woensdag, juni 30, 2004
U-HÚ
Tô famosa! Agora só falta eu comprar minha cobertura de frente para o piscinão de Ramos e cada mergulho será um flash! Olhem só:
Claudinha já até me pediu autógrafo. Pediu não, eu já fui oferecendo... Hhahahaha... Só rindo mesmo!
Mas finalmente tomei coragem e coloquei ali do lado um link para a história de como eu vim parar aqui. No meu antigo blog tinha uma página super bonitinha, com fotos e tudo, mas eu perdi o acesso ao HPG, não tenho como modificá-la.
E hoje tem jogo. Comprei minha camisetinha laranja, mas amanheceu o maior frio! Vai por cima de uma pretinha mesmo.
Felipão: você vai ter que "nos" engolir!!!!!! Zagalei agora...
Ah, e não se pode elogiar. Falei do Zico no post de ontem pois vi uma matéria sobre como ele divulgou o futebol no Japão, mas que já estava de volta ao RJ trabalhando em projetos sociais. Mas já voltou pro Japão. Vendido. E o Sócrates, onde foi parar? Timão aquele...
Publicado por Adriana às 7:54 AM
dinsdag, juni 29, 2004
Cíclico
É engraçado como após um ano aqui coisas que você normalmente não guardaria na memória vêm a tona. Lembram-se das fotos que postei da festa "latina" aqui em Eindhoven com uma holandesa gordinha vestida de sambista se chacoalhando? Pois então, a tal "Festa del Sol y Confetti" aconteceu novamente este ano, e a mesma mulher estava lá, com a mesma fantasia, com os mesmos pneus se chacoalhando. Num mundo normal, a gente não guardaria tal besteira na memória, mas é impossível não ver esta cena, e outros acontecimentos, e não pensar: um ano se passou ( ou mais de um ano ).
Semana que vem será aniversário do FH, e me lembro que no ano passado revirei o supermercado para achar coisinhas de aniversário ( pratinho, copinho, canudinho ) e não sabia que essas coisas aqui se compra nas Blokkers da vida, ou Kruidvat, em qualquer lugar, menos no supermercado. Só que desta vez, embora eu saiba onde comprar estas coisas ( tô querendo comprar coisitchas do Spongebob ) eu não sei o que dar de presente. Uma bolsa para o Laptop? Me soa meio estranho, já que eu sou quem usa mais o laptop. Podia ser também a tal placa que está faltando para instalar internet sem fio no Laptop, mas eu não entendo nada disso, vou acabar fazendo bobeira. Estou indo agora para o centro de Eindhoven pois começou a liquidação de junho / julho ( outra vez, me lembrando do tal "ciclo" ), vou ver se acho uns sweters legais, se bem que FH não tá precisando de roupa. Precisa é de tênis, mas jamais vou comprar um sapato para ele sem ele estar junto. O bicho é fresco que só para sapatos.
Engraçado que embora algumas coisas não tenham funcionado como eu esperava ( o emprego, a demora com o início das aulas, as infindáveis tarefas domésticas ), hoje eu me sinto mais confiante, mais pé no chão. A gente chega aqui tão perdida, mas tão perdida, que não faz a mínima idéia que se está tão perdida. Estranho? Eu pelo menos, achava que ia "simplesmente" mudar de país, nada de tãããão dramático. Que choque! Deixei de ser a "filhinha da mamãe" com roupinha passada e quarto arrumadinho pela empregada para ser a responsável ( ok, co-responsável ) não só pelas minhas coisas mas pelas coisas do Bart também. Era a classe privilegiada no Brasil, sou minoria indesejada aqui ( minoria não muito minoria, mas vá lá ). Tinha uma vida social agitada, aqui tive e ainda tenho que estabelecer meu círculo social. Vivia rodeada de tios, primos, parentes em geral, aqui somos só eu e o Bart. É óbvio que nem todas as mudanças foram para pior: me sinto mais segura aqui, não tenho medo de assalto, sequestro-relâmpago; eu e FH viajamos bastante; fiz novos amigos; logo vamos ter a nossa casa do jeito que a gente quer. Mas é uma mudança e tanto... Coideloco!!!!!!
E no balanço das horas tudo pode mudar...
E Princesa da Martinica foi mais uma a fechar as portas. É tanto blog novo e blog fechando, que eu acho que vou mesmo é deletar os links que coloquei no meu. Estão sempre desatualizados. Já jurei que no dia que eu arrumar emprego páro de postar ou vou fazê-lo só aos fim-de-semanas, mas pelo jeito vocês vão ter que me "engolir" como diria o Zagalo por um bom tempo ainda.
Falar em Zagalo, Holanda joga contra Portugal pilotada por Felipão. Sinceramente não sinto nada em relação à ele, nem o fato dele ter "arranjado" uma bandeira brasileira para comemorar a vitória contra a Inglaterra me anima. Continua sendo a seleção portuguesa, que para mim nei cheira nem fede, e Felipão deveria mais é estar lá no Brasil, treinando juniores ou algo que o valha. O cara já tá rico, devia fazer que nem o Zico, agora que já garantiu a velhice, fazer algum trabalho social. Mas também, não é da minha conta.
E para cumprir minha promessa, vou ver se encontro duas camisetas laranjonas para o casal aqui. Algo me diz que as camisetas terão carreira curta, mas quem sabe... Aliás, aquele van Nistelrooy bate um senhor de um bolão, hein? Senhora... Tá alí ó com o Zidane. Tem um "purtuga" deveras interessante, mas desse não sei o nome. E olha que eu não gosto de morenos. Mas para eles eu abria uma exceção.
Publicado por Adriana às 10:45 AM
maandag, juni 28, 2004
Ah, finalmente o EFTELING...
Fui fui fui! Eu fui ao Efteling novamente neste sábado. Quem me conhece sabe que uma pessoa que tinha o cartão anual do Hopi Hari ( e dei um de presente para a Thalita ), só pode mesmo amar o Efteling, que, afinal, fica a só 20 minutinhos de Eindhoven.
O dia estava lindo, o parque razoavelmente vazio ( ia ter jogo e o povo que mora longe ficou em casa ) e deu para aproveitar moooooito.
O que eu mais amo no Efteling é que, além das atrações legais, tem jardins maravilhosos, a "floresta encantada", castelos, pracinhas, tudo ultra bem cuidado. Este ano os jardins estão lindos lindos lindos. Apesar do cansaço ( pois o parque é bem grande ), iria todo sábado se me deixassem ( e não fosse à falência ).
Vejam só:
Chegando...
A galinha dos ovos de ouro
Já que o ovo não era de ouro, brinquedo de consolação
Uma das atrações favoritas: Pandadroom da WWF
O que é mais lindo, meu FH ou as flores?
O burrinho que "faz" dinheiro...
O prêmio... Moedas de "ouro"
Impressionante: os gansos seguem o "chefe"
Quero ir de novo!!!!!!
Agora um assunto sério...
Vamos falar de dinheiro, ou melhor, da ausência dele. Se você imigrou legalmente para a Holanda e não está trabalhando, saiba que após 6 meses, seu parceiro e você têm direito a receber do governo uma "ajuda" no valor de 6 parcelas de Euro 157. Basta ligar para o Belasting Kantoor e pedir o M Formulier. O prazo para pedir o benefício este ano vai até meados de Julho. E leia o formulário com atenção pois é super simples de preencher - se você ler as instruções antes - se fizer como o desesperado do meu marido que não pode ver um formulário que já vai preenchendo, corre o risco de demorar quase duas horas e, no final, ler nas instruções ( que você deveria ter lido antes de iniciar o preenchimento ), que se o imigrante não trabalha basta preencher os dados e responder às questões 1, 2, 73 ( sim, o formulário tem quase 100 questões e sim, meu FH respondeu desnecessariamente todas elas ).
Publicado por Adriana às 9:09 AM
vrijdag, juni 25, 2004
E o vento levou...
Ontem me senti "a" peso pluma. Doce ilusão. Ventava tanto, mas tanto, que tive que desmontar da bicicleta e fazer parte do caminho para a escola a pé. Me sentindo a Gisele Bunchen magérrima virei a esquina da escola e deparei-me com uma cena deveras interessante. Uma árvore rachou ao meio e metade dela caiu exatamente sobre o fiesta 93 vermelho maldito que está sempre estacionado na frente da saída das bicicletas, fazendo com que você tenha que desmontar da mesma para sair do parque. HAHAHAHAHAHA bem feito. E seguro não paga "acidentes da natureza". Me senti vingada.
Para completar a cena bizarra, todo mundo chegando desmontado da bicicleta, até o negão caboverdense super marombado que deve pesar uns 150 quilos ( de músculo ) temeu ser levado, arrastado ou tombado pelo vento. Deveras impressionante.
E em meio a este furacão ( só se ouve o povo falar waai e wind - o verbo ventar e a palavra vento respectivamente ) Adriana só tem cabeça para uma coisa: parece que finalmente vou ao Efteling amanhã. Parece. O cara da imobiliária cancelou a visita que íamos fazer a casa. Pelo menos acho que com esse tempo doido vai estar menos cheio. Aqui por essas bandas já fui ao Efteling, ao Warner Bros, ao Six Flags e o Efteling é o melhor. Legal mesmo seria ir de carro para a Disneyland Paris. Falei que fica a menos de 4 horas daqui? Mas daí você pensa: ir a Disneyland Paris e não ir a Paris é um pecado... E o que era pra ser uma escapadinha simples e razoavelmente barata de fim-de-semana prolongado vira mini-férias. E eu, que já fui 4 vezes a Paris, sou a primeira a pensar que realmente é um desperdício, sabe aquele lance de nadar e morrer na praia?
