Dia 22 de Abril, à meia-noite
Vocês sabem que eu tenho 35 anos e que até dia 22 de abril do ano que vem, precisamente às 23:59 eu ainda tenho chances, caso eu assim decida, de engravidar e ter um filho normal, mas depois dos 35...Deve estar na Bíblia: crescei e multiplicai-vos até os 35... Em todos os sites que olho há uma lista imensa de "coisas" que podem impedir uma mulher de engravidar depois dos 35, e se ela engravidar, há uma segunda lista com todas as doenças que o bebê pode ter. Mêda...
Esse fim-de-semana eu pensava que embora eu não queira morrer sem ter tido um filho, também não consigo me ver com um. Vejam só:
1 - Eu não estou preparada...
A mulher que fica grávida tem que estar preparada para receber um filho com problemas. E existem milhares deles. Tá certo que a grande maioria dos bebês nasce perfeitinho, mas há aquela chancezinha... E se acontecesse comigo, colegas, eu ficaria louca, não teria estrutura pra aguentar não. Vi no domingo um especial na CNN sobre pais que fogem do Iraque para procurar tratamento para seus filhos com tumores, câncer, gente chorei tanto, até o Bart ficou com umas lagriminhas nos olhos.
2 - Eu não estou preparada... Mesmo...
Eu sou uma neurótica até com meus gatos, quem dirá com uma creonça. Bixinho vai estar com 15 anos e eu ainda vou estar levando e buscando na escola, na casa dos amigos, no cinema... Quem me conhece e conhece meus gatos, sabe que eles não foram nem ensinados a subir em cerca, que o meu maior medo é deles irem dar umas voltinhas na rua, e que nas 2 vezes que o Plato escapou eu quase morri. Eu tenho que saber sempre onde eles estão, se é no quarto de cima, na sala, se estão no jardim eu vou vigiar a cada 10 minutos... Minha vida com um filho, especialmente quando ele começar a querer ir na casa do coleguinha, ir pra escola sozinho, ir pra bailinho, seria um tortura inenarrável.
3 - Eu não estou preparada... Mesmo mesmo mesmo...
Eu não sei o que fazer com uma criança. Leio o monte de gente que acabou de ter filho e que não tem tempo nem de tomar banho mais, e penso: mas que raios? Na minha cachola, a cada 3 horas você gasta meia hora alimentando e trocando as fraldas, depois disso um bebê alimentado e limpinho dorme, certo? Se o bacurim tiver dores, não ficarei chacoalhando o coitado, afinal quando estou com dor a última coisa que quero é neguinho me chacoalhando, que foi o que disse também o médico dos meus sobrinhos ( que foi também meu médico e do meu irmão ). Mesmo que o bixinho use 5 mudas de roupas por dia, é só tacar na máquina, lavar e secar; dobrar vai dar um trabalhinho, mas a roupa é tão pititica, não precisa ser um primor de dobração. Não irei passar horas todos os dias fazendo papinha, eu AMO papinhas da Nestlé, praticamente todas as semanas compro uma pra mim, porque então não daria pra creonça? Então onde vão as outras horas do dia? O que é que eu não estou "captando"?
4 - Eu devo ser uma desnaturada, me falta um parafuso!
Eu sou brasileira, mas na criação de bebês estou com a holandesada, pelo menos com as 2 que eu conheci ( a ex-grávida e a do cabelão no meu primeiro emprego ). Ambas ensinaram seus filhos a dormir a noite toda, usando o prosaico método de deixar a creonça chorar até dormir, dizem que em uma semana a creonça "aprende". A brasileirada acha isso crueldade. Ambas holandesas amamentaram até ter que voltar ao trabalho, depois começaram a dar fórmula, ambas disseram que esse negócio de bombinha, esteriliza isso, esteriliza aquilo não era para elas. A brasileirada também acha crueldade. A ex-grávida disse que a mulher do consultatie bureau mandou ela amamentar 15 minutos em cada seio a cada 2,5 horas, que se a criança ficasse enrolando para que ela não deixasse extrapolar o horário, assim o bebê aprende. A brasileirada manda deixar a criança fazer do peito chupeta.
5 - A creche é a salvação, amém!
Sempre vejo por aí a mulherada dizendo que "poder ficar em casa" para curtir o crescimento do filho é um privilégio, vejo que muitas só voltam a trabalhar porque precisam da renda adicional, mas eu não consigo me ver, de forma alguma, em casa, 24/7 babando o filho... Eu me conheço, e sei que acabaria de rabinho de cavalo, moletom e tênis todos os dias, ranhetando com a criança por causa das migalhas de pão no tapete, pela roupa suja, pelos brinquedos espalhados pela casa... Deus abençoe e ilumine quem inventou a creche e todos aqueles que lá trabalham, amém!
6 - Sem cobranças
Todo mundo acha lindo dizer que "criou o filho pro mundo", mas será mesmo? Se o seu filho aos 18 anos decidir ir viver na rua, sem trabalhar, ou ser cigano, de cidade em cidade, você vai aceitar numa boa? E se sua filha ao fazer 18 anos decidir se mudar pra uma daquelas colônias de bígamos? E se ele for uma daquelas pessoas que curte se pendurar em ganchos enfiados na pele? Olha, eu não tô preparada pra criar filho pro mundo não. Se eu tiver filho, quero que ele vá pra faculdade, quero que ele venha me visitar aos domingos, ou se morar longe, no Natal. Gostaria que ele fosse cristão, aceito se for ateu, mas não conseguiria aceitar se praticasse Vodoo, Umbanda ou essas seitas que mexem com magia negra. Gostaria que ele fosse um "free thinker", aceitaria se fosse um maçon, mas não conseguiria aceitar um membro da Klu Klux Klan. Eu já ouvi "deixei de fazer XXX para pagar escola / faculdade pra você", e apesar de entender e ser grata aos meus pais, não gostei da cobrança. Será que eu conseguirei fazer a mesma escolha e não cobrar depois?
7 - O parto... Jisuis...
É, aqui o povo gosta mesmo é do parto normal... Afemaria... Tremedeira e suor frio só de pensar... Vocês já ouviram aí no Brasil, ou mesmo em outros países, falar de absorvente para incontinencia urinária? E olha, não estou falando de fralda geriátrica não! Aqui tem um absorvente, tipo Always, para mulheres com incontinência urinária. É óbvio que, se criaram um produto especialmente para esse fim, há mercado, e o público alvo são mulheres que tem incontinência urinária depois de um parto normal. Mêda, muita mêda...
8 - E se?
E se a creonça for alérgica a pêlo de gatos? Pode parecer fútil, mas eu não tenho família aqui para adotar meus meninos... Gente, pode parecer pouco, um filho de um lado da balança e animais domésticos do outro, mas... são meus piolhinhos, somos apegados à eles, doar só se fosse pra família e ainda assim, se morasse perto... ai, não gosto nem de pensar...
Mas, como 22 de abril de 2009 ainda está looooonge...
:o)