor, bati pneu. Fui à nossa nova casa, e quanto mais conheço as redondezas mais gosto do bairro. Este bairro fica a 1 km do maior winkel centrum de Eindhoven ( winkel centrum é um "shopping a céu aberto", com lojinhas, mercados, restaurantes ), e nossa casa fica a uns 200 mt. de um mini-winkel centrum que tem Aldi e AH. Tem também um centro de saúde, vou ver se me inscrevo um huistarts de lá. A uns 300 mt. fica um lago lindo, formado pelo único canal de Eindhoven, e ao redor deste lago tem, lógico, um parque. Sabe aqueles chorões com as folhas encostando na água? Pois então, é lindo.

Fui também na Praxis, no Ikea, no Albert Heijn Extra Large. Eu queria muito ter umas tulipas no jardim no ano que vem, e está baratinho o pacote de bulbos, mas teria que plantar agora e como ainda não mudamos não dá, né? Eu tava pensando em plantar numa jardineira, num vasão, mas alguém aqui sabe se eu posso deixar o vaso lá fora "no tempo" quando eu for pro Brasil? Preciso comprar um livro sobre jardinagem, só sei que já tem no jardim ( que é bem grande ) uma parreira, quero agora plantar pés de framboeza, morangos, e queria trazer sementes de maracujá. Deve morrer no inverno, né? Vi uns maracujás do Kenia no AH, são vermelhos, pequenininhos, vou comprar pra ver se o gosto é semelhante. Eu queria fazer mousse, mas haja maracujazinho, hein!?

Sexta-feira vou me lançar a alguma aventura. Dusseldorf ou Antuérpia? Ui ui ui ui ui. Bart já falou que vou gastar mais de combustível do que gastava com o professor, e é claro que levou piabinha na bunda. Já expliquei que é só esta semana que além de ser novidade pra mim, estou de férias.

E o povo tá todo comentando o assassinato do Theo van Gogh. Eu queria ver o curta dele, o tal que causou tanta polêmica. Falaram que é muuuuito bom, mas pesado. Se o caldo vai engrossar para o lado dos "allochtone" como dizem alguns eu não sei, só sei que eu vou continuar na minha vidinha normal, fazendo meu inburgering, procurando emprego. Antes mesmo disso acontecer já havia se iniciado o rebu na escola. Estão cortando verbas, e os Eindhovenses querem que se corte subsídios aos imigrantes e não aos holandeses, pois aqui a população estrangeira não chega a ser o "problema" que é em Rotterdam ou Amsterdam. A partir do ano que vem a continuação do curso de holandês não terá mais subsídio, só queremos saber se nós ainda temos direito ao subsídio ou não. Hoje pagaríamos 243 euros por 6 meses de aula, e sem o subsídio pagaremos ( ou pagaríamos, pois a maioria não irá continuar se tiver que pagar ) 340 euros por mês. Continuam falando que vão mudar o esquema do Inburgering, eu acho difícil. Só sei que este cursinho de 1 ano não é suficiente para te deixar fluente, não. Você pode até passar no tal NT2, mas falar fluentezinho, bonitinho, necas de catipirobas. E com estes precinhos nada camaradas, serão poucos a continuar os estudos.

dinsdag, november 02, 2004

PASSEI!!!!!



Foram muitas aulas, muito nervoso, muita grana, mas finalmente tenho minha carteira de motorista holandesa.

Como sou brega mesmo, tô aqui pensando onde ir. Queria ir pra um lugar bem legal. Hoje vou dar só umas voltinhas pois já é quase meio-dia, mas sexta-feira acho que vou pra Dusseldorf, fica a 1 hora daqui e é um paraíso das compras. Ou então vou sábado com FH.

Estou tão feliz, mas tão feliz, que estou andando dando pulinhos, rindo de orelha a orelha, alívio geral.