De qualquer forma, bom fim-de-semana para todos nós. Acho que vou à loucadora ( pausa )
*** Que é isso? Leiam bem: eu escrevi loucadora com u. Se ainda meu holandês melhorasse na proporção que meu português piora, mas nããããão, continua a mesma m...... loucadora com u é muito tosssssco, só rindo... preciso mesmo ir para o Brasil logo..... acho que vou começar a blogar em inglês..... Qué sabê duma coisa? Kiss in the ass procêis todos... HAHAHAHHAHAHAH ... loUcadora... podia ser pior, podia ser loUcadoUra, com dois u... ****
( volta da pausa ) alugar aquele filme Twister. Aliás, a atração de mesmo nome na Disney de Orlando é mooooooooito legal... Tem até vaquinha ( nelore holandesa ) voando pelos ares! O melhor de tudo aqui é ver as velhinhas com aquelas capinhas para proteger o penteado e metade das bikes caídas no estacionamento bicicletal do supermercado. Só rindo mesmo...
HA HA HA HA HA HA HAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Publicado por Adriana às 9:08 AM
donderdag, juni 24, 2004
Férias no Brasil
E cá estou eu tentando organizar as férias de fim de ano no Brasil. Vamos dia 10 de dezembro, voltando dia 31 ( vou passar a virada de ano no avião!! ). A princípio minha idéia foi alugar uma casa no litoral norte de SP. Achei uma casa linda na praia da Baleia, perto de Camburyzinho. Detalhe: a idéía é passar uma semana curtindo os sobrinhos, mas como a Denise tem 2 filhos do primeiro casamento que passam as férias com ela em SP, tive que achar uma casa enorme para caber as 6 pessoas da família do meu irmão, eu e o Bart, minha mãe e a Thalita. Quando penso que tudo está certo, minha mãe não sabe se meu irmão vai ter férias, fica inventando mil impecilhos, sugere eu alugar uma chácara lá perto de Holambra mesmo ( meu irmão, ironia do destino, mudou-se para Holambra este ano ). Agora pense bem, eu saio aqui da Holanda, do meio deste mato todo que cerca Eindhoven, para me enfiar no meio do mato lá no Brasil. Eu com certeza vou curtir os sobrinhos, mas e FH, vai morrer de tédio. E para mim, férias de verdade tem que ser na praia. A verdade é que para holandeses julho já é mais do que hora de ter todas ( todinhas de fio-a-pavio) as férias de Dezembro organizadas, mas os brasileiros não sabem nem se vão poder tirar os dias de férias, que dia as crianças terminam as aulas, quem vem passar o Natal em SP ou não. Será que eu estou me holandesando?
De qualquer forma, comecei a pesquisar um plano B, e fiquei horrorizada como as agências no Brasil abriram falência. Logo que vim para a Holanda a Stella Barros ( lembra da Vovó Stella que levava a criançada para a Disney? ) faliu, entrei no site da Varig Travel - agência que usei na minha lua-de-mel e tem lá um aviso que ela faliu. Queria fugir um pouco do monopólio CVC, mas parece que não tenho muita opção. O site da Nascimento turismo na sua página principal oferece apenas viagens para o exterior, a única opção para o Brasil são os resorts. Gente, estou mal informada ou o dollar está nas alturas, fazendo com que quase ninguém possa ir ao exterior? E estes preços absurdos dos resorts? Em 2002, na minha lua de mel, pagamos no Summerville - Porto de Galinhas R$ 2000 em alta temporada para ficar no apartamento de luxo, o standard estava R$ 1700. Agora, para ir em Setembro, apartamento standard, morre mais de R$ 2200.
Passagem aérea então é uma piada. Achei que a GOL fosse a easyjet brasileira, até as mesmas cores usam, mas uma passagem para Natal, ida e volta em dezembro, não sai por menos de R$ 900. A CVC oferece um pacote "simplezinho" num hotel 3 estrelas por R$ 838, ou seja, mesmo que o hotel seja barato, o pacote ainda é mais barato do que apenas a passagem aérea da GOL. Um desastre!
Agora me desculpem a ignorância, mas existe um ministro de turismo? Eu sei que secretário de turismo todo estado tem, mas e ministro? Se tem, alguém tem que ir lá e tacar ovo podre no cara. Como pode venderem pacotes para Recife aqui de Amsterdam a partir de Euro 350 e no Brasil a gente ter que pagar R$ 1300 saindo de São Paulo ou Rio, ficando em hotéis inferiores? E a opção que antes a gente tinha de viajar de carro e ficar num hotelzinho, pousadinha, está ficando cada vez mais impossível. O Hotel que eu fiquei quando fui a primeira vez para Ilha Grande - RJ ( muito simples por sinal ) custava R$ 76 reais para 3 pessoas ( em 2000 ). Hoje o mesmo hotel custa R$ 110 o casal. Detalhe: não tem piscina, não tem nem recepção, é bem pousadinha mesmo. Um hotel mais bonitinho em Ilha Grande está por volta de R$ 150 em baixa temporada. Gente, isso é mais de meio salário mínimo! E você pergunta a tarifa para dezembro e eles respondem que "ainda não decidiram". Como pode "ainda não decidiram"? Vão ver a demanda, vão fazer lobby com os outros hotéis, e vão jogar os preços lá nas alturas. E vai aquele bando de trouxas, normalmente paulistas ( e nem venham me avacalhar pois eu também sou paulista e caí nesse truque zilhares de vezes ), e pagam!!! Eu estou inconformada. Ano que vem, se eu estiver trabalhando, sabe o que vou fazer? Pagar a passagem para minha mãe, ver se o meu irmão compra a do Bru ( e talvez a da Fê que já vai estar mais grandinha ) e nos mandamos para Orlando.
Tá certo que os ingressos para a Disney também são caros, mas dois quartos num Holiday inn custam USD 90, ou então podemos alugar uma casa por USD 110. A passagem de Amsterdam está Euro 450 ( vou pagar quase Euro 900 por pessoa para ir ao Brasil ). E a gente pode reservar com um ano de antecedência se quiser, com desconto! Assim não tenho que cair nessa máfia maldita do "vou decidir quanto é que vai custar". Eu sei que sai bem mais caro, mas além da minha mãe e as crianças conhecerem a Disney, não fico com aquela sensação horrível de estar sendo ludibriada.
E por fim, acabei decidindo que se as coisas não rolarem com a tal casa no litoral norte vamos para Itacaré, no Itacaré Eco Resort. Ou, se aqueles idiotas da associação de hotéis de Ilha Grande se decidirem, podemos ir à Ilha Grande e Penedo, que FH adorou que quer voltar.
Publicado por Adriana às 10:26 AM
dinsdag, juni 22, 2004
Pelo jeito sou lunática mesmo...
Não, não acho normal ter se casado tão rapidamente quanto eu fiz, após apenas 25 dias. Até quando fui dar a "notícia" para a minha mãe, comecei com: "Mãe, eu sei que é uma grande loucura..."
E porque louca e não lunática? Eu me lembro do nosso primeiro olhar. Curiosidade, nervosismo, apreensão. Será que ele está decepcionado? E a gente foi conversando pelo aeroporto assim, meio se olhando de rabo de olho. Nunca vou me esquecer do primeiro sorriso, o sorriso mais lindo do mundo, assim meio tímido. Paramos num Burger King do caminho, eu estava verde de fome. Batatinhas, milk shake e nosso primeiro beijo. Perfeito, assim, desde o início. E ele ficou vermelho! Tímido esse meu FH. Fomos para o apartamento e ele cozinhou para mim. Ficamos batendo papo até tarde, parece que o assunto não acabava nunca. Ainda lembro do cheiro de Dreft da cozinha, do cheirinho de Ariel da roupa dele, do cheirinho de SANEX dele. Acordar e ver os olhos dele contra a luz que vem da janela. Meses depois eu ainda lembrava desses olhos das manhãs que acordávamos juntos. E ele me abraçando de manhã, o último beijinho antes de dormir, ele fazendo carinho no meu cabelo no meio da noite. A voz dele ainda com sono de manhã, e o sotaque dele falando inglês.
As lembranças, as incertezas foram sim me deixando louca. Quando a gente está assim apaixonada, não consegue parar de pensar nessas pequenas coisas um minuto. É uma saudade que corta, que vai espremendo, que vai acabando com a gente.
Mas esses primeiros dias foram mágicos, cada minuto, cada gesto, cada som, cada cheirinho me empurrou para a decisão que eu tomei. E daí você ouve que 25 dias e nada é a mesma coisa. Falam que este primeiro contato não é assim tão importante, que a pessoa você conhece mesmo pela internet. Chegaram até a me falar que "rola a maior química" via internet. Me desculpem, mas foram estes 25 dias que me fizeram largar tudo para trás e vir atrás da minha felicidade. Eu sei que atrás da tela do computador tem um ser humano digitando, que os pensamentos não são gerados por um programa, mas por uma pessoa e suas experiências de vida, mas dizer que isso é a mesma coisa que acordar do ladinho, que olhar no fundo dos olhos, que sentir aquele arrepio na espinha cada vez que beija, sinto muito mas não dá. Se realmente todo mundo pensa assim, então vai ver que todos estão certos e que a lunática, a de outro planeta, sou mesmo eu.
Publicado por Adriana às 10:34 PM
The prince and me
Hoje faz exatamente 2 anos que eu conheci FH pessoalmente. Dia 21 de junho de 2002 era uma 6a.-feira, eu trabalhei até às 4 da tarde, corri para casa para tomar um banho e pegar a malha, a minha amiga Fê me pegou em casa, passamos na casa da Thali que fazia aniversário, dei um beijo nela e corri pro aeroporto. Para todo mundo eu estava apenas indo à Holanda para visitar mais um fornecedor com problemas, mas alguns poucos sabiam que minhas férias eram na verdade para conhecer o Bart. No caminho fui comentando com a Fê como aquela viagem podia mudar minha vida. Nem eu sabia o quanto.
O Bart, até aquele momento era um "amigo" virtual, mas estávamos os dois sozinhos, gostávamos de muitas coisas em comum, rolava uma "paquera" virtual. Nada de altos namoros; ouço gente fazendo planos de casar sem antes conhecer a pessoa ao vivo e a cores, ver se a química rola, e sinceramente acho que são uns lunáticos; mas rolava um climinha.
Embarquei com plano A, plano B e plano C. Íamos juntos para Paris ( se tudo corresse bem ) e uma voltinha pela Holanda e Bélgica ( plano A ). Se ele fosse um lunático, eu ia dar a desculpa de visitar o fornecedor mais cedo e ia desaparecer no mundo - pretendia então viajar pela Suiça e Áustria, países que eu conheço muito pouco ( plano B ). E se ele nem aparecesse eu ia passar uns dois dias em Amsterdam, e seguir para Genebra num daqueles vôos easyjet super baratos ( plano C ). Isso sem falar nas duas cópias autenticadas do passaporte escondidos em lugares diferentes, traveller cheques em lugares estratégicos... Mas no fim, dos 25 dias que passamos juntos só desgrudamos no dia que eu tive que visitar o tal fornecedor, e já na primeira semana começamos a fazer planos para o reencontro. Mal sabia eu que o reencontro seria já para o nosso casamento.
E hoje, para celebrar, comprei meu M&M favorito, Fanta Pomelo, pipoca e fui ao cinema assistir The Prince and Me. Totalmente água com açúcar ( e bota açucar nisso ), mas totalmente apropriado para a ocasião. Fui sozinha ( adoro ir ao cinema sozinha ), e ri, chorei, me emocionei. Aliás, não levem homem para assistir o filme, é totalmente o tipo de conto de fadas que eles são incapazes de entender, e tirando o fim sem graça, e considerando que é mesmo uma comediazinha romântica, foi bem legal. Um dia só meu, com memórias só minhas ( Bart é menos melodramático para datas e já proclamou que nós temos muitas "datas", precisamos cortar pela metade ).
Minha história graças a Deus teve um final feliz. Não posso dizer que "e eles viveram felizes para sempre" porque o para sempre ainda não chegou e nesse meio tempo a tal Verdonk tá fazendo de tudo para deixar a minha vida ( nossa se você for imigrante na Holanda ) miserável. Detesto política, mas acho que se essazinha não olhar muito bem por onde anda, vai acabar que nem o tal Pym Furtain. E eu até diria que não ia ficar muito triste não, mas como diria minha amiga Sofia: "atrás de mim virá, quem bom me tornará". Ai credo...
Publicado por Adriana às 3:20 PM
maandag, juni 21, 2004
Com os amigos em Amsterdam
Num dos canais
Esperando o Canal Boat
Fomos à Amsterdam ontem encontrar o Beto e a Sílvia, ele meu amigo de infância, daqueles cuja família é praticamente a minha. Saímos de Eindhoven com o dia meio nublado, mas ainda no trem o céu limpou e o dia foi lindo, lindo, lindo. Fizemos o passeio de barco mais uma vez ( acho que é minha 4a. ou 5a. vez e ainda não cansei ), zanzamos muito por Amsterdam e falei muito português. Amsterdam parecia a cidade da minha primeira vez na Holanda, ainda como mochileira: domingão, sol, todo mundo nas ruas se divertindo, muito artista de rua, bom-humor total.
Conclusões da brasileira a mais de um ano na Holanda. Primeiro: o tal exílio, mais de um ano longe do Brasil sem ver família ou amigos foi necessário mas já está mais do que na hora de acabar. A adaptação é muito difícil no primeiro ano, e eu acho que não teria chegado a esta fase de "vamos levando que um dia vai dar tudo certo" se eu tivesse nesse ano ido ao Brasil ou recebido aqui minha mãe, ou irmão ou família/amigos mais próximos. Porque? Porque dizer adeus de novo é muito duro. O melhor é se concentrar nos seus problemas aqui, aprender a língua, e quando as coisas estiverem mais "encaminhadas" voltar à terrinha.
Segunda conclusão: jamais ficar mais de um ano sem retornar ao Brasil, ou trazer um dos seus parentes mais próximos para cá. Pelo menos agora essa é a minha idéia. Sei que é caro ir ao Brasil todo ano, mas se formos em baixa temporada, uma semaninha em SP com a família e uma semaninha em algum lugar legalzinho, sem grandes luxos, acabaremos gastando a mesma coisa que se tirarmos férias aqui pela europa. Estava fazendo as contas com a Sílvia: almoçamos no Mc Donalds, Bart pediu um Mc menu e eu só o lanche, pagamos Euro 8. No Brasil isso dá mais e R$ 30 reais. Agora me digam, quanto uma estômago-costurada e um holandês que só come salada gastariam num restaurante por quilo?
Na hora de ir embora, abraços, beijos e eu virei a esquina aos prantos. E aqui vai o meu desabafo: quem muda para o exterior ouve sempre "o quão sortuda você foi de mudar para a Europa", mas a pessoa não tem a mínima idéia de quão doloroso isso pode ser. Somos pessoas pela metade. Se optamos por ficar no nosso país com a família e nossa cultura, estamos sempre sentindo falta da outra metade que aqui fica, passando pelo dramalhão mexicano ( tão bem recentemente retratado pela Fernanda do "lindo e indestrutível ) das despedidas no aeroporto, da sensação de o corpo está aqui mas a mente / coração está lááááá longe. Se a gente resolve largar tudo, encarar o desconhecido, além das dificuldades do início, desta luta para entender o que se passa a sua volta e ser aceita, ainda a falta da família, o cachorro que seu irmão comprou e você nem viu, a sobrinha que em um ano já fala como uma mini-adulta ao telefone e está aprendendo a ler ( com apenas 5 anos! ), o sobrinho que virou pescador, a prima que virou punk, o afilhado que já está namorando sério ( e como madrinha eu tenho que ir lá ver se aprovo a "eleita"), e principalmente a mãe, que se divorciou a apenas 2 anos, viu a filha mudar para outro continente, o filho com os netos mudar para o interior do estado, disse adeus à casa de mais de 20 anos...
E o negócio é não procurar achar razão nem solução. É olhar para o meu marido lindo e maravilhoso, que tem lá seus defeitinhos mas é muito muito muito mais do que eu um dia sonhei encontrar numa "outra metade da alma", e ir em frente simplesmente porque tenho a certeza de que por ele vale a pena passar por isso tudo.
Publicado por Adriana às 11:24 AM
vrijdag, juni 18, 2004
Coisas que fazem a gente feliz
- Pãozinho ( quase ) francês quentinho de manhã com manteiga e café com leite.
- Ganhar presente
- Já que tem que limpar a casa ( que não deixa ninguém feliz ), fazê-lo esgoelando com Renato Russo: "Non siamo angeli in volo venuti dal cielo, Ma gente comune che ama davvero..."
- Ir ao cinema com o querido e assistir a um ótimo filme
- O cheirinho da pipoca com manteiga do cinema ( todo cheiro de pipoca no cinema é bom )
- Oxford Street em Londres, de preferência em liquidação ( se bem que nem a liquidação ajuda muito )
- Achar dinheiro perdido no bolso quando você está dura
- Depois de uma semana de dieta, subir na balança e ver que deu resultado
- Acordar no sábado pensando que é dia de semana e só então se dar conta que você pode dormir até mais tarde
- A área de embarque de qualquer aeroporto: a ansiedade de estar viajando, as lojinhas, o povo todo diferente...
- Ir bem numa prova para a qual você não estudou muito
- Receber e-mails longos de amigos distantes
- Bolo de cenoura com calda de chocolate
- Ver fotos antigas
- Pegar o carro de fim de semana e dirigir sem rumo
- Receber fotinhos dos sobrinhos que estão longe
- Comer coxinha, nem que para isso você tenha que fazê-las uma por uma
- Sair do cabeleireiro linda, poderosa, cheirosa, loira de cabelo lisinho...
- O maridinho ligar só para dizer que está com saudade no meio de um dia comum de trabalho
- Banho fresquinho no verão, banho quentinho no inverno. Banho é sempre DILIÇA...
- Vela de baunilha
- Morango docinho, kiwi docinho, melão docinho. Comê-los se deliciando duplamente, pois além de gostosos têm poucas calorias
- Coca-cola
- Praia limpinha de águas transparentes
- EPCOT, Magic Kingdom, Universal Studios e demais parques de Orlando - ah, e as turkey legs... Ui ui ui
- Guaraná Antartica ( com pipoca, com pizza, com pão de queijo )
- Chegar no shopping lotado e achar vaga no estacionamento logo de cara
- Liquidação da sua loja favorita
- Tênis velho e havaianas
- Calça Strech
- Assistir novela
- Dançar
- Churrasco com pessoas queridas
- Pijama limpinho e passado
- Roupa de malha
- Dormir ouvindo a chuva
- Um dia de chuva
- Um dia de sol
- Miojo!!!
- Chegar em NY e ouvir no taxi: Start spreding the news... I am leaving todaaaaayyyy... New York New Yoooooooooork
- Frans Café na Alameda Santos de madrugada
- Ganhar aquelas cestas de café da manhã
- Cd que vem com a letra das músicas
- Gibi da turma da Mônica
- Um livro bom com uma xicrona de chá
- Mozzarela de Bufala com alface, tomate e cebola
- Brincar com gato e cachorro
E você, o que te faz feliz?
Publicado por Adriana às 9:07 AM
donderdag, juni 17, 2004
A mandona
Quando eu era criança, era chamada de "mandona". Tenho horror a criança mandona, e justo eu fui uma. Quando virei adolescente, embora a atitude continuasse a mesma, o nome mudou: eu era a lider. Vinha sempre no meu boletim: forte tendência à liderança. Comecei a trabalhar e o nome mudou de novo: era formadora de opinião. E apesar destes nomes todos, um dia aquilo me incomodou, e falando com um piscólogo famosíssimo num curso da GM, ganhei o quarto título: centralizadora. Esse último é meu preferido, pois não tem nada de eufemismo, é quase o "mandona" que usavam na infância, e requer ação imediata contra ele. Anos lendo livrinhos para aprender a "delegar", examinando todas as minhas ações achando que merecia uma medalha de ouro cravejada de brilhantes por ter deixado aquele mexicano moleirão apresentar a minha parte do processo internacional de cotação de vidros / parabrisas. Você está se perguntando aonde eu quero chegar? Calma que tô quase lá.
Agora vou explicar o que vai pela cabeça do centralizador ( mandão, lider, formador de opiniões ):
Aos 4 anos: como é que eu vou deixar a Andrea montar a casinha se ela sempre coloca o banheirinho do nenê do lado da cozinha? Comida com cheiro de cocô?