Claudinha: obrigada pelo cartão virtual, adoreiiiiii!

maandag, november 01, 2004

Choopeta!

Mamãe eu quero... mamãe eu quero mamar!

A marchinha acima fez parte do "mergulho cultural belga" do fim de semana. Dirigimos 65 km para fazer compras no Carrefour e de quebra, ouvir Mamãe eu quero cantado pelas trigêmeas do T-Rio. E qual não foi a minha surpresa ao ver o Fantástico hoje no Globo Media Center e encontrar lá uma reportagem com as tais trigêmeas e a infame musiquinha. Será que eu vou sair aqui das Zuropa no verão pra ir ouvir Mamãe eu quero em São Paulo?

E é cláááááro, eu assassinei a dieta. Primeiro paramos no Carrefour. Nada demais, eu esperava mais. O pãozinho que diziam ser supimpa, não é melhor que a bengala da Michiels, comemos ainda da padaria do Carrefour Brioche de Chocolate e Croissants. Trouxemos Focaccia. Outra coisa legal que não tem aqui é a linha completa do Weight Watchers, compramos um pudinzinho de baunilha e um mousse de limão, ambos muito bons. Fiquei horrorizada com os preços. Eu não sei se há supermercado mais "chique" que o Carrefour, deve haver, pois embora seja bem prático, não é bonito não. Então, comparando os preços do Carrefour com os do AH ( supermercado mais caro da Holanda ), tudo que eu comparei era mais caro na Bélgica. Iogurtes bem mais caros ( comparei o Vitalinea e o Activa, que eu sempre compro ), M&Ms, Ariel, Queijinho Philadelphia, e até os leguminhos e verdurinha são mais caros. Até chocolate Belga ( Gyulian ) é mais caro no Carrefour que no AH!

Depois do Carrefour fomos para o centrinho de Hasselt, onde sentamos num café e jantamos, incluindo um Waffle maravilhoso. A pracinha inteira cheirava Waffle. engraçado que o comércio fecha às 6, e não às 5 como aqui. Quase não dá pra perceber que se mudou de país, pois todas as lojas que vejo aqui, vi lá: Hema, Blokker, Kruidvat, Esprit.

Agora vou estudar os adjuntos holandeses pois tenho Traject Toets hoje.

Amanhã eu coloco as fotos, pois Bartholomeus guardou o cabo da máquinha fotográfica sabe-se Deus onde.

Ah, eu tenho que comentar...

Em todos os sites brasileiros se fala mais do casamento da Angélica e Luciano Hulk do que da eleição dos prefeitos. Achei a Angélica meio feiosinha naquele vestido meio largão. E o cabelo tava meio de mocréia. Embora eu não vá com a cara da Adriane Galisteu, ela estava com o vestido mais lindo que eu já vi. Estou procurando uma foto decente do bichinho, pois é do tipo que valoriza as mais "cheinhas", então quem sabe se um dia eu for a algum evento chiquérrimo eu não mando copiar? No Brasil, claro, que aqui nem sei se existe costureira.

PS.: Ui, que meda!

Olhem nos comentários, acho que irritei algum fã desvairado da Angélica, se é que fãs da Angélica existem. Eu ia deletar os comentários, pois como já disse, pode educadamente discordar da minha opinião sim, discutir qualquer idéia, sem ofensas, baixarias. Só não deletei o comentário porque é tão ridículo, mas tão ridículo que é engraçado. E achei que quem lê meu blog merece uma risadinha boa dessa. Gente, a tal "Luciana" merece uma boa gargalhada nossa ou não? Tem cada louco nesse mundo, eu hein...Vá passear, menina, mas vá de táxi, hein! E não esqueça de ir de táxi vestindo seu blue jeans... hhahahahaha... hehehhehehehe...

Perfil

Adriana, 31 anos, paulista, casada com o holandês Bart, morando em Eindhoven desde maio/2003. Clique no link abaixo para saber como vim parar aqui


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