Aos 10 anos: como é que eu vou deixar a Leila responsável pelas gravuras do nosso painel sobre Padre Anchieta se ela tem um tremendo mau gosto para tudo? Ah, enquando eu faço a pesquisa já procuro pelas gravuras.
Aos 14 anos: acho melhor eu tomar a frente desse trabalho sobre o "ano internacional da criança" ou vamos acabar recitando jogral que nem na 2a. série. (...) Agora que já "decidimos" fazer a peça, é melhor eu escrever o roteiro para não ficar muito manjado. E arrumar o figurino para a princesa não aparecer com uma saia rodada da avó.
Aos 19 anos: deixa eu tomar a frente desse trabalho da faculdade e enviar toda a pesquisa para a digitação antes que alguém sugira cada um "bater a máquina " um trecho como fazíamos no colégio ( sou balzaca pré-Microsoft Word )
Aos 23 anos: noooossa, essas figuras de consumo mensal estão tão díspares. Melhor eu fazer um double-check ( palavra moderna para disfarçar o "fazer tudo de novo o que o outro já fez mas eu não confio" ).
Aos 31 anos: melhor eu organizar as próximas férias antes que o marido nos leve a um safari no Iraque.
E cheguei onde queria chegar. Eu, justo eu que estou tentando me curar desta "doença" pelos últimos 5 anos, casei com um inseguro. Bart é super inseguro. O inseguro dificilmente consegue tomar uma decisão por si só, precisa de alguém para dar uma 'direção' no seu processo de tomada de decisão. Quando o inseguro toma uma decisão precisa de alguém para assegurá-lo de que a decisão tomada é a mais correta, e se com o passar do tempo esta decisão não se mostra a melhor, ele precisa de alguém com quem dividir a culpa.
Algumas coisas menores, como compras de casa, por exemplo, ele nem se lembra mais que existe. Eu nos últimos meses o estou forçando a ir ao supermercado comigo às sextas, mas a verdade é que ele come o que tem na geladeira, não faz a mínima idéia de onde foi parar o potinho de açúcar, ignora o que é aquele bando do caixinhas no freezer.
O lance das férias atingiu desta vez o ápice: nas férias do Egito ele ainda olhou os sites que eu indiquei e foi na agência comigo. Desta vez estávamos entre 3 opções: férias preguiçosas num all-inclusive 5 estrelas na Turquia ( baratíssimo mas muito parecido com o esquema do Egito ), férias na Grécia ( mais ativas que a opção anterior, mas não ia dar para passar em Atenas pois será justamente durante as olimpíadas e está tudo lotadíssimo ), ou Londres e Barcelona ( meio caro para apenas uma semana, mas um meio-termo, já que dá para pegar leve em Barcelona ). Após 2 semanas insistindo para que ele desse uma opinião, ele acabou deixando o cartão de crédito comigo, e pediu "Será que dá pra você fazer as reservas ainda hoje? " pois estava com medo da gente ficar sem opção como a do Egito. E decidi sozinha por Londres-Barcelona, fiz a compra dos tickets pela internet, reservei o hotel de Londres na Agência, o de Barcelona pela internet, e só me dei conta que estou fazendo tudo errado quando ele chegou e perguntou: "Para onde vamos?". Nessa hora, pensei: Ai como eu queria ter um marido que fosse na agência e tomasse todas as providências, e que eu só me preocupasse em pegar os guias turísticos na biblioteca. E daí vem aquele diabinho: ah, mas ele ia acabar te levando para um lugar mequetrefe tipo Andorra, ou ver as foquinhas mancas em Texel de novo, ou, ou, ou...
Enquanto isso eu tento me "segurar" para não ser a mandona de novo. E confesso que estou cansada de ser sempre aquela a tomar a decisão, e de fatalmente me sentir culpada se algo não sair exatamento como o planejado. Queria que alguém tomasse a decisão, mas não consigo delegar, e o que parece o mais racional, uma decisão em conjunto, acaba não acontecendo, pois ou ele "disfarça" que está me escutando e acaba me conduzindo a tomar a decisão sozinha, ou simplesmente culpa a falta de tempo e deixa tudo descaradamente nas minhas costas.
Eu me preocupo, pois a situação não é boa para mim e pior ainda para ele. E a gente não conta com a família para ajudar em decisões pequenas do dia-a-dia. Eu sempre recorria ao meu irmão quando precisava de um funileiro/mecânico, e agora precisamos de um e não temos a quem recorrer. Se alguma goteira aparecia na casa meu Tio Amauri subia no telhado e dava uma olhada, se algum aparelho deixava de funcionar o Tio Julinho dava uma garibada, se eu precisava saber o caminho para algum lugar o João da Teresa sempre sabia qual auto-estrada era mais lisinha e sem trânsito... Aqui somos só nós dois. Tá difícil, gente, deveras difícil...
Publicado por Adriana às 10:57 AM
woensdag, juni 16, 2004
Nosso rico dinheirinho aqui na Europa
Ontem embarquei em mais uma louca aventura em busca de supermercado mais barato. Claudinha sempre fez propaganda do tal do Jumbo, e embora eu já tenha "aderido" a muitos produtos ALDI / LIDL, tem coisa que eu gosto de comprar "de marca", especialmente porque FH é fresco e ainda tem alguns preconceitos com estes supermercados populares. Já que diziam que o Jumbo vende "marcas" mais barato fui conferir. É bem mais barato que o AH / Edah / C1000 mesmo. E bem iluminado, corredores largos, adorei. Mas então porque foi uma louca aventura? Porque ontem era meu "dia de folga" e resolvi ir às compras de bike. O detalhe é que o tal Jumbo de Eindhoven é longe pra dedéu, e para completar, quebrou a válvula do meu pneu e eu tive que ir com a bike do FH.
Abre parêntesis
Gente, o que é aquele acento masculino de bike? Estou eu sendo ignorante da anatomia masculina, ou lá embaixo ( se é que vcs me entendem ) eles são até mais sensíveis que a gente? O tal assento é compriiiiido... Eu sei lá se pra homem é confortável, eu tava quase parando e comprando um acento novo ( feminino ) na primeira loja do caminho.
Fecha parêntesis
Mapa na mão, "carcovas laterais" na bike, mochila nas costas, havaianas no pé, lá fui eu. Me perdi, achei vizinhanças ótimas ( para procurar casas para comprar ), na volta passei no winkelcentrum ( um tipo de shopping ), e perdi ( espero ) algumas calorias extras com tanta pedalação.
Mas tudo isso para falar do nosso rico dinheirinho aqui na Europa. Uma das perguntas mais frequentes que eu recebo é sobre o custo de vida na Holanda. Hoje, depois de um ano, concluí que depende de onde você ganha o seu dinheiro. Mas como assim? Simples: se você recebe em reais, saiba que nosso rico dinheirinho aqui vale a mesma coisa que um pum bem dado. Simples assim. No Brasil, R$ 40 mil é um dinheirão ( eu quitava o que resta da dívida do meu AP ), aqui mal te sustenta por 1 ano. Quando eu vim morar aqui, me escandalizava com o preço de tudo. Não comprava refrigerante, não comprava frutas, comprava todas as salada em pé e ficava limpando e lavando tudo, mas com o tempo, se tem alguém ganhando em EUROS ( meu caro maridinho ) você vai se acostumando mais e se dando alguns luxos, como a salada por exemplo que agora eu só compro em pacotinho. E o custo de vida aqui vai depender muito também dos seus hábitos. Se você adora ir a um restaurante, um barzinho, noitada, tais frito frito frito. Uma saidinha para um restaurante não sai por menos de Euro 50, sem grandes luxos. Eu e FH não somos muito de ir à restaurantes, nunca fui muito disso no Brasil, e aqui continuo na minha. Adoramos ir ao cinema, então na "noite" do cinema eu compro comida pronta no AH ( gasto uns Euro 10 no total ), compro os apetrechos guloseimais ( pipoca - que aqui se vende sem saquinho pronta e sempre doce, wokkels, M&M ), enchemos duas garafas de refri de 600 ml e vamos felizes e contentes. Temos a "noite do DVD", quando pedimos uma pizza no Domino's ( uma pizza média custa por volta de Euro 10 ), no sábado sempre almoçamos nosso lanchinho num lugar legal ( eu adoro o turcão da vizinhança com uns lanches enormes de shoarma por apenas Euro 3,50 ). Levamos uma vida legal, eu não fico ( como fazia no começo ) economizando centavinhos e me matando de lavar saladinha, de limpar frango da feira, mas também não saímos por aí gastando.
Isso tudo está sendo uma grande experiência para mim, pois no Brasil eu gastava muuuuito com bobeiras e também me dava alguns luxos que aqui são impensáveis. Na GM tinha um rapaz que passava todos os dias vendendo revistas e jornais de mesa em mesa. Eu gastava toda quinzena R$ 100 reais. Hoje não compro nenhuma revista e não sinto a menor falta. Todos os tratamentos estéticos que apareciam eu fazia, e com a exceção da drenagem linfática, não acho que os outros fazem diferença ( só neste tratamento "corporal" eu pagava por mês R$ 220 ). Roupa para trabalhar eu comprava normalmente na Luigi Bertolli ( que não é lá muito barato ) sem nem fazer pesquisa de preço, só entrava, experimentava e comprava - todos os meses comprava pelo menos um terninho ou blusinhas ou vestido, tinha até meu vendedor certo, eu ligava, falava que ia naquele dia e ele já meio que separava o que ele achava que eu ia gostar. Hoje em dia raramente tenho que comprar roupa, e quando tenho, pesquiso muito e só compro na liquidação.
E esse lance do dinheiro é um ponto frágil em qualquer relação. Vir morar com o parceiro aqui sem nenhuma reservinha, uns travellerzinhos, umas notinhas guardadas no fundo da gaveta é dar um tiro no pé. Eu dei muita, mas muita sorte mesmo com FH. Ele encara a situação assim: eu tinha um emprego legal, meu AP, meu carro, minha família e meus amigos, e larguei tudo para ficar aqui com ele, longe de todo mundo, andando de bike na chuva e na neve, então o mínimo que ele deve fazer é me dar uma "força" até eu conseguir aprender a língua e arrumar um emprego. E nós nunca, nunca mesmo discutimos sobre dinheiro. Eu perdi aquele ímpeto consumista ( Graças a Deus ), e a gente tem mais ou menos as mesmas prioridades. Nesse um ano e pouco fomos para a Itália, o Egito, para a ilha de Texel, compramos o carro e o laptop sem ter que tirar dinheiro da poupança.
Publicado por Adriana às 10:32 AM
maandag, juni 14, 2004
Cadeautjes!!!!!!
Presentinhos... Do Brasil... HAVAIANAS!!!!! Tô rica, imagina só quantos pares eu tenho, a Euro 22 cada na Bijenkorf!
Minha prima Sola me mandou camiseta da Scene bordada, chinelos para mim e FH, e SIMS! FH que não está acostumado a ganhar presentes assim sem motivo específico, ficou todo bobo. Minha mãe mandou uma camiseta para ele no meu aniversário ( sim, no meu aniversário, parabéns para ele que tem que me aturar por mais 1 ano ) e ele ficou tão emocionado que derramou até algumas lagriminhas. Agora ganhou esta havaianinha azul de macho-cho com bandeira do Brasil, e embora ande que nem um pato manco ( aqui não tem muito chinelo de dedo ), passou e fim de semana de cá pra lá com os benditos no pé.
Aliás, eu nem conheço a minha sogra, mas pelo jeito boa coisa ela ( e o marido também ) não eram. Vocês acreditam que o Bart nunca teve um PEZ na vida? Eu perguntei se eles eram tão pobres que não pudessem comprar uma coisinha ou outra, mas ele falou que o pai tinha mania de guardar dinheiro, então tinha uma boa grana na poupança mas os filhos não tinham nenhuma regalia. Eu, hein... E esse fim-de-semana eu fiz geléia de morango na máquina de pão ( m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-a ) e ele não comeu, disse que tem trauma pois a mãe fazia geléia caseira e quando estragava, ela tirava os pontos de bolor e fervia a geléia de novo. Yuck, que nojo!!!!!!!!!!!!!
E eu acabei não indo ao Efteling, e sabem porque? FH bateu o carro. Nada de muito grave, foi mais o susto da batida e o susto dos preços do conserto. Temos seguro, claro, mas a "franquia" é bem alta, então fomos num mecânico ver a facada. Aí no Brasil, um martelinho de ouro do bom com 300 contos arrumava a lataria ( chaparia, segundo Claudinha ) e mais uns 300 do párachoque. Aqui, no mínimo Euro 1200. FH vai ver se paga a franquia ou conserta do bolso.
E agora me vou que minha suuuuper casa dos SIMS me espera. Ah, e estou dando altas festas ( nos SIMS, claro ).
Ah, em tempo...
Minha gente, baianos de plantão, Claudinha!!!!!!!!!!! Que é isso de arrocha? Geeeeeente, e eu que achava que a gente já tinha inventado de tudo no Brasil... Lara Rocha? Márcio Moreno? Piriguetes? O que é piriguetes, minha gente? Pelamordedeus!
Publicado por Adriana às 9:38 AM
vrijdag, juni 11, 2004
O post da louca...
Ontem estava falando com a Claudinha sobre meu blog e ela, com alguns eufemismos, falou que às vezes, para quem lê o meu blog, eu pareço uma louca. Voltei aqui, reli alguns post, e às vezes pareço uma louca mesmo... E estiquei um pouco os pensamentos na minha pobre esgotada cachola para concluir que quem passa por essa reviravolta toda não pode mesmo estar muito normal.
Antes de explicar o porque não me sinto muito normal, vou abrir aqui um parêntesis. O legal da internet, e em especial dos blogs, é dar às pessoas total liberdade para escrever o que querem, o que acham legal, o que der na telha. E cabe a quem lê fazer sua própria censura. Discutir de forma educada e civilizada ( via comentários ) os post é super saudável, mas tem gente que tem uma necessidade ridícula de ser grosso, rude, mal-educado. Destes mal-educados, alguns ( poucos ) são até pessoas bem coerente, mas colocam tudo a perder quando deixam estes comentários ofensivos.
Agora vamos ao "eu não me sinto normal". Já completei um ano de Holanda, e de certa forma minha vida vai mais ou menos no mesmo ritmo que a das outras pessoas que passaram pelo mesmo. E porque então eu não me sinto "normal"? Porque eu não estava preparada para o que vinha pela frente. Primeiro, porque quando eu vim não existiam tantos blogs de brasileiras vivendo na Holanda, segundo porque os que tinham, normalmente falavam apenas de flores lindas, ruas calmas, viagens interessantes, comidas diferentes. Nunca, em nenhum deles, li sobre o crescente preconceito contra imigrantes, sobre as esperas infindáveis por uma vaga na escola de holandês, sobre as inúmeras cartinhas de "obrigada mas já preenchemos a vaga" ou "manteremos seu CV no nosso arquivo ( cesto de lixo ) por 6 meses", sobre a depressão que é ficar 5 meses sem ver a cor do sol... Talvez se eu tivesse lido algo do tipo eu ia ter pensado que a pessoa é muito reclamona ( como inúmeras pessoas dizem que sou ), mas teria parado para pensar que podia ser daquele jeito mesmo, e de certa forma, vir mais preparada.
E como eu pensei que essa mudança seria? Primeiro eu não achei que fosse ser tão difícil arrumar emprego. Mesmo que não fosse "aquele" emprego, eu achava que em um ano, nem que fosse como assistente de compras, compradora junior , eu iria estar trabalhando. Hoje, não faço nem idéia se ao terminar o curso de Holandês ( em fevereiro de 2005 ) alguma porta vai se abrir para mim. Eu também não pensei que o desemprego, a saudade da família, a frustração fossem afetar tanto a minha compulsão alimentar, que estava sob controle enquanto eu estava no Brasil. Estes quilinhos a mais estão me incomodando, e se no Brasil eu sabia o que fazer ( controlar melhor a alimentação, fazer pelo menos hidroginástica e drenagem linfática ), aqui eu não sei nem por onde começar. Eu nunca pensei que os afazeres domésticos fossem tão horripilantes e que tomassem tanto tempo. Fui mal acostumada no Brasil a ter tudo prontinho, e agora estou penando muito com essa história de ter que tomar conta das minhas roupas ( e as do Bart também ), fazer jantar, lavar louça. Talvez eu esteja novamente sendo inocente, mas estou botando fé de que na nova casa as coisas vão melhorar, pois teremos uma lava-louça, mais armários para organizar a bagunça que se espalha pelo AP, um lugar decente para a coitada da tábua de passar roupas. Me incomoda também o fato de eu não poder decorar o apartamento como eu queria, pois como é alugado e o Bart acha que por qualquer furinho que fizermos será cobrado 1000 euros, vivemos com as paredes todas brancas, sem um quadrinho, sem uma prateleiras para livros e velinhas...
No fundo mesmo, eu achava que em um ano eu estaria mais ou menos com uma vida parecida com a das minhas amigas que se casaram no Brasil: um cantinho ( casa ou apartamento ) legal, decorado pelo casal, os dois saem para trabalhar e chegam juntos, conversam sobre o trabalho, vão visitar a família no domingo, compram um animalzinho de estimação... Será que é pedir demais? Será que estou sendo assim tão exigente?
E como vocês podem ler nas entrelinhas, a insegurança cresce e cresce... Será que ao fim deste ano de estudos vou mesmo estar falando holandês, vou passar no tal exame NT2, vou conseguir ir a uma entrevista de emprego e falar somente holandês sem parecer índio? Se conseguir passar no NT2, as portas de alguma empresão vão mesmo se abrir para mim? Vou encontrar o caminho para controlar minha compulsão alimentar novamente? A nova casa vai tornar a minha rotina doméstica mais fácil, e o fato de eu poder decorá-la vai fazer com que eu me sinta mais confortável?
Como estas dúvidas continuarão me perturbando por algum tempo, bola pra frente que o fim-de-semana vem aí, vou ver se convenço FH a ir ao Efteling amanhã, vou ver se consigo terminar de estudar para a prova da semana que vem no domingo... fui
Publicado por Adriana às 9:12 AM
donderdag, juni 10, 2004
O direito de escolha...
Todo mundo que lê esse blog sabe que eu não pretendo ter filhos, portanto não deveria me preocupar com assuntos que não farão parte da minha vida como "o parto". Mas como eu gosto de deixar sempre uma porta aberta, e quero sim ter o direito de mudar de opinião um dia e quem sabe arriscar pelo menos um filho, sempre que esbarro num texto sobre parto eu dou uma lidinha.
Hoje eu fui parar sem querer num blog chamado PARTO HUMANIZADO (<--cIique alí para acessar o site ) que cita, entre os benefícios para a mãe: maior satisfação com o parto.
Gente, alguém pode me explicar porquê? Eu entendo que cada experiência é uma uma experiência, que existem "boas e más cesáreas" e "bons e maus partos-normais", mas porque essa onda de achar o parto cesárea "uma violência", falar disso como algo desumano, já que humanizar o parto é tê-lo por vias naturais, e principalmente, fazer com que a mulher que escolha pelo parto cesárea se sinta, para dizer o mínimo, politicamente incorreta? Caramba, cadê a liberdade de escolha?
Eu particularmente não me convenço que a cesárea seja melhor para o bebê que o parto normal: eu nasci de parto cesariana, meu irmão, meus primos, e somos todos normais, uns mais inteligentes outros menos, diversidades da vida e não resultado do parto. Porquê então esse "ataque" àquelas que optam por este método? Muitas nem o fazem realmente por opção, mas por indicação do médico. Em um destes sites é sugerido que se o seu médico indicar uma cesárea, que você mude de médico. Eu até concordo em pedir uma segunda opinião caso o tal parto normal seja tão importante para você, mas e a confiança que se estabelece entre você e seu médico durante o pré-natal? Será que é mesmo possível para nós, "leigos", determinarmos se o médico está "forçando" uma cesárea por conveniência ou se esta é mesmo necessária?
Eu fico realmente furiosa quando vejo mulheres falarem que tiveram seus filhos de parto cesariana como se estivessem envergonhadas, muitas vezes justificando "que o bebê não estava na posição correta" ou que o "bebê era muito grande". Puxa vida, nós mulheres já somos tão cobradas por tantas coisas, será que temos que viver com mais esta cobrança? Tem site que chega a dizer que "só pode se dizer realmente mãe, aquela que sentiu as dores do parto". Deus que me livre, gente, que coisa da idade da pedra!
Eu não escondo que se um dia eu for ter filho o farei de cesária, mas no meu caso, ela se faz necessária por causa da cirurgia do estômago. Mas mesmo que eu tivesse escolha, JAMAIS teria parto normal. Eu morro de medo da dor, morro de medo do bebê ter complicações ( tipo essas histórias de cordão enrolado no pescoço ), e sinceramente, não acredito que bebê nascido de parto normal seja mais saudável.
Mas só entrei nesse assunto porque fiquei inconformada com a "discriminação" sofrida por quem tem parto cesariano e deixar bem claro que:
NÃO IMPORTA EM QUE SITUAÇÃO, EU EXERCEREI MEU DIREITO DE ESCOLHA E JAMAIS ME SENTIREI CULPADA
Publicado por Adriana às 11:07 AM
woensdag, juni 09, 2004
O dinheiro na Holanda
Desde que eu mudei para cá, fico impressionada como os holandeses planejam o que fazer com o seu dinheiro. TODOS os holandeses que conheço tem sua "cadernetinha de poupança" e embora você até ache em cidades grandes ( e cheias de imigrantes ) como Rotterdam eletrodomésticos vendidos em prestações, o normal é o povo poupar antes e então comprar o que quer. Aqui em Eindhoven nem tem a tal Media Market, que é uma loja gigante em Rotterdam que vende parcelado.
Interessante também é como eles se preocupam com a aposentadoria. Há algumas semanas veio em casa um "financial advisor" e embora ele não venda planos de "fundo de pensão" ele passou um tempão explicando. Aqui o governo paga uma aposentadoria para você, mas o aconselhável é que você faça um plano de aposentadoria privada para complementar a renda. É padrão "comprar" um plano que vai assegurar que você quando aposentado, receba 75% do seu último salário até quando morrer. A Philips tem um plano próprio para funcionários, mas estávamos comentando sobre isso na escola e todos os namorados / maridos tem um "pensionfonds".
E já que estamos falando em aposentadoria deixa eu esticar o assunto para asilo. No Brasil dizer que "fulano está num asilo" é quase como dizer que o fulando está morto. Asilo no Brasil tem conotação pejorativa, parece que ninguém quer o velhinho. Aqui na Holanda, asilo é coisa de rico, é show de bola. Tem um aqui pertinho de casa que se me aceitasse agorinha mesmo eu ia. Tomo morador tem um apartamentinho tipo kitinette. O Bart me explicou que só é removido para uma "área hospitalar" aqueles que já não tem mais condição de se cuidar sozinho. O lugar tem um "centro de convívio" onde fazem as refeições e participam das atividades de lazer. O deste asilo aqui pertinho é redondo, todo de vidro, tão bonito que eu pensei que fosse um restaurante chique. Quase todas as semanas os velhinhos são levados ao cinema ( já vi várias vezes o ônibus chegando no Dorint, ao lado do Pathé ), e eles também vão ao mercado, à biblioteca e uma vez por ano fazem uma viagem. De domingo o lugar fica apinhocado de gente indo visitar vovô e vovó, levam toneladas de crianças, cachorros, agora na primavera / verão os velhinho colocam umas mesinhas no jardim e a gente pode ver que os holandeses têm o hábito de irem visitar seus idosos, não ficam jogados às traças como no Brasil. E cá entre nós, deve ser que nem uma colônia de férias, viver com quem tem a mesma idade, os mesmos interesses. Eu lembro da minha vó antes de morrer, a correria das crianças a deixava atordoada, ela queria dormir às 9 enquanto todos ainda estavam vendo TV, acordava às 5 e ficava fazendo um barulhão na cozinha. Num lugar desses, todos têm o mesmo pique ( ou a ausência dele ), os mesmos horários, dizem que sai até namoro.
A hipoteca
Ontem FH foi ao Postbank para uma consulta sobre hipoteca. Ó céus... Primeira coisa que me chocou: na discussão sobre seguro de vida do parceiro ( para que o banco quite a casa se o cônjuge morrer ) o cara falou na lata que nós não precisávamos pagar pois se o Bart morrer eu não posso mesmo ficar aqui, então tem um seguro padrão de Euro 60 mil para me "ajudar" até que a casa seja vendida. Eu fiquei tão chateada que liguei ( em inglês mesmo ) para o IND. Se FH morrer, eu tenho 90 dias para deixar o país, ou conseguir extensão de visto de alguma outra forma ( se eu estiver trabalhando o meu empregador pode "patrocinar" meu visto ). Eu sei que se FH morresse eu ia querer mais é voltar para o Brasil, ficar com a minha família, mas ouvir assim, na lata, que você tem 90 dias para se mandar é duuuuro.
Anyway... O cara do banco analisou o holerite do Bart, tirou cópia do contrato ( para se certificar que é emprego fixo ) e estipulou que podemos financiar até Euro 245 mil mais o tal Kost Kopen. Uma casa de Euro 200 mil, apenas com o seguro da casa em si ( sem seguro desemprego, sem seguro morte, sem seguro para flutuação de taxa de juros ) acaba dando uma prestação mensal de Euro 700, já contando com o dinheiro que o governo devolve. Para a gente é vantagem, pois pagamos Euro 600 de aluguel e o apartamento, além de pequeno ( nem é tão pequeno assim, tem 90 m2 ) não é nosso. Mas o sistema é complicadíssimo, tem taxas de juros pré-fixadas ou flutuantes, pré-fixadas por tempo determinado, com "entrada" e sem "entrada", com "entrada" depositada em caderneta de poupança e com "entrada" depositada num fundo de investimentos. Complicadíssimo. Mas de qualquer forma, até a pior opção é um milagre comparado com o Brasil. A maior taxa de juros do Postbank não chega a 6% ao ano. No Brasil, somente quem consegue financiamento popular com a Caixa, no limite de 50 mil reais consegue uma taxa dessa. Se bem que o preço dos imóveis aqui... No fim, vamos optar pelo tipo que vai gerar uma parcela mais barata até eu conseguir um emprego. E comprar uma casa melhor, só quando eu conseguir um emprego "fixo" ( o tão sonhado "vaste baan" ), pois aí podemos somar as duas rendas.
Cá entre nós, uma casa de Euro 190 mil, tirando o fato de ser uma daquelas casas "grudadas" que não me incomoda em nada, está muito muito muito bom. Não vejo a hora...
Publicado por Adriana às 9:06 AM
dinsdag, juni 08, 2004
Vamos começar pelo cocô
Nota 10 para o Henk que resumiu tudo:
"poep=coco,
drol=tolete,
schijten=cagar, peidar;
plassen=fazer xixi, pissen=mijar.
Keutels= Toletes de animais.
Ik moet poepen=eu preciso fazer coco, ik moet schijten= eu preciso cagar."
Agora vem a parte engraçada da história. A "fessora" em meio à encabulação total falou mas a gente achou que ela estava brincando: você pode falar "kleine boodschap" para fazer xixi e "grote ( ou groot? ) boodschap" para fazer cocô, que traduzindo seria fazer uma pequena / grande compra de supermercado ou enviar uma pequena / grande mensagem. Eu particularmente achei que era uma brincadeira porque tem aquela coisa de "mandar um fax" quando se quer dizer que se vai fazer cocô no Brasil. Anyway, eu ainda prefiro usar "fazer numero 1 ou fazer numero 2".
As férias
Aqui na Holanda é muito comum o povo ir para um hotel tipo "colônia de férias" que tem várias piscinas, quadras de tudo quanto é esporte, trilhas para se fazer de bike, lagoa, chamado Center Parcs. Você aluga um chalé / cabana por um fim-de-semana, meia-semana ou semana inteira. Na minha opinião é vantagem para grandes famílias e não para casais, pois uma cabana de uma semana para um casal sai Euro 700 e para uma família de 8 ( a cabana de 4 quartos ) Euro 1200. Fh foi uma vez e gostou muito, então queria ir de novo. Eu fiquei quieta, pois as férias do Egito fui eu que escolheu, não queria impor nada para Agosto, mas pensava cá com meus botões que Euro 700 contos para ficar num chalezinho a 36 km de Eindhoven é jogar dinheiro fora. FH então, por livre e espontânea vontade optou por Barcelona, contanto que a gente não ande demais como em Roma ( o bichinho tá traumatizado ). Tem um vôo direto de Eindhoven ( Ryan air ) por menos de Euro 100 por pessoa e eu achei um hotelzinho nas Ramblas por Euro 80. A carne de pescoço é que teremos que estar no aeroporto que fica a 1 hora de Barcelona às 6 da matina, ou seja, pegar o shuttle as 4:30, então acho que vou reservar um hotel pertinho do aeroporto. Mas estou toda animada, pois estive em Barcelona em 2000 mas muito brevemente ( apenas 3 dias ), e naquela época saí para dançar todas as noites, o que deixava pouco tempo para ver as obras de Gaudí, os parques, a Sagrada Família. Como vamos ficar por lá 6 dias, vai dar para fazer tudo com calma, como manda o figurino. Ah, e estamos aceitando dicas e sugestões!
Publicado por Adriana às 10:17 AM
maandag, juni 07, 2004
Hondenpoep
Hahahaha gostou do título? Acabei de chegar da escola e este era o título da lição de hoje. Cocô de cachorro, que eu já disse, é uma imoralidade aqui, pois o povo leva os cachorros para as praças e gramadinhos publicos e os cachorros ali fazem e ali fica. Toda vez que vejo um cachorro fazendo isso lembro dum programa da Regina Casé no Fantástico, com donos de cachorro que não recolhem a caca. E no meio da lição a mulher falava: o que eu não gosto é do meu filho ser obrigada a brincar num "banheiro de cachorro" só porque o dono não tem a consideração de levar o cachorro para longe da areia do parquinho. Bravo! Pois é isso mesmo que eu mais vejo: cachorros enterrando a "obra" na areia do parquinho de manhã e a criança fazendo castelinho mais tarde.
Mas nem era disso que eu queria falar. Naturalmente que nós perguntamos para a professora como se falava "fazer cocô" se referindo a seres humanos. A mulher ficou azul e enrolou, enrolou e não respondeu. Todo mundo saiu de lá com a idéia de perguntar para o namorado / marido. Aí ligo eu para o FH:
- Angel, temos que ter uma conversa séria quando vc chegar em casa.
- Sobre o que, baby?
- Umas merdas aí ( some shit ).
- Como assim umas merdas? Fiz alguma coisa de errado?
- Ah, mente culpada. Agora confessa!
- Você tá ficando doida?
- Não, é que a lição hoje era sobre hondenpoep e eu preciso saber como falar poep de gente.
- Ah, eu não posso falar isso agora. Não na frente de todo o escritório.
- E porque não? Tá falando "shit" em inglês e todo mundo sabe o que é shit.
- Mas é que shit em holandês é muito íntimo...
Ahá, vê se pode, merda em holandês é muito íntimo. Me poupe. Agora estou aqui esperando para saber como se fala merda em holandês. E não serve defecar, aliviar, nenhum eufemismo. Quero o fazer cocô mesmo. O outro que em português começa com C eu acho muito vulgar, não faço questão. Mas fazer cocô e fazer xixi é básico.
Que post besta esse, aliás. Uma bosta de post, se é que você me permite o trocadilho patético. E prometo que conto pra vocês como é "fazer cocô" em holandês.
Publicado por Adriana às 5:47 PM
Avuou...
Como diria a Lia, nossa primeira empregada-babá, o fim-de-semana avuou... E eu não fui ao Efteling de novo. FH tinha que levar o carro para reparar o vidro ( deu uma lascadinha ) e queria comprar uma calça de moletom. Enquanto ele levava o carro na Carglass eu fui ao mercado. No winkelcentrum tem AH, Konmar, C1000, um Aldi novinho e o Lidl. Gente, fiz a festa no Lidl. Vi uma mulher comprar um carrinho cheinho e pagar 36 euros. Eu, em duas sacolinhas no Albertão pago mais. No fim, comprei quase tudo lá mesmo e peguei poucas coisas no AH.
E cá estou eu de novo planejando as próximas duas férias. Ei vidão... FH quer ir para Barcelona em Agosto ( acho que vai estar um calor dos infernos ) e no fim do ano vamos para o Brasil. Estamos praticamente decididos a pegar o vôo de 10 de dezembro para SP e alugar uma casa no litoral norte. O dono quer R$ 180 reais a diária de 13 a 20 de dezembro e R$ 420 de 20 a 27 de dezembro. Ok que aqui na Europa tudo dobra de preço no verão, mas triplicar... Aí eu já acho que o cara está explorando demais. Falei para ele que se fosse até uns R$ 2500 os sete dias eu fechava, mas ele insistiu... Então vai a semana anterior mesmo. Eu queria é que ele mofasse com a casa nesse preço para o Natal, mas eu sei que loguinho ele está alugando. Sigh......
Quanto a Espanha, tem um vôo novo de Eindhoven direto para Barcelona ( na verdade é Girona, a 1 hora de Barcelona ) mas a volta é as 7 da manhã, então vc tem que pegar o shuttle até o aeroporto às 5. Vou dar mais uma fuçada para ver se encontro um pacote prontinho, mas para Agosto tá difícil... Alguém tem aí uma sugestão melhor? Eu pensei em Londres, mas FH não é muito fã de Londres não...
Publicado por Adriana às 9:55 AM
zondag, juni 06, 2004
O filme... Ah, que saudade da Thalita e da Fernanda, minhas companheiras de Harry Potter...
O filme foi.... hum.... hamm... sei lá, ainda não sei se gostei ou não. O negócio é que o filme é bom para quem não conhece muito Harry Potter, não leu os livros, e para esses, talvez seja mesmo o melhor dos 3, mas para aqueles que leram os livros, e gostam dos filmes o mais fiéis possível, este terceiro é muito, muito, MOOOOOITO frustrante.
Eu e Bart contamos pelo menos 34 "não conformidades" com o livro, a maioria muito importante para a continuidade da história, mas solenemente ignorada pelo mexicano maldido. Exemplo? No livro, a autora faz questão de estabelecer quão forte era a amizade de James ( Thiago ) Potter, Sirius, Lupin e Pettigrew. E faz questão de deixar bem claro que Pettigrew era o único mágico medíocre. A prova de quão bons mágicos e bons amigos eram, Thiago e Sirius ( seguido pelo medíocre Pettigrew ) descobrem, ainda adolescentes como se transformar em animagus sozinhos, sem o conhecimento do ministério da magia. Este encantamento é tão avançado que nem Dumbledore desconfia, pois não seria normal adolescentes conseguirem fazê-lo. E eles o fazem para poder ficar com o amigo Lupin, que é um lobisomem, quando este se transforma. O mexicano maldito ignora tudo isso e não explica que Pettigrew vira um rato para poder "desligar" o botão da árvore que protege a entrada da casa onde o Lupin vai se transformar, o Sirius é um cachorro enorme e Thiago é um Cervo. E porque isso é importante? Porque é dessa forma que todos reconhecem que o patrono que aparece é realmente de Harry: seu patrono toma a forma de um cervo. Essa é a marca registrada do Patrono de Harry: ele toma a forma que seu pai tomava quando era um animagus.
O mexicano maldito ainda passa por cima da explicação do porque Snape detesta tanto Harry: Thiago, tentando pregar uma peça em Snape, conta onde Lupin vai se transformar exatamente na hora que Sirius está se transformando. Snape é salvo em cima da hora, quase morre nas "garras" do Lupin-Lobisomem.
A vassoura que Harry ganha misteriosamente no começo do livro, e que depois de ser totalmente examinada por semanas para ver se não era enfeitiçada por alguém do mal, só aparece na cena final. Aquele mistério gostosinho de quem poderia ter dado a Firebolt para o Harry, é também solenemente ignorado pelo Mexicano Maldito.
E é ignorada também a passagem onde Malfoy e seus amigos se "vestem" de dementadores para assustar o Harry no jogo, não falam que os inventores do Mapa do Maroto foram Thiago, Sirius, Lupin e Pettigrew, não contam que Hermione e Rony tentaram ajudar no julgamento do Bicuço.
Aliás, mal explicam que a Hermione está assistindo a várias aulas ao mesmo tempo por conta de um amuleto que "reverte" o tempo. E olha que este amuleto é importante, pois é o que "salva" a história no final. Isso sem falar que os alunos agora vestem roupas normais, o que é meio estranho, pois Hermione está quase ficando louca com sua agenda "dobrada" e ainda arruma tempo para trocar de roupas ( eles assistem às aulas de uniforme ). Ah, e nos livros, Harry só tem roupas de "trouxas" feias, pois só herda o que era do primo, gordíssimo, mas no filme ele aparece de jeans justinho, chega mesmo a, heresia das heresias, parecer um pouquinho sexy. É o Harry tá ficando bonitão.
O desvendamento do "crime" de Sirius ( que na verdade foi cometido por Pettigrew ) é muito mal feito, quem não leu o livro não entende direito.
Mas um dos maiores descasos do filme foi com Hogsmeade, o único vilarejo 100% "mágico" do mundo. Eu esperava ver a loja de doces imensa e cheia de gostosuras ( uma versão ampliada da Jamin daqui ), a Zonkos cheia de coisas engraçadas, e finalmente ver o que é a tal Butterbeer ( cerveja amanteigada? ). O mexicano-dez-mil-vezes-maldito praticamente nem mostra Hogsmeade, apenas um takezinho fajuto da loja de doces, e eles nem entram no bar da Madame Rosmerta para beber a Butterbeer ( Harry ouve a conversa de Mc Gonagal e do Fudge da janela ). Lembram de como o diretor anterior mostrou a Travessa Diagonal com perfeição, e gringotes, e o Leaky Cauldron?
Mas vamos parar de ver o copo meio vazio... Vamos ao lado bom.
O Mexicano Maldito acertou em cheio na sequência do Nightbus. O ônibus está perfeito, o carinha que vende os tickets está hilário, e a forma como ele se move em Londres arrancou muitos risos da platéia. Os cenários também são "show de bola". O Mexicano Maldito mostra menos Hogwarts por dentro e mostra mais os arredores, filmados na Escócia, a vista do castelo de longe, o lago, que será muito mostrado no quarto filme, e a choupana do Harry, perfeita pela descrição que o livro dá. A cena do vôo do Harry montado no Bicuço é maravilhosa, impecável. A professora Trelawney e sua torre também estão ótimas ( se bem que metade do crédito tem que ir para a ótima Emma Thompson ). Os quadros todos estão muito engraçados, pois todos agora se movem, e A gorda do quadro da porta do dormitório de Grifindória está demais.
Resumindo: poderia ter sido melhor, mas foi bom. Quem não gostou dos primeiros dois vai gostar desse. Para nós, fãs de carteirinha, resta sofrer por antecipação do assassinato que será o quarto filme, pois é mais complicado que o terceiro ( duvido que o Mexicano Maldito vai mostrar todos os detalhes do acampamento da Copa Mundial de Quadribol ), e o diretor vai continuar o mesmo. Vamos pelo menos começar um abaixo-assinado para enviar o Mexicano Maldido de volta aos tacos e quesadillas, pois acho que tanta pimenta malagueta matou 90% dos neurônios dele.
E você, o que achou do filme?
Publicado por Adriana às 12:16 PM
vrijdag, juni 04, 2004
Estou contando os minutos...
Finalmente, hoje ( se encontrar ingressos ) vou assistir Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban. Estou babando de ansiedade, sou super fã. Li todos os livros e o terceiro sempre foi o meu preferido, pois introduz novos personagens como a prof. Trelawney, ( no filme a atriz Emma Tompson ) que continuará nos próximos 2 livros e será importantíssima no quinto livro. Hermione compra seu gato ( em português é Bichento ), que vai perseguir o rato do Ron ( Perebas ). Ah, e tem ainda o vilarejo de Hogsmeade ( tem tradução em português? ).
É incrível ver como os atores cresceram, o no making-off ( exibido aqui no canal 9 ) mostraram o final das filmagens do quarto filme, para que os atores não pareçam muito mais velhos que os personagens do filme. Pena que a gente vai ter que esperar mais um ano, pois estarão editando e adicionando os efeitos especiais.
Li que a Britney Spears queria ter feito o papel de Cho, que deve aparecer somente numa ponta do quarto filme, mas que será a primeira menina que o Harry vai beijar ( oooops, contei o mistério ), mas os produtores a acharam muito velha para o papel. Hahahahhah, Britney Spears foi chamada de balzaca. De qualquer forma, deixa eu ir que tenho que tentar comprar os ingressos. Já falei que aqui o cinema tem lugar marcado? Show de bola, pois você pode comprar antes e deixar para chegar no último minutinho, não tem que ficar mofando na fila e depois mofando na poltrona que nem no Brasil. Maaaaaaas... não tem a pipoca com manteiga do Cinemark. Ai que saudade...
Publicado por Adriana às 12:45 PM
donderdag, juni 03, 2004
Conversa sobre futuro profissional
Minha conversa sobre futuro profissional com Claudinha foi parar no blog da Janegal. Estávamos falando sobre a mania que as empresas têm de fazer uma análise profunda em aspectos obscuros do seu CV, como hobbies por exemplo. Tentam traçar seu perfil fora da empresa a partir daí, e é claro que colocar ali sua fascinação por bordado ponto-cruz não vai ajudar em nada.
Mas ambas concordamos que toda empresa de grande porte quer "Janegais. E o que é que tem a Janegal de mais? Janegal jamais se gaba da sua vida profissional ou diz que fez e aconteceu. Só sabemos que ela trabalha numa multinacional gigantesca ( na minha opinião a melhor empresa para se trabalhar no Brasil ) pelo IP dela ao acessar nossos blogs. Vira e mexe ele comenta alguma coisa e se percebe que ela viaja bastante a trabalho. Ah, ela mora em Londres, onde foi enviada como a mais jovem expatriada da empresa, e quem já trabalhou em multinacional sabe o quanto isso é raro. Outros detalhes a gente fica sabendo pelo site do ex-namorado, que entre outras coisas, num momento de depressão, falou que ganhava 5 vezes menos que a ex, e colocou, com todos os números o salário dela( hehehehe nem vou comentar, mas é alto ). A Janegal tem um refinamento indispensável a um executivo de multinacional, é inteligentíssima, é cool. Muito cool. E acaba de chegar de um curso de 1 semana para executivos em Harvard. Quando eu trabalhava na GM, demos umas pesquisadas nos preços e um seminário de 3 dias custa mais de 10 mil dolares, o curso de uma semana deve beirar 20 mil.
E falar da Janegal me remete a um diretor da GM que eu DETESTAVA ( eu suspeito fortemente que ele não era meu maior fã ) e que tinha a teoria do pianista. Aliás, todos os executivos da GM em algum momento mencionavam o tal "carregador de piano". E aí vai a tal teoria:
Para o sucesso de um concerto, são necessárias duas figuras chaves: o pianista e o carregador de piano. Estes estão dividos da seguinte forma:
Carregadores de piano:
- O trabalhador: existe aquele carregador de piano que vem de uma familia de carregadores de piano e que não acredita que o filho de um carregador de piano possa um dia ser pianista. Ele carrega o piano sem nunca se questionar se poderia ter sido um pianista. Dentro desta categoria há ainda aquele que, já que tem que ser carregador de piano, se esforça para ser o melhor, e acaba sendo o Chefe-Geral-dos-carregadores-de-piano - e todo mundo vem com aquele lenga-lenga de que não importa sua profissão, o importante é ser o melhor no que faz e blá blá blá - mas o cara não passa de um carregador de pianos. ( peão conformado )
- O sonhador: há o carregador de piano que sonha em ser pianista. Ele até já ouviu falar de um ou outro carregador que acabou virando pianista, por isso enquanto carrega o piano, tenta absorver o máximo do ambiente ao redor, observa cada movimento do pianista, espera sinceramente um dia mudar de cá ( carregador ) para lá ( para o palco ). Será que ele vai conseguir? ( peão sonhador )
Pianistas:
- O de algum talento: este é o grupo mais numeroso. Têm algum talento, mas não o suficiente para ser um astro. Tocam numa festinha ou outra, um barzinho aqui outro acolá, podem até se esforçar, mas talento é algo com o qual se nasce, não dá para forçar. ( o gerentinho )
- Talento e força de vontade: este pianista nasceu com muito talento, mas precisa estudar, se aperfeiçoar para dar grandes concertos. Sua vitória não é resultado apenas do talento, mas de muitas horas estudando partituras e praticando. ( o gerente / diretor que chegou lá por seus próprios méritos - o tipo que eu mais gosto de trabalhar )
- O extremamente talentoso e carismático: este é o pianista que mata todos os outros de raiva. Enquanto alguns passam horas praticando, este dorme até mais tarde, vai almoçar demoradamente com amigos... Mas quando ele senta no banquinho e tira do piano os primeiros acordes, nada, absolutamente nada, se iguala. Sem esforço algum ele é o melhor e faz o que quer da platéia. ( o diretor estrela )
E aí está a teoria. Eu já me encaixei em um tipo. Todo mundo gosta de se ver no "Pianista de Talento e força de vontade", mas aqui uma dica ( segundo meu ex-gerente ): se as coisas estão demorando para acontecer, se você está trabalhando que nem um condenado para ser reconhecido, não se engane, você é o "de algum talento", pois se você fosse o "extremamente talentoso" a empresa já teria reconhecido de cara e já teria tratado de ter dar "tratamento especial". Em termos práticos, na GM isso queria dizer que, se até os 32 anos você ainda não foi promovido a gerente, nunca será.
Publicado por Adriana às 11:26 AM
woensdag, juni 02, 2004
O Brasil aqui na Europa
Acordei hoje e assistindo o jornal da manhã com FH, vimos uma reportagem sobre a chacina no Presídio de Benfica. Eu vou falar uma coisa: estou cansada de só ver desgraça brasileira sendo mostrada aqui fora. Quando eu disse que era contra filmes tipo Cidade de Deus tendo algum espaço na mídia internacional, todo mundo chiou, mas essa imagem só prejudica o Brasil. Depois da reportagem, mostraram o diretor de uma multinacional de produtos de beleza ( não falaram o nome ) dizendo que estão transferindo os volumes da produção no Brasil para a Asia pois os seguros que a empresa tem que pagar na fábrica brasileira inviabilizam a operação. E olha aí, mais brasileiro perdendo emprego.
Muitas vezes ouço o clichê "tem que mostrar a realidade", mas temos mesmo, se isso prejudica tanto a nossa imagem? Em nome da tal "arte", o país inteiro perde tantas oportunidades! O único que saiu ganhando aí foi Fernando Meirelles, diretor do filme. Vocês sabiam que Cancún, com apenas 27 km de praia recebe mais turista por ano que o Brasil inteiro? Como pode isso? E o pior é que parece que o cinema brasileiro só sabe falar disso, de violência, de pobreza. Querem pegar carona na brechinha dada pelo Central do Brasil e repetem o mesmo "assunto", again and again. Aqui no exterior todos têm uma profunda admiração por Ayrton Senna, então porque não fazer um filme com a vida dele, mostrando não só sua vida nas pistas, mas todas as obras sociais que ele realizou? Porque não transformar em filme mini-séries maravilhosas como O Tempo e o vento? Porque não mostrar nossas praias, nossos recursos naturais, nossas grandes cidades, o nosso povo! Sim, porque só mostram na TV filmes na favela, então gringo deduz que brasileiro é tudo favelado. Daí vai a gente aqui fora procurar emprego e o que o "contratante" tem em mente? As mulatas pobres dos filmes que ele viu.
Estou cansada, cansada e casada de ver que nunca o mercado externo esteve tão receptivo ao Brasil, e OS BRASILEIROS NÃO ESTÃO FAZENDO NADA PARA APROVEITAR ISSO! Vamos mandar mais chinelinho havaiana pra esse povo, vamos vender mais Pinga 51 ( aqui vende no mercado Komar ) junto com aquele pozinho de fazer caipirinha, vamos mandar muito sapato Azaléia, muita carne de boi que esse povo não sabe o que é um bom filé mignon ( isso pra não falar duma suculenta picanha ), vamos exportar Guaraná Antárctica e acabar com essa versão portuguesa ( tá certo que a Antarctica deve estar ganhando em "royalties" mas estamos dando emprego pra europeu ), vamos vender mais novela pra essa gringaiada porque as daqui são lamentáveis ( como comparar a famigerada Eastenders com Roque Santeiro, O Clone, Terra Nostra ?), vamos vender o CD em inglês do Caetano, ou os tribalistas, ou quem quer que seja. Está na hora de arregaçar as mangas, aproveitar que temos Ayrton Senna, Fernanda Montenegro, Gisele Bünchen, Rodrigo Santoro, Ronaldinho (s) e Roberto Carlos, Guga, e mostrar para esse povo que temos potencial sim!
Vamos fazer as contas: um turista americano gasta por volta de USD 1300 por semana em Cancún. Cara, temos que levar esses turistas para o Brasil. Já que a indústria não cresce, a produção estancou, vamos oferecer serviços. Hotel na beira da praia ( com caipirinha a R$10 - pois Euro 2.50 por um drink é barato para a gringaiada ), muito restaurante tipo rodízio a R$ 40 ( isso custa menos que duas promoções do Mc Donalds aqui ), aluguel de carro, de equipamento de mergulho, lojinha vendendo souvenirs, camisetas, as havaianas ( lógico ). Ah, são tantas as possibilidades. Aliás, quem é o ministro do turismo no Brasil, hein? O cara devia ser enviado para promover o turismo brasileiro no Iraque. Fala sério...
Publicado por Adriana às 8:37 AM